Você conhece a Mafalda? A Mafalda é portuguesa, escritora, tem um livro publicado e colunas em jornais portugueses. Ela é leitora assídua deste blog e disse que vai escrever alguma coisa a meu respeito em uma crônica para um jornal de Portugal. Já pensou? Estou ficando internacional!
Ela escreveu o livro que meu pai agora está lendo. Ela também escreve crônicas, como o meu pai, só que meu pai escreve sobre marketing e essas coisas, enquanto a Mafalda escreve sobre assuntos diversos e principalmente sobre sua experiência como portadora de osteogenese imperfeita.
O livro que a Mafalda escreveu chama-se "Mafaldisses - Crônicas sobre rodas" e meu pai encontrou alguma coisa sobre ela e o livro neste link. Agora ela está procurando uma editora no Brasil que se interesse em publicar seu livro para quem mora do lado de cá do Atlântico.
O livro de minha irmã está esgotado ("Uma luta pela vida", que conta a minha história), mas meu pai pegou um exemplar que tinha aqui em casa e enviou para ela. A Mafalda gostou tanto que até mandou uma foto dela junto com o livro de minha irmã.
Mafaldisses Mafalda Ribeiro - Papiro Editora «Nasceu diferente e com uma doença que fala em imperfeição óssea mas, na verdade, é por ser diferente e por ter essa mesma ‘imperfeição’ que a Mafalda faz a diferença neste mundo. Este livro é muito mais do que uma colecção de crónicas, é um testemunho transformador!» Laurinda Alves
«Mafaldinha, o tamanho do teu talento é inversamente proporcional à tua estatura física. E não é que, sem asas, tu voas mais alto do que qualquer um de nós?» Jorge Gabriel
«A Mafalda chama-me "professor", porque lhe dei aulas de jornalismo. Mas foi ela quem me ensinou mais do que alguma vez poderei retribuir. É impossível ser indiferente a tudo aquilo que a Mafalda observa, sente e descreve de forma singular. Estes textos emocionam; abrem sorrisos; rasgam certezas; e inspiram. Celebram a vida! Uma vida extraordinária!» José Alberto Carvalho
bom dia. chamo-me cristiana, tenho 18 anos e sou de torres vedras. estou no 12 ano e como trabalho de a.p escolhi as doenças raras, nomeadamente a osteogenese imperfecta da qual mafaldinha é o meu testemunho. gostaria de saber como posso contactar com ela dizendo desde já que a admiro imenso enquanto mulher e simbolo de força. um beijo enorme mafaldinha.
COMO ALGUEM PODE ACORDAR PELA MANHA E SO PENSAR NO QUE VAI VESTIR OU PARA ONDE VAI NO FIM DE SEMANA OU EM QUALQUER OUTRA SUPERFICIALIDADE COTIDIANA E ESQUECE DO QUE REALMENTE E IMPORTANTE:PLANTAR AS SEMENTES CERTAS PARA COLHER OS FRUTOS BENDITOS NO PORVIR.PARABENS AO SENHOR POR NOS TER ENVIADO ALGUNS FILHOS QUE FAZEM MAIS ALEM DE TRANSFORMAR OXIGENIO EM GAS CARBONICO.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.