Quem tem alguém portador de deficiência na família aprende que é preciso ter paciência, porque as pessoas são diferentes na maneira como fazem as coisas e também no tempo que levam para fazê-las. Às vezes o que a outra pessoa fala parece grego, e o que falamos soa como grego para ela. Fica difícil chegar a um entendimento.
Com o tempo aprendemos que todos temos deficiências ou diferentes modos de falar e agir em diferentes estágios de nossa vida, porém nos esquecemos disso com muita rapidez. Meu pai recebeu um vídeo em grego e gostou muito. É claro que para ele isso é grego, mas felizmente alguém colocou legendas em português.
Pedruxo, posso te chamar assim? Sabe, as coisas que você me conta são muito especiais. Esse vídeo parece que caiu-me como uma luva. Estou precisando de paciência neste momento, mais do que nunca e até estava lendo um livro sobre isso. Este vídeo fez com que as 253 páginas do livro fossem resumidas em 5 minutinhos apenas. Muito obrigada meu querido. Mesmo! Arrasou!!! :D Beijos.
Olá pedro td bem? desde que descobri seu blog ñ consigo ficar um dia sequer sem visita-lo.Lindo esse video, me emocionou. somos tão impaciente na maioria das vezes. Eu já fui tão impaciente com minha mãe, e hoje ela ñ está mais aqui pra conversar comigo. É muito duro aprender na perda ou dificuldade. Hoje paro qualquer coisa pra ouvir meu filho por ex que fala pelos cotovelos. Um grande beijo, Deus te abençoe!!!!!!
Enviado por Eliene mamédio em 07/10/2009
Olá Pedro,
Não te contei, mas você me faz companhia durante várias noites antes de dormir. Obrigada por compartilhar conosco o seu dia-a-dia, seus pensamentos, dicas de leitura/vídeos/filmes, etc.
Como retribuição, vou postar um texto que eu li em um livro espírita que me tocou profundamente. É um pouco extenso porque eu copiei exatamente o texto do livro. Se não estiver com tempo, vale a pena ler pelo menos a poesia no final: Um credo para os que sofrem. Boa leitura!
"Nós, os quadraplégicos, somos seres fortes. Se não fôssemos, não estaríamos por aí atualmente. Sim, somos uma espécie resistente. De muitas formas, fomos abençoados com doses de sabedoria e humor que não são concedidas a todos. E, permitam-me dizer, toda essa recusa de aceitação total ou completa da deficiência de alguém está conectada a uma única coisa - fé, uma fé quase divina. Lá em baixo, na recepção do Instituto de Medicina Física e Reabilitação em East River, Rua 34, East 400, na cidade de Nova York, há uma placa de bronze pregada à parede. Durante os meses em que freqüentei o Instituto para tratamento – duas ou três vezes por semana – passei por aquela recepção muitas vezes – indo e vindo. Mas nunca parei o suficiente para me afastar para o lado e ler as palavras que estão escritas naquela placa, segundo dizem, proferidas por um soldado confederado anônimo. Então, certa tarde, li a placa. Li e reli. E, quando terminei de ler pela segunda vez, estava a o ponto de explodir – não de desespero, mas de uma força interior, que me fazia querer arrancar os braços de minha cadeira de rodas. Gostaria de compartilhar com vocês essas palavras:
Um credo para os que sofrem
Pedi a Deus força, para que pudesse realizar. Fui feito fraco, para que aprendesse a obedecer humildemente... Pedi saúde, para que pudesse realizar grandes feitos. Me foi dada a enfermidade, para que eu pudesse fazer coisas melhores... Pedi riquezas, para que pudesse ser feliz. Me foi dada a pobreza, para que eu fosse sábio... Pedi poder, para que pudesse exercer sobre os homens. Me foi dada a fraqueza, para que eu pudesse sentir a necessidade de Deus... Pedi todas as coisas, para que pudesse aproveitar a vida. Me foi dada a vida, para que eu pudesse aproveitar todas as coisas.... Não obtive nada do que pedi – mas tudo por que ansiava. Quase a despeito de mim mesmo, minhas orações silenciosas foram atendidas. Sou, entre os homens, o mais plenamente abençoado!"
Roy Campanella
Enviado por Alegria em 17/07/2009
Olá Pedro, mas um dia de visita em seu blog, como vc está????? Passando pra deixar um forte abraço e desejar uma semana abençoada pra vc e sua família. Estou anciosa para ler mais artigos... Fique com deus...Beijos
Já faz um tempo que leio seu blog, e acho muito lindo! Gosto muito dele pq também tenho vários amigos especiais (agora considero vc um deles) e me identifico com o que vc conta... :)
Hj li essa frase e lembrei de vc, por causa do nome do blog:
" O que eu QUERO CONTAR é tão delicado quanto a própria vida." (CLARICE LISPECTOR)
Eu já tinha assistido a esse vídeo, um amigo me enviou. É tão curto, mas te um efeito tão longo...
Um beijo pra vc, fique com Deus e bom fim de semana!
Olá Pedro, Boa noite! Tb recebi esse video por email e gostei muito, pois trata das diferenças."Portador de deficiencia" todos nós somos. Eu tenho as minhas, vc as suas, e todos os seres humanos.Cada um com a sua e que nos compromete de formas tb diferentes. Umas agora, outras já ultrapassadas, e outras q ainda estão por vir. A palavra de ordem é TOLERANCIA. Um forte abraço, Luíza Roberta.
P.S: Hj é o Dia Muindial de Combate ao Trabalho Infantil. Q tal utilizar um pouco desse teu espaço p abraçar essa causa?! :)
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.