Andei sumido, né? Mas não foi culpa minha não. Culpa do ghost-writer que contratei para cuidar deste blog. Se você não sabe o que é ghost-writer, trata-se do profissional que escreve aqueles artigos e livros que depois são assinados por artistas que não sabem escrever como se tivessem escrito. No caso, eu sou o artista.
Não se pode esperar nada dos outros, não é mesmo? Tudo bem, meu ghost-writer, que é também meu pai, esteve meio ocupado ultimamente. Além disso, ele agora está com um negócio de exportação. Exportação de filhos.
É que minha irmã já tinha sido exportada para morar no exterior. Agora foi a vez de meu irmão ser exportado. Mas não se preocupe, não! Não se trata de tráfico de pessoas, não! Minha irmã foi morar fora porque se casou e meu irmão foi a trabalho. Agora ficamos eu meu ghost-writer que, por sinal, tirou uns dias de férias para visitar minha irmã. E eu aqui esperando ele escrever alguma coisa neste blog...
Pois bem, ele voltou mas os clientes não querem que ele pare de viajar. Como os clientes pagam e eu não pago nada, então meu ghost-writer acaba viajando.
Bem, então vamos ao que interessa. Meu ghost-pai-writer resolveu escrever. Quer dizer, em parte. Porque ele decidiu traduzir a letra de uma música de tanto que gostou dela. É que pessoas como eu são alvo de risos da parte daqueles que não entendem coisa alguma de inclusão. Fazer o quê, não é mesmo?
Don't Laugh At Me Artist: Mark Wills Album: Wish You Were Here (Allen Shamblin/Steve Seskin)
I'm a little boy with glasses The one they call the geek A little girl who never smiles 'Cause I've got braces on my teeth And I know how it feels To cry myself to sleep
I'm that kid on every playground Who's always chosen last A single teenage mother Tryin' to overcome my past You don't have to be my friend But is it too much to ask
Don't laugh at me Don't call me names Don't get your pleasure from my pain In God's eyes we're all the same Someday we'll all have perfect wings Don't laugh at me
I'm the cripple on the corner You've passed me on the street And I wouldn't be out here beggin' If I had enough to eat And don't think I don't notice That our eyes never meet
I lost my wife and little boy when Someone cross that yellow line The day we laid them in the ground Is the day I lost my mind And right now I'm down to holdin' This little cardboard sign...so
Don't laugh at me Don't call me names Don't get your pleasure from my pain In God's eyes we're all the same Someday we'll all have perfect wings Don't laugh at me
I'm fat, I'm thin, I'm short, I'm tall I'm deaf, I'm blind, hey, aren't we all
Don't laugh at me Don't call me names Don't get your pleasure from my pain In God's eyes we're all the same Someday we'll all have perfect wings Don't laugh at me
Não ria de mim Cantor: Mark Wills Álbum: Wish You Were Here (Allen Shamblin/Steve Seskin)
Sou um garotinho de óculos Aquele que chamam de esquisito Uma garotinha que nunca sorri Porque uso aparelho nos dentes E sei como é Chorar até dormir
Sou aquele menino em todo playground O último a ser escolhido para brincar Sou uma adolescente mãe solteira Tentando superar meu passado Você não precisa ser meu amigo Mas acho que não é demais pedir
Não ria de mim Não me ponha apelidos Não se divirta com minha dor Aos olhos de Deus somos todos iguais Um dia teremos todos asas perfeitas Não ria de mim
Sou o aleijado da esquina Você passou por mim lá na rua E eu não estaria aqui esmolando Se tivesse o suficiente para comer E não pense que não reparo Que nossos olhos nunca se encontram
Perdi minha esposa e meu filhinho Alguém cruzou a preferencial O dia em que os sepultei Foi o dia em que perdi a cabeça E agora eu fico aqui segurando Este cartaz de papelão... por isso...
Não ria de mim Não me ponha apelidos Não se divirta com minha dor Aos olhos de Deus somos todos iguais Um dia teremos todos asas perfeitas Não ria de mim
Sou gorda, sou magra, sou baixo, sou alto Sou surdo, sou cego, acaso não somos todos assim?
Não ria de mim Não me ponha apelidos Não se divirta com minha dor Aos olhos de Deus somos todos iguais Um dia teremos todos asas perfeitas Não ria de mim
Educação Inclusiva PETER MITTLER Este livro apresenta uma visão abrangente e reflexiva a respeito da importância, urgência e desafios atuais para a implementação de políticas educacionais inclusivas, as quais efetivamente contribuam para o fim da pobreza e da exclusão social, por meio de uma educação qualificada para todos.
Sou pedagoga e como tal tenho um aluno de 5 anos que tem paralisia cerebral, em algumas ocasiões não sei se ele me entende. Porém, percebo que escuta e ver. Mas não anda, não segura nada, não fala. Mostra-se interessado em músicas e histórias, mas só! Minha monografia no curso, é sobre deficientes fisicos, gostaria que me enviassem fotos, caso existam e interesse. Desede já agradeço a todos pela colaboração...
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.