Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"O pai mais forte do mundo" - "Quero uma tecla SAP!"

17/11/2006
Não ria de mim

Andei sumido, né? Mas não foi culpa minha não. Culpa do ghost-writer que contratei para cuidar deste blog. Se você não sabe o que é ghost-writer, trata-se do profissional que escreve aqueles artigos e livros que depois são assinados por artistas que não sabem escrever como se tivessem escrito. No caso, eu sou o artista.
cool eh?

Não se pode esperar nada dos outros, não é mesmo? Tudo bem, meu ghost-writer, que é também meu pai, esteve meio ocupado ultimamente. Além disso, ele agora está com um negócio de exportação. Exportação de filhos.

É que minha irmã já tinha sido exportada para morar no exterior. Agora foi a vez de meu irmão ser exportado. Mas não se preocupe, não! Não se trata de tráfico de pessoas, não! Minha irmã foi morar fora porque se casou e meu irmão foi a trabalho. Agora ficamos eu meu ghost-writer que, por sinal, tirou uns dias de férias para visitar minha irmã. E eu aqui esperando ele escrever alguma coisa neste blog...

Pois bem, ele voltou mas os clientes não querem que ele pare de viajar. Como os clientes pagam e eu não pago nada, então meu ghost-writer acaba viajando.

Bem, então vamos ao que interessa. Meu ghost-pai-writer resolveu escrever. Quer dizer, em parte. Porque ele decidiu traduzir a letra de uma música de tanto que gostou dela. É que pessoas como eu são alvo de risos da parte daqueles que não entendem coisa alguma de inclusão. Fazer o quê, não é mesmo?







Don't Laugh At Me
Artist: Mark Wills
Album: Wish You Were Here
(Allen Shamblin/Steve Seskin)



I'm a little boy with glasses
The one they call the geek
A little girl who never smiles
'Cause I've got braces on my teeth
And I know how it feels
To cry myself to sleep


I'm that kid on every playground
Who's always chosen last
A single teenage mother
Tryin' to overcome my past
You don't have to be my friend
But is it too much to ask


Don't laugh at me
Don't call me names
Don't get your pleasure from my pain
In God's eyes we're all the same
Someday we'll all have perfect wings
Don't laugh at me



I'm the cripple on the corner
You've passed me on the street
And I wouldn't be out here beggin'
If I had enough to eat
And don't think I don't notice
That our eyes never meet


I lost my wife and little boy when
Someone cross that yellow line
The day we laid them in the ground
Is the day I lost my mind
And right now I'm down to holdin'
This little cardboard sign...so


Don't laugh at me
Don't call me names
Don't get your pleasure from my pain
In God's eyes we're all the same
Someday we'll all have perfect wings
Don't laugh at me


I'm fat, I'm thin, I'm short, I'm tall
I'm deaf, I'm blind, hey, aren't we all


Don't laugh at me
Don't call me names
Don't get your pleasure from my pain
In God's eyes we're all the same
Someday we'll all have perfect wings
Don't laugh at me




Não ria de mim
Cantor: Mark Wills
Álbum: Wish You Were Here
(Allen Shamblin/Steve Seskin)



Sou um garotinho de óculos
Aquele que chamam de esquisito
Uma garotinha que nunca sorri
Porque uso aparelho nos dentes
E sei como é
Chorar até dormir


Sou aquele menino em todo playground
O último a ser escolhido para brincar
Sou uma adolescente mãe solteira
Tentando superar meu passado
Você não precisa ser meu amigo
Mas acho que não é demais pedir


Não ria de mim
Não me ponha apelidos
Não se divirta com minha dor
Aos olhos de Deus somos todos iguais
Um dia teremos todos asas perfeitas
Não ria de mim



Sou o aleijado da esquina
Você passou por mim lá na rua
E eu não estaria aqui esmolando
Se tivesse o suficiente para comer
E não pense que não reparo
Que nossos olhos nunca se encontram


Perdi minha esposa e meu filhinho
Alguém cruzou a preferencial
O dia em que os sepultei
Foi o dia em que perdi a cabeça
E agora eu fico aqui segurando
Este cartaz de papelão... por isso...


Não ria de mim
Não me ponha apelidos
Não se divirta com minha dor
Aos olhos de Deus somos todos iguais
Um dia teremos todos asas perfeitas
Não ria de mim



Sou gorda, sou magra, sou baixo, sou alto
Sou surdo, sou cego, acaso não somos todos assim?


Não ria de mim
Não me ponha apelidos
Não se divirta com minha dor
Aos olhos de Deus somos todos iguais
Um dia teremos todos asas perfeitas
Não ria de mim



Educação Inclusiva
PETER MITTLER

Este livro apresenta uma visão abrangente e reflexiva a respeito da importância, urgência e desafios atuais para a implementação de políticas educacionais inclusivas, as quais efetivamente contribuam para o fim da pobreza e da exclusão social, por meio de uma educação qualificada para todos.

"O pai mais forte do mundo" - "Quero uma tecla SAP!"


Sou pedagoga e como tal tenho um aluno de 5 anos que tem paralisia cerebral, em algumas ocasiões não sei se ele me entende. Porém, percebo que escuta e ver. Mas não anda, não segura nada, não fala. Mostra-se interessado em músicas e histórias, mas só!
Minha monografia no curso, é sobre deficientes fisicos, gostaria que me enviassem fotos, caso existam e interesse. Desede já agradeço a todos pela colaboração...

Enviado por DANIELLE em 30/04/2007


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras. O livro é publicado pela Editora Mondrian.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


Convide um amigo para me visitar.

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