Já viu quantas palavras existem para descrever pessoas como eu? Não fique chocado, mas ao longo do tempo todas elas já foram usadas para pessoas portadoras de deficiências ou com necessidades especiais. Qual será que a gente deve usar? E para quem usar?
Bem, palavras não faltam: excepcional, deficiente, retardado, incapaz, inválido, débil mental, imperfeito, defeituoso, aleijado, mongolóide, enfermo, doente, esquisito, manco, coxo, cego, incapacitado, ceguinho, paralítico, paraplégico, quadriplégico, tetraplégico, epiléptico, anormal, incapacitado, prejudicado (esta está carimbada em minha carteira de identidade). A lista não acaba mais e você pode ler sobre o assunto neste link.
Complicado, né? É difícil saber qual termo utilizar sem chocar ou ofender alguém. Alguns já são antigos e não devem ser utilizados mesmo, como retardado, débil, mongolóide etc. É um problema quando pessoas utilizam palavras erradas para identificar alguém, mas também a coisa fica uma loucura quando se quer padronizar tudo direitinho como tentaram fazer nos Estados Unidos com os negros. Uma hora era correto chamar alguém de negro, outra hora tinha que chamar de afro-americano, depois mudava outra vez...
Alguém pode ter boa intenção quando olha para mim e pergunta para meu pai: "Coitado, o menino é débil mental, é?" Pessoas de diferentes culturas reagem de diferentes maneiras e com diferentes vocabulários. Tem muita gente por aí ajudando pessoas que, por não entenderem de terminologia, chamam de ceguinho. Enquanto isso, tem muita gente educada, culta, que sabe chamar do jeito politicamente correto e não move uma palha. O primeiro é fácil de ensinar. O segundo é quase impossível mudar.
Então, nós que somos... o que é mesmo que somos?! bem, deixa pra lá, nós que temos necessidades especiais precisamos ser pacientes com as pessoas que usam um vocabulário deficiente, nos chamam de adjetivos imperfeitos e receberam uma cultura retardada. Porque são incapacitados no modo de falar.
O que fazer, né gente? Tem muitos por aí que parecem estar com tudo em cima, mas se você levantar o tapete vai encontrar cada coisa!
Meu pai é um, mas não conte pra ele que eu contei. E ainda tem gente que me acha esquisito. Sabe, eu acho que falta algum parafuso... Acha que estou sendo muito crítico? Então o que pensar de um cara que pensa que é extraterreno ou que conversa pela Internet com desenhos animados? Só pode ser doidinho de tudo. Êpa! Olha eu aí sendo politicamente incorreto!
O Que São Pessoas Deficientes JOAO BAPTISTA CINTRA RIBAS Os seres humanos não são fisicamente todos iguais - cada um de nós tem seu peso, sua altura, sua cor de pele. As pessoas deficientes talvez sejam um pouco mais diferentes, já que podem possuir sinais ou seqüelas mais notáveis. Mas não podemos meramente transpor a realidade natural para a realidade social: esta é por nós construída... Pensar numa sociedade melhor para as pessoas deficientes é necessariamente pensar numa sociedade melhor para todos.
não sei se esse é o caminho certo mas gostaria muio de entrar em contato com a lilian mello pois tb tenho uma filha com mielo e gostaria muio de conversar um pouco e saber da alice espero seu contato bjs
Gostei do seu coment'ario a respeito das nomeclatura usadas para identificar a pessoas com necessidade especiais. Acho que nomeclatura nao importa. O que importa 'e mudar e visao e o comportamento das pessoas acerca das pessoas com Necessidades Especiasi.
Achei seu blog por acaso nessas "viajadas" pelo web mundo!
Sou professora universitária (de Terapia Ocupacional) e atualmente estou ensinando minhas alunas a tratarem de crianças com problemas parecidos com os seus. Antes de mais nada (falar de nomenclatturas etc) ensinei a elas que o essencial é saber que independente da incapacidade - todos temos capacidades- e no caso de crianças com paralísia cerebral, todas SÃO crianças e todas tem o DIREITO de fazer o que uma criança sem incapacidades faz (aliás, quem nesse mundo não tem uma incapacidade????), ou seja, brincar muito!!!! Mas voltando ao tópico, acho que pessoa com deficiência ou com incapacidade é a melhor maneira de se escrever/falar... porque primeiramente todos são pessoas que na verdade possuem alguma deficiência ou incapacidade...
Bom, adorei te conhecer... Vou passear mais vezes por aqui!!!
Agora fiz o meu e sem pedir licença coloquei um link seu lá!
Meu BLOG é prá falar de Gente Demais.
Gente que conheci pelos caminhos onde andei com minha filha, Alice, portadora de uma lesão medular congênita.
Lá não é um lugar,exatamente, para auto-piedade e nem um local para mãe coruja. É um lugar onde deve morar a realidade. Minha única companheira nesses últimos 5 anos.
Esero que voê goste de estar lá conosco! Lilian Mello
Pois é Pedro...complicado,né???sabe de uma coisa??? Jamais poderíam carimbar na sua carteira de identidade os adjetivos de mentiroso, enganador, corrupto, dissimulado, trapaceiro, invejoso e por aí vai... Seria bom se carimbassem a identidade dos que tais coisas praticam, pq esses sim são prejudicados em si mesmos e prejudicam muita gente.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.