Sabe que muita gente por aí passa uns maus bocados só porque não adapta o ambiente às suas necessidades? Por que será que as pessoas pensam em tantas coisas menos importantes e nem se lembram de adaptar a casa aos portadores de deficiência?
Um homem que trabalhava para meu avô cuidava do irmão, adulto, obeso e com as pernas amputadas e, na hora do banho, fazia a maior força carregando o irmão da cama para uma cadeira comum que depois era arrastada - isso mesmo, arrastada - até o banheiro para o banho.
Não que a família fosse pobre e não tivesse dinheiro para comprar uma cadeira de rodas. Nada disso. Eles simplesmente tinham se acostumado a arrastar a cadeira comum, sem rodas, de um lado para o outro pela casa. Coisa estranha, né?
Meu avô mesmo, depois de aposentado, fez umas vinte cadeiras de rodas em sua pequena oficina, só para ajudar portadores de deficiência pobres que não tinham como comprar. Sabe o que aconteceu? Pessoas que tinham dinheiro vinham pedir cadeira de rodas também. Ele não dava não.
É que muita gente ainda tem na cabeça que portadores de deficiência devem viver de esmolas, que devem ser ajudados pelo governo, por alguém etc. Na maioria das vezes, o que falta não é ajuda, é idéia.
Mas as pessoas preferem comprar uma TV nova do que uma cadeira de rodas. Às vezes não é preciso muito não, é só colocar umas rampas nos degraus, um corrimão no corredor e tantas outras coisinhas até mais simples que podem facilitar a vida do portador de deficiências.
Veja o que fizeram os pais de minha amiguinha Vicky, que mora nos Estados Unidos. Como a casa deles é de dois andares e os quartos ficam em cima, fizeram uma reforma no térreo mudando a cozinha de lugar e construindo um belo quarto e banheiro para ela não precisar ser carregada escadas acima todas as vezes que precisava dormir e tomar banho.
Agora Vicky pode ficar em seu quarto usando seu computador, o qual também tem um teclado especial adaptado às suas necessidades. Também colocaram uma rampa para ficar mais fácil de entrar na casa com a cadeira de rodas. Viu como ela está contente com a adaptação? É isso que a gente deve fazer para as pessoas que amamos.
olá, gostei muito do site e principalmente do diário do Pedro escrito com tanta criatividade,e muiiiiito AMOR.Eu sou mãe de uma criança linda de 5 anos com necessidades especiais tb.(foi justamente por causa dela q conheci a história dessa família especial-procurava uma cadeira de rodas).Gostaria de deixar um grande abraço e q DEUS fortaleça a cada dia essa família a passar pelas lutas e vitórias. O livro da Lia eu encontro em qualquer livraria ou não?como posso adquirir?
Tenho uma amiga que agora vivi em uma cadeira de rodas, ela tem muita dificuldades pra tomar banho e se movimentar pela casa. Quero saber como adaptar a sua casa e principalmente o banheiro sem gastar muito dinheiro já que ela não tem condições financeiras pra fazer grandes mudanças.
Voces estao de parabens por lembrar dessas pessoas tao especiais,muitas delas inteligentes,e muito mais esquecidas.Espero que essas pessosas tenham sempre um sonho e cada um deles possam corre atras e nunca desistir por que um sonho e muito importante em nossa vida,e eu tenho um sonho que e um dia eu possa ter o dom de ajudar pessoas deficientes e eu nao vou desistir.
Creunice: O primeiro passo é sempre adaptar tudo o que puder. Por exemplo, meu filho não anda, por isso nós o ensinamos a engatinhar. Os vasos sanitários têm uma barra na parede para ele se segurar. O banheiro onde ele toma banho tem uma cadeira de banho e não há vidro no box, apenas uma cortina, para evitar acidentes. Muitas dessas adaptações são bem simples e só exigem uma boa dose de criatividade.
Ele já não pode ser carregado como uma criança, mas felizmente é capaz de ir do vaso sanitário ao chão para engatinhar. Se eventualmente eu precisar carregá-lo, descobri que o melhor modo é abraçando (ele se agarra ao meu pescoço). Porém às vezes isso não é possível. Há, por exemplo, guinchos portáteis para levantar pessoas, tirá-las da cama, etc. Mesmo para aqueles que ficam na cama, há até como trocar a roupa de cama sem precisar levantar a pessoa (enfermeiras sabem como fazer).
Uma cadeira motorizada pode não ser a solução para muitos casos, a menos que a pessoa saiba controlar e dirigir a cadeira. É para pessoas mais independentes, caso contrário pode ser um problema, não uma solução. Digo isto porque apenas a cadeira pesa quase 50 quilos (por causa das pesadas baterias), o que exige duas pessoas para carregá-la se for preciso subir um degrau. Já a cadeira normal, de alumínio, é leve e pode ser desmontada caso precise ser transportada.
Seria bom você verificar com alguma entidade de auxílio para portadores de deficiência em sua região, pois esse pessoal tem as dicas de como reduzir o trabalho, transportar, dar banho etc. Talvez eles também possam indicar como obter doações ou comprar com desconto no caso de famílias de baixa renda.
Enviado por Mario Persona em 25/03/2008
olá ao visitar está pag. fiquei muito curiosa, mesmo pq. eu tenho um irmão q/ é deficiente, incapaz de se locomover, tudo q/se diz incapaz ele é, meus país pessoas c/ idade avançadas, tudo, tudo pesa p/ mim. quero saber como fazer p/ pedir uma doação de uma cadeira de rodas motorizada? ou qualquer ajuda será bem vinda.
adorei o site de vocês apezar de conter historia tristes que podem nos motivar a cada dia . gostaria de falar pra todos que participam contando suas historia que nunca dessitam que sempre a um motivo para as coisa. boa sorete a todos gabi.
Enviado por gabi em 04/06/2007
olá, gostaria de saber se podem me ajudar a encontrar um teclado como este para comprar ao meu avô que perdeu muitos movimentos. grata camila
Vim através do Blog da Kyya e vou voltar. Adorei este cantinho cheio de amor. Também eu sou mãe de uma criança muito especial. Parabéns pela vossa história maravilhosa. Um grande abraço
Mais uma vez digo Parabéns por este cantinho tão especial.
Convido-o a visitar o Fórum "Educar na Diferença", um local onde profissionais, pais, educadores e alunos portadores de varios sindromes tentam organizar um grupo de ajuda, debate, discussão e partilha de experiências.Serão muito em vindos!
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.