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Na noite em que Jesus foi traído, após a ceia pascal,
Ele tomou "o pão, e havendo dado graças,
partiu-o, e deu-lho (a Seus discípulos), dizendo: Isto
é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória
de mim. Semelhantemente tomou o cálice, depois da ceia,
dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue,
que é derramado por vós" (Lc 22.19,20).
Jesus estava para ir à cruz, e ao Pai, deixando os Seus
amados discípulos neste mundo. Ele estava indo preparar-lhes
um lugar, para depois retornar e recebê-los para Si,
para que onde Ele estivesse, eles pudessem também estar.
Sabendo que seus corações facilmente se esqueceriam, e
ciente da fria influência exercida pelo mundo, Ele lhes
deixou, antes de partir, este simples e amável pedido:
"Fazei isto em memória de mim".
Havendo Se oferecido, como a verdadeira Páscoa, sobre a
cruz, e tendo sido sepultado, Ele ressuscitou de entre os
mortos pela glória do Pai, e tomou o lugar que Lhe
estava reservado à destra de Deus (Rm 6.4). Desde então,
Ele continua falando com a mesma ênfase aos corações
daqueles que são Seus, por intermédio de Seu servo
Paulo (leia 1 Co 11.23). Os escritos dos apóstolos são
palavras que lhes foram ensinadas pelo Espírito Santo (1
Co 2.13).
Por quase dezenove séculos, Ele tem aguardado
pacientemente em misericórdia e graça a favor do
pecador. É por Sua paciência, querido leitor cristão,
que eu e você fomos alcançados. Que tamanha
responsabilidade temos, então, para com Aquele que é
nosso Salvador e que é tudo para nós! Não se trata de
algo difícil o que Ele nos pediu, mas simplesmente que
nos lembrássemos daquEle que nos amou, e Se entregou por
nós (Ef 5.25). O Seu sangue precioso fez a nossa paz, e
agora Ele Se apresenta aos nossos corações. Como pode
algum dos Seus queridos querer privá-Lo deste gozo, ao
deixar de cumprir o Seu amoroso desejo?
É da máxima importância que cada cristão possa
conhecer o desejo do Senhor acerca desta bendita instituição
que é a ceia do Senhor, uma vez que a cristandade em
geral tem se distanciado cada vez mais da simplicidade
das Escrituras, despojando a ceia do Senhor e a mesa do
Senhor do seu verdadeiro significado, e levando muitos a
ficar confusos a respeito deste assunto. Os romanistas,
com suas missas, e os protestantes, com seus sacramentos,
têm ambos distorcido o verdadeiro caráter do lugar que
a ceia e a mesa do Senhor devem ocupar na igreja. Os católicos
tratam da ceia como um sacrifício repetido a cada missa,
negando assim completamente a perfeição do único
sacrifício de Cristo, feito uma vez para sempre. Os
protestantes, com freqüência, fazem dela um meio
parcial de salvação, além de normalmente permitirem
que pessoas inconversas participem, quando a Palavra de
Deus é categórica quanto ao fato de que a participação
na ceia do Senhor é um privilégio unicamente para
verdadeiros cristãos. E verdadeiros cristãos são
crentes em Jesus, possuem a vida eterna e o Espírito
Santo (leia Jo 6.47; 1 Co 6.19). A ceia nunca deveria ser
tomada como um meio de se obter bênçãos, mas como uma
grata lembrança de nosso Senhor, por aqueles que já
receberam bênçãos. Uma verdadeira fé e um andar em
fidelidade credenciam aqueles que são membros do corpo
de Cristo a ter o seu lugar à mesa do Senhor. Trata-se
de um privilégio de todos os filhos de Deus que não
estejam biblicamente desqualificados para tal.
Existem quatro questões para as quais eu gostaria de
chamar a atenção do leitor: Por Que, Quando, Onde e
Como devemos tomar a ceia do Senhor? Primeiramente, vou
responder a estas perguntas com trechos das Escrituras,
para depois explicá-las mais detalhadamente.
POR QUE?
"Fazei isto em memória de mim."
(Lc 22.19.)
"Porque todas as vezes que comerdes este pão e
beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até
que venha." (1 Co 11.26.)
QUANDO?
"E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos
para partir o pão..." (At 20.7.)
"Porque todas as vezes que comerdes este pão e
beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até
que venha." (1 Co 11.26.)
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na
comunhão, e no partir do pão e nas orações." (At.
2.42.)
ONDE?
"Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu
nome, aí estou eu no meio deles." (Mt 18.20.)
"Se pois toda a igreja se congregar num lugar..."
(1 Co 14.23.)
"...ajuntando-se os discípulos para partir o pão,...
havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos."
(At. 20.7,8.)
COMO?
"Porque eu recebi do Senhor o que também vos
ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído,
tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse:
Tomai, comei: isto é o meu corpo que é partido por vós;
fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também,
depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é
o Novo Testamento no meu sangue: fazei isto, todas as
vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as
vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice
anunciais a morte do Senhor, até que venha." (1 Co
11.23-26.)
"Falo como a entendidos, julgai vós mesmos o que
digo. Porventura o cálice de bênção que abençoamos,
não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que
partimos não é porventura a comunhão do corpo de
Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um
só corpo: porque todos participamos do mesmo pão."
(1 Co 10.15-17.)
Havendo citado estas passagens das Escrituras, permita-me
que o auxilie um pouco a guiar o seu coração mais além,
amado irmão em Cristo, para a simplicidade de tudo isto;
para que nosso Senhor possa sentir gozo em observar a
nossa amável sujeição à Sua bendita vontade, e para
que você possa se regozijar por estar fazendo com que
Ele Se alegre.
A primeira questão é:
Por que devemos tomar a ceia do Senhor? Em memória de
Jesus, para que nossos corações possam trazê-Lo à
lembrança. O partir do pão nos fala do Seu corpo
entregue por nós sobre o madeiro; o beber do cálice nos
fala de Seu precioso sangue derramado por nós. Ao
participarmos destes símbolos do Seu amor, anunciamos a
morte do Senhor. Na presença de Deus, e dos anjos
santos, e também circundados pelos poderes invisíveis
das trevas e da maldade - Satanás e seus anjos - e por
um mundo de pecadores culpados e perdidos, anunciamos o
maravilhoso fato de que o Senhor da glória, Jesus, o
Cristo de Deus, foi até à cruz do Calvário, sofreu,
derramou Seu sangue, e morreu. Nós anunciamos o mais
esplêndido acontecimento já ocorrido na história do
universo: como o Seu Criador Onipotente, como Homem (sem
pecado), sofreu toda aquela terrível vergonha e dor, a
fim de que Deus fosse glorificado; a fim de que o poder
de Satanás fosse anulado, e a questão do pecado
resolvida de uma vez por todas.
Mas Deus O ressuscitou dentre os mortos, e Lhe deu glória,
mostrando assim a todos a Sua estima pela oferta única e
perfeita. Já está assentado, o poderoso e vitorioso
Senhor, à direita da majestade nos céus, aguardando o
glorioso momento, que só Deus conhece, quando descerá
nos ares para chamar os Seus amados para o Seu lar (1 Ts
4.15-18). Os cristãos estarão, então, cumprindo as
Suas palavras, fazendo isso em memória dEle, e dessa
forma anunciando a Sua morte até que venha.
"Se alguém me ama, guardará a minha palavra..."
(Jo 14.23.)
"Quem me não ama não guarda as minhas palavras."
(Jo 14.24.)
A questão seguinte é:
Quando devemos tomar a ceia do Senhor? Quanto a isto o
Senhor não deixou qualquer mandamento específico, mas
indicou claramente em Sua Palavra o que pensa a respeito,
e o crente espiritual, cuja consciência está sendo
exercitada, não levará muito tempo para discernir
corretamente.
É bem evidente que todo coração verdadeiramente leal
irá dizer: - Eu gostaria de lembrá-Lo com freqüência.
Vejamos o que as Escrituras nos esclarecem a respeito
disto. Em Atos 2.42 lemos que três mil cristãos, que
acabavam de ser acrescentados, "perseveravam na
doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão,
e nas orações". Esta passagem deixa claro que eles
compreenderam as palavras do Senhor, e demonstra que o
partir do pão não era ocasional, mas algo praticado com
freqüência. Embora a expressão "partir do pão"
fosse normalmente empregada para uma refeição comum, e
algumas vezes aparece tendo este significado, no versículo
acima e em outras passagens diz respeito à ceia do
Senhor (veja Lc 24.30-35; At. 20.11; 27.35,36).
Encontramos também em Atos 20.7 que, "no primeiro
dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o
pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava
com eles". O primeiro dia da semana, ou dia do
Senhor, é o dia que se segue ao Sábado (Mt 28.1; Ap 1.10);
é o dia no qual nosso Senhor ressuscitou dentre os
mortos. E aprendemos deste versículo que era costume dos
primeiros discípulos se reunir neste dia para partir o pão
em memória do Senhor. Este é o objetivo que os motivava
a estar reunidos. Paulo estava ali, e falou a eles; mas
eles não estavam reunidos para ouvir Paulo pregar, mas
para recordar o Senhor Jesus em Sua morte.
Alguns poderão pensar, ao lerem estas linhas, que não há
nada que demonstre que os discípulos se reuniam todo
primeiro dia da semana. Mas permita-me lembrá-lo,
querido leitor, que anunciamos a morte do Senhor até que
venha, e, assim, ao nos reunirmos no primeiro dia da
semana, poderá ser a última vez que o estaremos fazendo.
A volta de Cristo se encontra tão evidente nas
Escrituras, que o Seu povo deve permanecer sempre em uma
atitude de espera por Ele (Lc 12.35,36; 1 Ts 1.9,10). Então
você nunca mais passará um dia do Senhor neste mundo,
mas se, enquanto aqui, procurar em sua Bíblia, irá
encontrar em Atos 20.7 que "no primeiro dia da
semana ajuntando-se os discípulos para partir o pão...".
Além do mais, encontramos em João 20.19,26, que em duas
semanas sucessivas, no primeiro dia da semana, Jesus Se
colocou no meio dos discípulos reunidos, e disse, "Paz
seja convosco...". Também em 1 Coríntios 11.25,26,
lemos, "Fazei isto, todas as vezes que beberdes, em
memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este
pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor,
até que venha".
De um modo geral, a importância da ceia do Senhor tem
sido perdida de vista, sendo tratada como algo secundário.
O púlpito é com freqüência colocado em inigualável
proeminência, e a bendita memória do Senhor é passada
para uma posição inferior, como algo deixado para
depois do culto, uma vez por mês, ou até mesmo com
menor freqüência. Que Deus, em Sua graça, possa guiar
todo cristão, que ler estas linhas, para que busque Sua
bendita Palavra, e a obedeça, ao invés de ser guiado
pelas tradições dos homens.
Aprendemos das passagens acima que a vontade do Senhor
era que Seus santos partissem o pão ao menos no primeiro
dia de cada semana, ou mesmo, se possível, com mais freqüência,
e assim perseverassem.
Nossa terceira questão é:
Onde devemos tomar a ceia do Senhor? Em Mateus 18.20
lemos, "Porque onde estiverem dois ou três reunidos
em meu nome (ou para o meu nome), aí, estou eu no meio
deles". Prezado leitor, pondere nestas palavras.
Existe nelas um significado muito mais profundo do que
você possa imaginar.
Cristo partiu deste mundo e o Seu desejo era que, durante
a Sua ausência, Seus santos se reunissem, juntos, para o
Seu nome. Atente para estas palavras, "em meu nome",
(ou "para o meu nome"). Ali, e ali somente, o
Senhor prometeu estar no meio. Onde? "Onde estiverem
dois ou três..." - ou duzentos ou trezentos, se for
o caso - "...reunidos em Meu nome". Isto exclui
todo tipo de associação voluntariamente criada, e tudo
aquilo que é estabelecido sobre um fundamento de se
fazer independente de outros cristãos. Cristo não
prometeu estar no meio de tais grupos. O homem criou
seitas, partidos, sistemas e um sem número de organizações;
existe hoje uma verdadeira Babel de nomes espalhados pela
cristandade.
Em meio à toda confusão reinante, o nosso recurso
continua sendo Deus e a Palavra da Sua graça; e a
promessa permanece tão firme hoje como nos dias em que
nosso Senhor a deu. Sua presença é no meio de dois ou
três reunidos ao Seu nome. Em, ou ao, MEU nome - o nome
do Santo de Deus - e em nenhum outro nome. O fato de
cristãos estarem reunidos como membros de uma igreja
estabelecida por homens, ou em um sistema ou sociedade
religiosa, por mais bem intencionados que sejam, não é
a mesma coisa que estarem reunidos ao nome de Cristo. Porém
alguns podem argumentar: - Mas temos a presença do
Senhor conosco! É claro que sim, mas como indivíduos.
Isso é válido para todo cristão, e muitos têm uma
percepção mais clara disso quando se reúnem em
qualquer lugar onde a Palavra de Deus seja pregada e onde
Ele seja louvado. Mas a presença de Cristo no meio é
algo completamente distinto disso, e a menos que você
esteja dentre aqueles reunidos ao Seu nome (cf. Mt 18.20),
nunca terá desfrutado a realidade desta preciosa verdade.
Para o amado povo de Deus não há nada que possa ser
comparado a isto em todo este mundo. Está VOCÊ reunido
ao nome de Cristo somente?
Permita-me acrescentar que a principal atividade daqueles
reunidos ao Seu nome deveria ser a lembrança de Cristo
em Sua morte. Os dois ou três, vinte ou trinta, duzentos
ou trezentos, se for o caso, assim reunidos, se encontram
sobre o fundamento daquilo que é a assembléia ou igreja
de Deus. E em todas as ocasiões em que estiverem assim
reunidos, Cristo estará ali. Isto é válido para todas
as assembléias de cristãos assim reunidos nas diversas
partes do mundo. Embora milhares de quilômetros possam
separar as diferentes assembléias de irmãos reunidos
desta maneira, cada uma delas tendo a responsabilidade de
representar o todo, ainda assim todas fazem parte da única
igreja de Deus sobre a terra. Todos os santos fazem parte
da igreja de Deus; enquanto que todos os santos reunidos
ao nome de Cristo estão sobre o fundamento da igreja de
Deus.
Cristo morreu a fim de reunir em um corpo os filhos de
Deus que estavam dispersos (Jo 11.49-52). "Quem
comigo não ajunta espalha." (Mt 12.30.) O lobo é o
que arrebata e dispersa as ovelhas (Jo 10.12). Querido
leitor, você está disperso nas muitas seitas ou reunido
ao nome do Senhor?
Apesar do completo fracasso e obstinação do homem, e da
confusão geral semeada pela cristandade, a imutável
Palavra de Deus continua afirmando que "Há um só
corpo e um só Espírito" (Ef 4.4), e que a
responsabilidade que o cristão tem, de guardar a unidade
do Espírito no vínculo da paz, nunca cessará enquanto
ele estiver neste mundo (Ef 4.3). Todos os cristãos são
UM com Cristo, e uns com os outros, "chamados em UM
corpo" (Cl. 3.15). Pertencer a uma seita, ou freqüentá-la,
é ser sectário. Ser benevolente, ou ter um grande coração
( ou ser inter-denominacional, como se costuma dizer),
aceitando tudo e todos e freqüentando todo e qualquer
lugar onde cristãos se reúnam, é ser todo-sectário.
Estar reunido somente ao nome de Cristo, reconhecendo, e
expressando na prática, que há um só corpo e um só
Espírito, perseverando na doutrina dos apóstolos, e na
comunhão, e no partir do pão e nas orações, é ser não-sectário.
Qual destes você é - sectário, todo-sectário ou não-sectário?
Finalmente, Como devemos tomar a ceia do Senhor? Deixemos
que a Palavra de Deus nos responda: "Porque eu
recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor
Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e,
tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto
é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória
de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o
cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no
meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em
memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este
pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor,
até que venha".
Se você examinar cuidadosamente esta passagem em 1 Coríntios
11.23-26, irá notar que nela não existe qualquer
pensamento (e nem tampouco em qualquer parte do Novo
Testamento) de que deveria haver um homem presidindo a
ceia. Não há ali nenhum papa, cardeal, arcebispo,
bispo, ancião, padre, pastor, reverendo, ministro ou diácono
dirigindo a celebração. Trata-se da mesa do Senhor e da
ceia do Senhor. Foi o próprio Senhor Quem ocupou o lugar
de destaque à mesa quando instituiu a ceia, e a mesa
continua sendo dEle. Qualquer tipo de direção humana,
seja qual for a forma que é exercida, e mesmo que seja
com a melhor das intenções, é uma usurpação da
autoridade de Cristo. O Senhor guia os Seus discípulos
para prepararem a Sua mesa, e os convida, como convidados
de honra, para participar da Sua ceia, em Sua memória.
Ele está ali para Se encontrar com os Seus discípulos,
sentados ao redor da Sua mesa, tendo o Espírito Santo,
que habita na assembléia, para dirigi-los em adoração,
louvor e gratidão ao Pai e ao Filho. (Leia Jo 4.23; Hb
10.19-22; 13.15; 1 Pd 2.5.) Ele é Todo-suficiente, e
guiará quem Ele escolher, para dar graças e partir o pão,
o qual é passado de mão em mão para que cada um tire
dele um pedaço e coma. O mesmo é feito com o cálice,
para que cada um tome do vinho. Se os corações
estiverem sujeitos ao Espírito Santo, Ele os guiará e
manterá tudo em ordem para a glória de Deus. Deus não
é autor de confusão (ou inquietação), mas de paz,
como em todas as igrejas dos santos. (Leia 1 Co 12.7-11;
14.23-40.)
"Falo como a entendidos", diz o apóstolo
Paulo, "julgai vós mesmos o que digo. Porventura o
cálice de bênção, que abençoamos não é a comunhão
do sangue de Cristo? O pão que partimos não é
porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós,
sendo muitos, somos um só pão e um só corpo: porque
todos participamos do mesmo pão." (1 Co 10.15-17.)
Ele se dirige aos cristãos como pessoas entendidas, que
têm discernimento, exortando-os a julgar o que ele diz,
e os versículos que se seguem mostram claramente como
devemos tomar a ceia do Senhor. Tudo ali se encontra no
plural e não existe qualquer idéia de um homem
ministrando para outros, como é comum vermos em muitos
lugares. O cálice que (nós) abençoamos, o pão que (nós)
partimos; pois nós, sendo muitos, somos um só pão, um
só corpo. A maneira que Deus estabeleceu é que, tanto o
pão como o vinho, sejam passados de um para o outro.
Fazendo assim, estamos todos demonstrando nosso comum
interesse na morte de Cristo.
É ainda importante ressaltar que o apóstolo estava em
Filipos quando escreveu aos Coríntios, e ao falar do cálice
e do pão, ele diz: "O cálice que (nós) abençoamos,
o pão que (nós) partimos", e não que "vós"
abençoais ou que "vós" partis, como se a
assembléia em Corinto fosse independente da que estava
em Filipos. E ele continua dizendo, "Porque nós,
sendo muitos, somos um só pão, um só corpo",
mostrando da maneira mais clara possível a unidade dos
santos de Deus em todo lugar. Cristo é "a cabeça
do corpo, da igreja" (Cl 1.18). "Porque, assim
como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os
membros, sendo muitos, são um só corpo assim é Cristo
também. Por isso todos nós fomos batizados em um Espírito
formando um corpo..." (1 Co 12.12, 13.)
Nos dias do apóstolo Paulo o Senhor tinha uma mesa
estabelecida, e todos os santos de Deus, em todos os
lugares, eram UM, e recordavam o Senhor como
participantes daquela mesa. O homem tem estabelecido
muitas mesas desde então, mas o fracasso do homem, ao
agir segundo a sua própria vontade, de modo algum altera
a Palavra de Deus. Cada filho de Deus tem a
responsabilidade de procurar onde se encontra a mesa do
Senhor em meio à toda a confusão existente, para nela
recordar a Sua morte.
O cristão, ao desfrutar desse bendito privilégio, não
deve se esquecer de julgar a si mesmo. Participar dos símbolos
(pão e vinho), que trazem à memória o amor de Cristo,
sem exercer um julgamento próprio, é comer e beber
indignamente, falhando em discernir o corpo e sangue do
Senhor (1 Co 11.27-29). Isto com certeza trará sobre nós
juízo no tempo presente, assim como acontecia com os Coríntios,
para não sermos condenados (ou julgados) com o mundo (1
Co 11.30-32). "Examine-se o homem a si mesmo e assim
coma deste pão e beba deste cálice." (1 Co 11.28.)
Muitos detalhes poderiam ser acrescentados no que diz
respeito a esta verdade tão importante, mas o que foi
apresentado será suficiente para o objetivo proposto.
Que o Senhor, em Sua graça, possa guiá-lo, querido
leitor cristão, para que, a exemplo dos varões de Beréia,
você medite a respeito do que foi escrito, "examinando
cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim"
(At 17.10, 11). E, uma vez que você tenha certeza deste
assunto, procure colocá-lo em prática, para a glória
de Deus, custe o que custar.
"Se os teus olhos forem bons, todo o teu
corpo terá luz." (Mt 6.22.)
E.H.Chater
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