Você gosta de ser acordado de madrugada com um barulho infernal, que faz os vidros das janelas balançarem e os alarmes dos carros dispararem? Nem eu. O problema é que, quando levo um susto assim no meio da noite, minha bexiga também se assusta e se encolhe toda. O que tiver lá dentro... bem, você sabe como é.
Pois é, tem um carinha com uma Saveiro preta que vive me assustando assim. Ele comprou um carregamento de alto-falantes e se esqueceu de tirá-los da caçamba, por isso fica passando por aí, às vezes várias vezes numa mesma noite. Outro dia meu pai acordou tão bravo que, depois que a braveza passou, resolveu escrever uma crônica a respeito do assunto. Ele até gravou um vídeo com a cara toda amassada de sono para mostrar como estava se sentindo.
Todo jovem gosta de aparecer, agitar, ir contra os padrões etc e tal. Por isso fazem trotes nas faculdades, inventam "dia da pendura" para comer sem pagar em restaurantes, ou ficam fazendo barulho de madrugada com seus carros tunados. Eles querem chamar a atenção das meninas e tem menina que acha isso o máximo.
Meu pai diz que no tempo dele quase ninguém tinha carro, mas ainda tinha gente que chamava a atenção das meninas de madrugada, só que fazendo serenata. É claro que para isso precisava ter também talento, não bastava só comprar uma Saveiro tunada.
O que esses carinhas não entendem é que a madrugada não é só deles. Quem tem nenê pequeno sabe como é difícil fazer a criança voltar a dormir quando acorda assustada. É claro que esses carinhas não têm nenês, ou estariam em casa botando os chorões pra dormir.
Mas não são só os bebês e seus pais remelentos que sofrem com isso. Muitas pessoas têm dificuldade para dormir e, quando conseguem, imagine como se sentem ao serem acordadas! Os carinhas nem imaginam também que nas casas e apartamentos das cidades há pessoas idosas, doentes, às vezes terminais, com dores crônicas, para as quais o sono não é um luxo. São às vezes os poucos minutos sem dor e sofrimento que conseguem ter. Bem, os carinhas não vão entender, mas um dia eles chegam lá. Chegam sim.
Como se isso não bastasse, o padre da paróquia Santa Terezinha aqui perto inventou de tunar a torre da igreja e instalou lá um carrilhão que obriga a vizinhança a acordar às seis da matina, inclusive sábados, domingos e feriados. É muito som pra cabeça! Quanto a mim, vou continuar levando meus sustos à noite, acordando com despertador de carrilhão e dando prejuízo com mais fraldas molhadas no meio da noite. Mas, dependendo dos decibéis, nem a fralda segura, e toca lavar o lençol e colocar o colchão no sol... Ô, carinhas, parem de tocar e comecem a se tocar!
Mario, parabens pela inciativa! Além disso, o conteúdo do blog é fantástico e não conseguimos parar de ler! É incrível ler a narrativa emocionante desse garoto que encontrou voz e encanta a todos com sua história de vida (mesmo que contada por outra pessoa). Abraços!
Muito bom, mas muito bom mesmo! Adorei o blog, seu trabalho, seus vídeos, a simpatia do Pedro... Estou encantada com tudo que vi, li e ouvi aqui neste espaço mágico. Colocarei agora mesmo nos meus favoritos. Parabéns pelo seu trabalho e por nos brindar com seu exemplo de vida. Abraços carinhosos para você e Pedro. Cybele Meyer
adorei entrar nesse cantinho especial e muito iluminado pelo Pedro.que jesus te abençoe levante o seu rosto e faça resplandescer sobre ele a sua luz beijossssssssssss.
Ola Pedro,tenho um anjinho autista de 07 anos, que como vc é muito especial,assim com é especial esse homem,seu pai. Sempre que passo por aqui,levo comigo um sorriso e muitas lagrimas,mas são elas de alegria e emoção,pois o amor contido em cada linha,em cada palavra desperta em mim o que tenho de melhor e me fortalece pra seguir minha jornada. O Pedro tem muita sorte de te-lo como PAI. Beijos Rita Kuester
Olá Mário, muito bacana sua iniciativa e criatividade. O que uma criança com paralisia cerebral poderia pensar a respeito de um determinado assunto? Você foi além de qualquer idéia normal. Isso faz o Pedro mais vivo do que qualquer outra criança com o mesmo problema. Quando você usa a primeira pessoa do singular, como se fosse o próprio Pedro, ele parece realmente produzir todo conteúdo deste site. Gostaria que se houvesse uma oportunidade, de entrevistar você para publicar em meu blog. Seria uma forma de divulgar este site e despertar nos pais que têm filhos com o mesmo problema, a valorizar todo o sentido de vida de cada um deles. Forte Abraço.
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Fiquei emocionada demais com a história do Pedro. Tenho um filho e luto para dar o melhor a ele. Me dói saber que pessoas não amam os filhos assim como o pai nos amou. Oro muito pelo seu ministério que Deus continue te abençoando.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.