Tô sumido, né? Pois é, culpa de meu pai que não escreve aqui, de tanto que viaja. Tudo bem, eu entendo. Pelo menos quando ele não viaja ele fica aqui comigo e a gente conversa. Quer dizer, ele fala e eu escuto. Se tenho novidades? Tenho sim.
A primeira é que minha irmã veio me visitar lá da terra do Tio Sam. Ela trouxe meu sobrinho para eu conhecer, mas não vi nada. Diz ela que está escondidinho na barriga, mas deve estar bem escondidinho mesmo, porque quando ela esteve aqui ainda estava magrinha.
Outra novidade é que a TV Record ligou para meu pai esta semana dizendo que uma matéria sobre adoção que eles gravaram aqui em casa para o Domingo Espetacular deve ir ao ar amanhã ou no próximo domingo. Vamos ver se vai. É que o pessoal de Brasília não pára de produzir notícia e aí essas matérias precisam esperar. Se pelo menos o pessoal de Brasília ficasse quieto um pouquinho a gente poderia ler outras coisas nos jornais e revistas e assistir outras notícias na TV. Será que é porque gostam de estar sempre em evidência? Deve ser.
Por falta de mais notícias, vou copiar uma, mas só um pedacinho para não ser processado pela revista. A história completa você encontra no site da Veja e achei legalzinho o que o Diogo Mainardi escreveu, por isso vou começar mostrando um pouco aqui:
O Grande Botão Vermelho
"Neil Young é um colecionador de trens elétricos. Como seu filho era incapaz de acionar os trens, ele inventou um dispositivo: O Grande Botão Vermelho. Meu filho tem um Grande Botão Vermelho conectado a mim. Ele me liga e desliga quando quer"
Eu tenho um filho com paralisia cerebral. Neil Young tem dois. Ele fez o hino da paralisia cerebral. É T-Bone, do disco Re-ac-tor. Neil Young repete uma mesma frase sem parar, por nove minutos e dez segundos:
Got mashed potatoes Ain't got no T-bone
Ou:
Tenho purê de batatas Não tenho bisteca
A paralisia cerebral é uma anomalia motora. Meu filho anda errado, pega errado, fala errado. Quando é para soltar um músculo, ele contrai. Quando é para contrair, ele solta. O cérebro dá uma ordem, o corpo desobedece. É o motim do corpo contra o cérebro. Como o doutor Strangelove que se estrangula, com aquela sua "síndrome da mão alienígena".
O resto da história do Diogo Mainardi você lê AQUI.
125 Brincadeiras para Estimular o Cérebro do Seu Bebê JACKIE SILBERG O cérebro de uma criança desenvolve-se a uma velocidade impressionante nos primeiros anos de vida, abrindo janelas de oportunidades para o aprendizado que só acontecem neste período da vida. 125 Brincadeiras para estimular o cérebro da criança de 1 a 3 anos é uma coletânea divertidíssima de atividades que preparam o futuro do seu filho. É um livro repleto de interpretações cotidianas que contribuem para o desenvolvimento cerebral durante o período especial de 12 a 36 meses de idade. Toda brincadeira é acompanhada de informações sobre a pesquisa cerebral relacionada com ela e de uma descrição da forma pela qual a atividade promove o desenvolvimento da inteligência da criança. * Este livro é uma extensão natural de 125 Brincadeiras para estimular o cérebro do seu bebê.
Ola Pedro Sabe meu anjo,,tambem tenho uma filha super especial de 14 aninhos, ela se chama Diana e que como vc por um pequeno descuido, Deus deixou cair do céu, e como vc, Deus deu a ela um novo pai, uma familia de verdade, pra ser amada muito mais amada. Hoje estamos vivendo na Noruega e com as tecnologias e o apoio do governo daqui, vejo pela primeira vez mudancas reais na vida da Diana. Ela vai a escola, ja comeca a entender um pouco de noruegues, ja consegue se comunicar com as pessoas,fez muitos amigos aqui. Pedro, tem uma musiquinha que queria deixar aqui pra vc e pra todos esses anjos especiais assim como seu paizinho, maezinha e irmaos, ahh e para seu sobrinho(a) é claro. A musica diz assim:
Nessa vida somos todos especiais, Especiais sem mesmo entender o porque, mas as vezes é bom compreender que tem alguem mais especial do que voce.
Especial pq precisa mais carinho; Especial pq precisa mais amor; Especial pq precisa compreensao, Com os mesmos direitos e valor.
Nessa vida somos todos iguais, Algumas diferencas nao contam jamais, Mostre sua solidariedade dando sempre uma oportunidade.
Um beijo enorme e que Deus continue sempre abencoando a vc e toda sua familia.
Mesmo de tao longe, from the Best Buy Stores, na terra do Tio Sam, resolvi lhe escrever Pedro e dizer que estou muito, muito feliz por saber que voce sera titio e seu papai sera vovo. Imagino a alegria que voces estao sentindo, se eu, que nem sou da familia estou tao feliz com a novidade. Senhor, cuida com carinho desta familia. Cuida de Lia e deste grande tesouro. -- Grande abraco a todos.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.