Programas infantis costumam apresentar os mais estranhos caracteres. Monstros, dragões e fantasmas, que originalmente habitavam apenas filmes de terror e pesadelos de crianças são agora caracterizados em cores alegres e vibrantes para ganhar a confiança dos pequeninos, e os pais parecem aprovar. Mas quando a apresentadora do programa tem apenas uma mão, isso é motivo de pavor para alguns.
Ao contratar a apresentadora Cerrie Burnell para o programa infantil CBeebies, a rede britânica BBC deu pano pra manga para uma discussão que parece nunca terminar: portadores de deficiência devem ser escondidos do público ou não? Parece que alguns pais não ligam muito que seus filhos vejam o Rambo arrancando braços e pernas a tiros de metralhadora, mas quando a TV coloca no ar uma apresentadora que nasceu com apenas uma mão, a coisa muda.
Um pai escreveu preocupado, dizendo que a apresentadora que não tem o antebraço e a mão direita vai assustar seu filhinho e que essa situação irá obrigá-lo a ter uma conversa com o filho sobre pessoas com deficiências. Outro pai comenta em um fórum que sabe que um dia precisará explicar essas coisas aos filhos, mas não quer que a TV ou o governo lhe digam quando. Outro diz que seus filhos já assistem um programa que é feito com crianças especiais, mas a visão de um adulto portador de deficiência incomoda.
Cada um tem dentro de si uma certa inclinação para não aceitar o que é diferente, porque sempre tomamos a nós mesmos como referência. Vai me dizer que você não se acha o mais lindão do pedaço? O estranho é seres humanos, conscientes e inteligentes agirem assim. Seria normal encontrar tal rejeição se os telespectadores fossem animais, pois os animais possuem um instinto natural para rejeitarem filhotes portadores de deficiência como forma de não colocar em risco a sobrevivência da espécie. Alguns chegam até a comê-los. Entre humanos isso não deveria acontecer.
Mas vamos olhar o lado positivo disso. Agora que a emissora tem uma idéia melhor de quem assiste o programa, ela vai poder vender comerciais de comida para animais nos intervalos.
Maravilhosa a proposta deste blog, criativo e humano em grandes doses. Parabéns. Estou linkando no blog Cidadania Evangélica (****://cidadaniaevangelica.blogspot.com ).
Deus lhe abençoe, e à tua família, em nome de Jesus!
É crime agredir um negro... É crime agredir até um pássaro... Deveria ser crime agredir um ser humano portador de necessidades especiais. Vou levar isto até um amigo, Vereador em minha cidade.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.