Meu pai recebeu um vídeo com uma história muito bonita. A música ele conhecia há muito tempo, mas não conhecia a história que havia por trás da letra de "He ain't heavy, he is my brother", dos "The Hollies".
Depois de pesquisar um pouco na Wikipedia, meu pai descobriu que há várias versões para a origem da frase que deu título à canção composta por Bobby Scott and Bob Russell. Se quiser saber mais, pode ir no link da Wikipedia, mas para efeito de ilustrar a mensagem que a letra passa, vou colocar aqui a versão da história que saiu no blog de Lauro Padilha
A história conta que certa noite, em uma forte nevasca, na sede da entidade "Missão dos Órfãos" em Washington, EUA, um padre plantonista ouviu alguém bater na porta. Ao abri-la ele se deparou com um menino coberto de neve, com poucas roupas, trazendo em suas costas, um outro menino mais novo. A fome estampada no rosto, o frio e a miséria deles comoveram o padre. O sacerdote mandou-os entrar e falou:
- Ele deve ser muito pesado.
Ao que o que carregava disse:
- Ele não pesa, ele é meu irmão. (He ain't heavy, he is my brother)
Não eram irmãos de sangue realmente. Eram irmãos da rua. O autor da música soube do caso e se inspirou para compô-la, e da frase fez-se o refrão .
Esses dois meninos, foram adotados pela instituição.
Letra traduzida (encontrada em uma lista de discussões):
A estrada é longa com muitos caminhos sinuosos que nos levam a quem sabe, quem sabe onde, quem sabe quando Mas sou forte, forte o bastante para carrega-lo Ele não é pesado, ele é meu irmão
E assim nós vamos, eu preocupado com o bem-estar dele Ele não é um fardo dificil de aguentar, chegaremos lá Pelo que sei, ele não me sobrecarregará Ele não é pesado, ele é meu irmão
Se não estou totalmente carregado, estou trazendo uma tristeza Que todos os corações não estão cheios de alegria do amor de um pelo outro
É grande, uma longa estrada pela qual não há retorno Enquanto estivermos neste caminho, por que não repartir E a carga não me pesa tanto Ele não é pesado, é meu irmão
ele é meu irmão...
Outra interpretação, com os "The Osmonds" esta com tradução em espanhol.
A história não é verdadeira, mas se ajusta muito bem à letra da música. De fato não se sabe a origem da frase, que teria sido cunhada no início do século XX e publicada em uma revista em 1924. A sua divulgação está também associada a Father Flanagan, que fundou o orfanato Boys Town em Nebraska. Ele teria pedido autorização para usar a frase, que acabou se difundindo. A versão do The Hollies foi grava em 1969 e tem Elton John no piano
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.