Eu e meus irmãos sempre nos demos bem, apesar de sermos um pouquinho diferentes. Eles são descendentes de um monte de gente lá das bandas da Europa, italianos, portugueses, franceses e ingleses. Eu, além de alguma coisa também daqueles lados, tenho ainda sangue negro e índio.
Além disso sou um pouquinho diferente também em outras coisas, já que não ando, não falo e não enxergo. Por isso sempre éramos olhados com alguma curiosidade quando saíamos passear, mas não estávamos nem aí.
Agora meus irmãos estão grandes e outro dia perguntaram para minha irmã como é adotar alguém, e ela disse que não sabe, porque ela nunca adotou ninguém. A pessoa deveria perguntar aos nossos pais, porque ela simplesmente tem dois irmãos, desde quando se lembra. Não foram meus irmãos que me adotaram, foram meus pais.
Mas, voltando às diferenças que temos, uma que também chama a atenção é a diferença na cor. Sei que tem muita gente que faz o maior estardalhaço com essas coisas, umas porque são racistas e não aceitam pessoas de outra cor e outras porque são racistas e não aceitam pessoas de outra cor. Eu e meus irmãos não estamos nem aí.
Tem até uma história engraçada que aconteceu com Abraham Lincoln, que foi presidente dos Estados Unidos quando a história da escravidão estava fervendo por lá. Um dia um outro político que não queria que a escravidão terminasse foi reclamar com ele. Lincoln respondeu:
"Mas você diz que o branco pode escravizar o outro por ele ser branco e outro negro. Bem, então se é apenas uma questão de cor, isto é, que o que tem a pele mais clara pode escravizar o de pele mais escura, é melhor você tomar cuidado. Se for assim, você pode acabar escravizado pela primeira pessoa com quem se encontrar e tiver a pele mais clara que a sua.
Você afirma que não é apenas uma questão de cor, mas que os brancos são intelectualmente superiores do que os negros e, por isso, têm o direito de escravizá-los? Então, mais uma vez, tome cuidado. Se valer o que está dizendo, você pode ser escravizado pela primeira pessoa que encontrar e for mais inteligente do que você."
Velejando a Vida JOAO CARLOS PECCI O livro e a comprovacao de que toda deficiencia fisica se dilui na magnitude do comum, na liberdade do simples exercicio da vida. O autor analisa sua postura diante das limitacoes contestando a visao estigmatizada pela sociedade. "Velejar a vida é simplificar compensações. Visualizar várias estradas para um mesmo objetivo, e escolher uma, com decisão, mesmo que tenha sobrado a mais sinuosa.Apesar de serem poucos, não sou só eu a velejar assim. No mundo inteiro, podem-se contar nos dedos das mãos os homens portadores de lesão medular a gerar um filho por meio da auto-inseminação. Eu sou um desses homens"
Taí uma excelente postagem que serve de exemplo para toda e qualquer pessoa independente de sua cor, raça, credo, religião...etc. A parte de Abraham Lincoln foi espetacular.
Pedro te desejo muita paz,amor e muitaa muitaa saúde no seu coraçao pq vc merece?!? amor q Deus te abençoe mais e mais um xerão pra vc e pra toda sua familiaa??!!??
Enviado por raffaella em 26/10/2007
Parabéns papai por demonstrar todo seu amor pelo Pedro. Ele é uam criança mais que especial, é um anjo. Que nos faz refletir sobre a vida e ver o quanto ela é bonita. E o quanto devemos agradecer por existir pessoas como ele, que só pelo sorriso nos passa a mensagem de felicidade. Beijos Pedro, vc é lindo!!!
Oi PEDRINHO LINDO QUERIDO E FAMÍLIA MARAVILHOSA!Parabéns por todas suas conquistas!Adorei o video, está lindo todo sorridente!Felicidades a seu papizinho e maninhos que cuidam e amam você!Que Deus os abençõe sempre!Beijikinhas docinhas em seus especiais e generososos coraçõeszinhos!
Que linda foto ! Que linda mensagem... Aos meus olhos somos todos iguais. Aos olhos de Deus somos todos iguais. Não consigo entender porque tanta gente pensa diferente. Porque tanta arrogância no mundo? Um dia todos estarão diante d'Aquele que é Senhor de todas as coisas, d'Aquele que conhece, verdadeiramente todos os corações. -- Que o Senhor Deus derrame sempre Seu olhar sobre cada um de vocês.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.