Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Cadastro Local de Adossão" - "Vida regrada"

08/12/2008
Missão abortada

Estava aqui pensando com meus botões, apesar de usar camiseta. Pouca gente liga a questão do aborto com a questão da inclusão dos portadores de deficiência na sociedade. Mas será que não é contraditório aceitar uma coisa independente da outra? Prepare-se para uma viagem em minhas elocubrações que levarão você a visitar seus ancestrais.
shocked

Tirando aquele aborto que as pessoas fazem porque não querem a criança de jeito nenhum, alguns aprovam o aborto em caso de má formação do feto. Ou seja, se for para a criança nascer deficiente, é melhor abortar. Pelo menos é esta a idéia de muitos.

Por ser portador de deficiência eu provavelmente seria candidato a ter minha missão abortada se tivesse sido gerado no útero de alguém seletivo assim. Ou devo dizer discriminatório? Alguém que não quer um filho porque terá deficiências no futuro pode ser considerada uma pessoa que apóia a inclusão de deficientes?

Acho que não. Como alguém assim pode apoiar a inclusão se acha melhor excluir antes de nascer? O detalhe é que qualquer pessoa que nasceu com tudo em cima poderá desenvolver alguma deficiência em caso de doença ou acidente. Não seria irônico alguém que um dia descartou seu filho por ser deficiente acabar sendo um?

Mas há abortos aprovados até pelas leis de alguns países, como em caso de estupro. Eu nem imagino o que seja passar pela situação, mas pensando como alguém que não tem esse problema para resolver, eu acho que enquanto o estupro faz uma vítima inocente - a mãe - o aborto faz outra vítima inocente, a criança. Quase posso ouvir o menino reclamando:

- Ô manhê! Num tenho nada a ver com isso não!

Quantas pessoas vieram ao mundo e nem sabem que foram geradas por estupro? Deve ter um bocado por aí. O que teria acontecido se elas tivessem sido privadas de nascer?

Considerando que todos nós temos atrás de nós uma enorme árvore genealógica, qual de nós pode afirmar com certeza que não é fruto de um estupro? Vai que sua ta-ta-ta-ta-ra-vó estava viajando tranquilamente em um navio abordado por piratas. Sabe o que os piratas faziam com as mulheres? Pois é, se aquela sua ancestral fosse moderninha você nem estaria lendo isto aqui.

É difícil dizer quem é descendente de um estupro e quem não, mas quando você pega, por exemplo, os judeus, fica mais fácil. Um dia um judeu disse para meu pai que ele só era ruivo de olhos azuis porque alguma mulher em sua árvore genealógica tinha sido estuprada por algum bárbaro europeu.

Os judeus originais são morenos como qualquer habitante original do Oriente Médio, e considerando que sua religião não aprova o casamento com outras etnias, os judeus ruivos ou louros de olhos claros que você conhece provavelmente ganharam sangue bárbaro nas invasões de suas comunidades e rapto de suas donzelas tataravós. Detalhe: alguém é considerado judeu se for descendente de mãe judia.

Tem muita gente que lida muito bem com o fato de ser filho ou filha de um estuprador. Esta aqui é uma. Rebecca não só lida bem com isso como é contra aborto em caso de estupro. E como poderia ser diferente? Se a mãe dela, estuprada com uma faca encostada no corpo, decidisse não seguir adiante com a gravidez ela não teria nascido. Eu mesmo nem sei como foi o meu caso.

Bem, deixe-me voltar aos botões de minha camiseta porque hoje meu papo está muito complicado e devo ter levantado algumas pulgas atrás de orelhas por aí...

"Cadastro Local de Adossão" - "Vida regrada"


parabéns pelo trabalho de vcs, seria melhor que o governo os auxiliassem também.

Enviado por criacao-sites em 08/02/2010


gostaria de desejar a todos um feliz natal e próspero ano novo para todos.

Enviado por boutique arte angels em 22/12/2009


Muito legal esta história!
Parabéns!

Enviado por Redes de Proteção em 15/12/2009


Adorei esse seu trabalho, serve de exemplo para todos nós. Continuem assim guiando os que necessitam e os que precisam de um exemplo.

Enviado por boutique arte agnesl em 28/11/2009


Adorei a iniciativa deste blog e desejo que continuem com esse trabalho maravilhos - i love you!
boutique arte angels

Enviado por angela giamela em 13/11/2009


Olá Pedro. Já quero começar parabenrizando o artigo! Segundo dizer que não só aumentou mais melhorou e muito minha visão com relação a este tema. Com certeza eu viajei no tempo e como sou A
Afro-brasileiro provavelmente eu me encaixe neste quadro, já que meus ancestrais foram traficados da África para o Brasil e sofreram por séculos e séculos todos os tipos de mal tratos que se possa imaginar.

Enviado por Jefferson em 16/06/2009


Olá Pedro.
A principio quero confessar que navegando sem rumo na net, me deparei com esta página maravilhosa, e confesso estar passando por aqui outras vezes, nada a ver mas, tambem sou um deficiente fisico.

Enviado por Edézio Vieira em 13/05/2009


Olá Pedro!
Adorei o seu blog
otimo
estarei sempre conferindo os novos posts tá
bjos

Enviado por moda em 12/05/2009


Oi Pedro!
Adoro seu blog, sempre que posso venho lhe fazer uma visita!
Está de parabens!

Enviado por Sites de busca em 28/04/2009


Interessante, adorei a historia!

Enviado por Sex Shop em 28/04/2009


Legal :)

Enviado por Transportadora em 24/04/2009


MARIO QRO MUITO FALAR COM VC.CONHECER VC.OBRIGADA POR M MANDAR UMA MENSAGEM FIQUEI MUITO EMOCIONADA AO LER.TBM SOU CONVERTIDA.

Enviado por SONIA em 15/02/2009


Parabéns pelo blog!

Adorei, já recomendei aos meus amigos.

Enviado por transportadora em 14/01/2009


Olá Pedro, tudo bem?

Adoro este seu cantinho.
Hoje vim lhe trazer um presentinho. Um selo para colocar aqui no seu blog.
Passe lá no Educar Já! para pegá-lo e entre na brincadeira.
beijinhos

Enviado por cybele meyer em 08/01/2009


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


Convide um amigo para me visitar.

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