Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Sessão da Tarde" - "A abelhinha morreu"

27/12/2006
Ajude sem ajudar

Minha nova babá está se acostumando com meu modo de ser. Sim, tenho uma nova babá e ela é bem legal. Cuida bem de mim, até bem demais. E foi este o problema no início.
angry, grr

É que quando alguém quer ajudar um portador de deficiências geralmente quer fazer tudo, mas não é assim. Eu tenho algumas deficiências, mas há coisas que eu consigo fazer sozinho. Só que, como sou malandro, se percebo que alguém vai fazer por mim, então faço corpo mole.

Por exemplo, se eu estiver de pé segurando na barrinha na parede do banheiro para me sentar no vaso e percebo que alguém quer me segurar pelas axilas, amoleço as pernas, solto o corpo e me deixo levar. Pior para meus ossos, que exigem algum exercício para escapar da osteoporose.

Mas minha babá no começo tentava fazer tudo por mim, me carregando do vaso para a cadeira de banho e de volta para o vaso na hora de enxugar. Meu pai mostrou que ela deve deixar eu descer do vaso sozinho, engatinhar até a barrinha que ele colocou na parede do box, ficar de pé e sentar na cadeira de banho. Tudo sozinho. Na volta também.

Hoje eu faço tudo isso: vou ao banheiro engatinhando, como de colheradas em prato fundo sozinho na mesa e até sei segurar um copo e tomar suco ou água. O copo é sempre de plástico por motivos óbvios. Só não aprendi a dirigir ainda, mas quando aprender acho que vou dirigir melhor do que muita gente por aí...

Portanto, se você conhecer alguém portador de deficiências, não vá querer fazer tudo para essa pessoa ou ela não vai aprender nunca coisas novas. Deixe que sofra um pouquinho -- eu disse um pouquinho! -- para aprender novas atividades. Crie desafios e prêmios a cada etapa vencida.

E não fique por aí fazendo aquela cara de dó e de catástrofe sempre que encontrar um portador de deficiências, porque ninguém quer lançar a pessoa num fosso de auto-piedade. Aí não há quem a tire de lá.

Também não trate portadores de uma deficiência como se fossem deficientes em tudo. Sabe como é, que nem gente que grita para falar com alguém que sofreu um derrame, como se a pessoa fosse surda. Ou fala com vocabulário de criança para um adulto encadeirado por problema nas pernas, como se a deficiência no andar influenciasse sua capacidade de pensar.

Todos são deficientes em alguma área. Você consegue tocar a Nona Sinfonia de Beethoven? Não?! Então você é deficiente nisso. Outros não conseguem ler porque não foram alfabetizados. Deficientes. Outros não conseguem se relacionar com pessoas. Deficientes. E por aí vai...

Eu sei, é difícil se acostumar, a reação natural é sentir pena, é querer fazer tudo pelo portador de deficiência. Não faça isso. No começo dói, tanto em quem faz como em quem observa, mas é assim que se aprende na vida. A vida só é dura para quem é mole.

Caminhos da Adoção
CLAUDIA FONSECA

A autora questiona a idéia de que a família seja uma instituição descartável. Em seu estudo feito com crianças de classes populares, ela chama a atenção para um tipo de familia que consolida seus laços consanguineos, apesar da dissolução dos laços conjugais.


"Sessão da Tarde" - "A abelhinha morreu"


Olá Pedro,
Vejo que você é um rapaz muito abençoado, pois o papai do céu te presenteou com um papai muito bom aqui nesta terra,amei este texto sobre Ajude sem ajudar, seu papai tem razão a vida só é dura pra quem é mole, tenho indicado seu site para algumas pessoas amigas, pois percebo que tem muita gente saudável reclamando da vida e em minhas opinião estas são as verdadeiras deficientes. Bom vou terminar por aqui deixando um beijão pra você e um abraço bem carinhoso no seu pai.

Com o amor de Jesus

Soraia Trino.

Enviado por Soraia Trino. em 24/01/2008


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras. O livro é publicado pela Editora Mondrian.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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