Você se lembra de quando meu pai comprou o Din-Don? É, eu já contei aqui. Ele é meio surdo e madrugador. Junte as duas coisas e você vai encontrar meu pai acordado muito antes de mim e com a porta que dá para a sala e o escritório fechada.
Além da porta fechada ele mergulha nas suas idéias, leituras e escrevinhações e sai deste planeta. Então, quando acordo, vou sozinho ao banheiro, engatinhando, e ele precisa saber que estou lá para ir me ajudar. Se bem que eu já sei ficar em pé ao lado da privada e tirar sozinho a calça e a calça plástica.
Mas às vezes não dá tempo, como aconteceu daquela vez que sonhei que estava fazendo um rally no barro. Então meu pai comprou aquele assustador Din-Don, desses que tem em porta de loja onde não chega ninguém para avisar se alguém chegar.
O assunto é que na época ele se empolgou e estava até querendo comprar algo mais sofisticado, com uma câmera digital. Assim ele podia ouvir e ver minha ida ao banheiro. Programão... Mesmo assim fiquei contente porque estaria investindo no lindão aqui.
Sabe o que o Din-Don fez? Outro dia resolveu tocar sozinho durante a madrugada, acordando meu pai umas três vezes e fazendo ele correr para ver se eu estava no banheiro. Se estava fui rápido em voltar para a cama! Ele odiou o Din-Don.
Comprou a câmera? Você está sonhando! E o escorpião que tem no bolso? Meu pai decidiu aposentar o Din-Don e partiu para uma solução caseira, um retrocesso. Tenho até vergonha de mostrar, mas o negócio que ele inventou fica atrás da porta do banheiro que fica entreaberta. Aí eu chego engatinhando, trombo com a porta, ela abre, derruba a panelinha de cima do sabonete e meu pai escuta. Trocou o Din-Don pelo Bléim-Bléim! Dá pra acreditar?!!
Adoção: Adoção Internacional WILSON DONIZETI LIBERATI A adoção internacional e por estrangeiros tornou-se um tema atual, principalmente com as mudanças trazidas pelo novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Algumas modificações atingiram o ECA, no que diz respeito à adoção de crianças e adolescentes por nacionais. A adoção internacional não foi objeto de preocupação da nova lei. Contudo, a partir da Convenção de Haia, de 1993, e do Decreto 3.174/1999, a disciplina da adoção internacional sofreu profunda mudança, que foi analisada neste trabalho. Mantêm-se a regra de ouro de que a criança e o adolescente têm o direito fundamental a uma família. Este livro é um estudo profundo sobre o tema, examinando o Autor, de maneira clara e objetiva, todo o processo de adoção por nacionais e estrangeiros.
Parabéns pelo teu blog. Está espectacular mesmo. Parabéns pela tua força. Sou prof. Educação especial e também luto para a felicidade de muitas crianças portadoras de deficiencias. Elas são tudo que me dá força para lutar dia-a-dia. Desejo-te tudo de bom. Bjinhos
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.