Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Personal coach" - "Será que morri e ninguém me avisou?"

24/06/2008
Exemplo de super-ação

"Na verdade, cheguei até aqui porque tenho algo que muitos deficientes não têm: apoio da família. Sempre me ensinaram a não supervalorizar minhas limitações e explorar minhas capacidades". Sabe quem disse isso? O Eduardo Purper. Mas quem é o Eduardo afinal?
wink

É um rapaz de 22 anos que meu pai viu no jornal. Ele tem paralisia cerebral, mas não está nem um pouco paralisado perto de muitos estudantes por aí que acham difícil estudar. O Eduardo não enxerga e não fala, também não lê e não escreve, mas está terminando a faculdade de jornalismo. Ué, como ele fez?

Ele grava as coisas, em um gravador e em sua memória de muitos gigabytes. Agora ele está se preparando para apresentar seu trabalho de conclusão de curso e sua monografia não será escrita, será falada. No Centro Universitário Metodista IPA de Porto Alegre os professores dão o maior apoio.

Mas veja bem: não é aquele apoio de quem trata portadores de deficiência como coitadinhos. Trate seu filho assim e a vida dele vai ser uma droga. Descubra o que ele é capaz de fazer e deixe que faça, e ele será feliz. O segredo o Eduardo já deu: não supervalorizar as limitações e explorar as capacidades. A receita é simples, mas acho que tem gente que custa a aprender.

O pai do Eduardo ajuda gravando os trechos de livros que ele acha mais importante para seu trabalho, e depois ele vai escutando e montando o trabalho todo na sua cabeça. Agora veja mais esta: Eduardo também ajuda outros, participando da ONG Pró-Inclusão e dando palestras sobre deficiência e inclusão social.

Qual o tema da monografia? "Análise Semiológica de Narrações de Futebol". Nossa! Meu pai quase não consegue escrever isso tudo. O trabalho é sobre a parcialidade (ou falta dela) dos locutores esportivos durante as transmissões de futebol. Quer saber? Se a Seleção às vezes decepciona, o Eduardo não. O cara driblou os problemas e fez gol de placa.

Agora que você leu isto, se tiver alguém em sua família portador de deficiência, pare de tratá-lo como coitadinho, descubra quais são suas capacidades e ajude para que essa pessoa faça o máximo sozinha. Lembra da história de não dar o peixe, mas ensinar a pescar? Então faça o mesmo.

"Personal coach" - "Será que morri e ninguém me avisou?"



 

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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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