<?xml version="1.0" encoding="iso-8859-1"?>
<rss version="0.92">
     <channel>
          <title>Quero contar...</title>
          <link>http://www.stories.org.br/querocontar/</link>
          <description>Diário do Pedro</description>
          <language>pt-br</language> 
          <lastBuildDate>Mon, 15 Feb 2010 08:21:36 GMT</lastBuildDate>
          <docs>http://backend.userland.com/rss092</docs>
          <managingEditor>contato@mariopersona.com.br (Mario Persona)</managingEditor>
          <webMaster>contato@mariopersona.com.br (Mario Persona)</webMaster>
          <image>
               <title>Quero contar...</title>
               <url>http://www.mariopersona.com.br/image/favicon2.gif</url>
               <link>http://www.stories.org.br/querocontar/</link>
               <description>Diário do Pedro</description> 
          </image>
          <item>
               <title>Monday: Discriminacao benigna</title>
               <description><![CDATA[Quando minha avó encontrava alguém que não falava português ela começava a falar bem alto, achando que a pessoa ia ouvir. Aí meu avô precisava intervir: "Ruth, não precisa gritar que ela não é surda, ela só não fala português".<br><br> Já ouviu falar de discriminação benigna? Nem eu, inventei agora. Mas acho que existe uma discriminação benigna, isto é, pessoas que não entendem os portadores de necessidades especiais e os discriminam, mas com boa intenção. Querem só ajudar.<br /><br />Quem me vê acha que em casa sou carregado de um lado para o outro. Não sou. Eu engatinho, por isso ninguém precisa me carregar. Meu pai colocou barrinhas nas paredes nos banheiros e na copa para eu ficar de pé. Eu engatinho até elas, porque já decorei onde estão, fico de joelhos, agarro a barrinha e fico em pé. Aí eu consigo tirar a calça e a cueca e sentar no vaso sanitário segurando na barrinha só com uma mão.<br /><br />- Manhê! Veja, sem uma mão!<br /><br />Faço o mesmo para me sentar na cadeira de banho e na cadeira da copa para almoçar, só que neste caso eu não tiro a calça, é óbvio. Também sei me sentar sozinho na cadeira de rodas, mas quando o assunto é cadeira eu preciso que alguém a coloque na posição, ou acabo sentado no chão. Da cadeira de rodas eu consigo segurar na porta aberta do carro, ficar em pé e sentar no assento.<br /><br />Eu também sei fazer outras coisas, como segurar meu copo de plástico para beber água, ou a colher para comer de um prato fundo. Sei assoar o nariz (alguém precisa tapar uma narina para mim), e também consigo subir e descer de sofás e poltronas. Tomar banho, vestir a roupa, limpar o bumbum... bem, aí sim eu preciso que alguém faça tudo isso para mim.<br /><br />Acho que muitos portadores de deficiência teriam uma vida melhor se fossem menos paparicados pelos pais. Alguns morrem de dó do filho e nem tentam descobrir se ele é capaz de fazer alguma coisa. Outros sabem que o filho é capaz, mas preferem fazer porque o filho demora muito. Não estão ajudando nem um pouco...<br /><br />Mas eu falava da discriminação benigna, que são pessoas que tratam deficientes como se fossem inúteis inválidos, mas com boa intenção. Uma moça, que é paraplégica e cadeirante escreveu para este blog, contou que quando vai ao restaurante com a mãe o garçom só fala com a mãe, nunca com ela.<br /><br />- O que a menina vai comer? A menina vai beber alguma coisa? A menina terminou?<br /><br />Tirando o problema das pernas, ela é uma pessoa inteligente e capaz, mas o garçom acha que qualquer pessoa numa cadeira de rodas é um vegetal. E tem gente que acha cadeirante é mendigo. Vou explicar.<br /><br />Estou até preocupado de meu pai decidir parar de trabalhar e ganhar a vida às minhas custas. É que ontem estávamos no supermercado e ele se afastou um pouco para pegar umas coisas. Eu fiquei sozinho em minha cadeira de rodas, mas de longe meu pai estava de olho em mim.<br /><br />Ele viu quando uma velhinha se aproximou de mim, abriu a bolsa, tirou uma moeda e colocou na minha mão. Depois foi embora. Meu pai viu tudo, mas achou melhor não interferir. Tenho um palpite de que ele vai arranjar um chapéu e me levar para a praça. Só falta!<br /> ]]></description>
               <link>http://www.stories.org.br/querocontar/archives/00000167.htm</link>
          </item>
     </channel>
</rss>