Gente, acho que meu pai está me treinando para trabalhar na Avon! Quem é velho como ele vai se lembrar dos comerciais da TV, quando uma mocinha tocava a campainha e fazia "Din-Don! Avon chama!". Pois é, todas as manhãs eu acordo com essa campainha. Na verdade sou eu mesmo quem toca a campainha. Surpreso? E com razão, porque não sei tocar nem campainha.
Mas como meu pai é madrugador e acorda antes do sol nascer -- às vezes quando o sol é ainda embrião -- precisou arranjar um jeito de saber se eu já acordei. É que minha cama fica na altura do chão para eu não cair, porque dizem que do chão não passa, né? Então quando eu acordo e ele já está lá no escritório grudado no computador, eu saio engatinhando em direção ao banheiro, porque já conheço o caminho.
O medo de meu pai é que eu me machuque, um medinho bobo porque sou muito bom nas coisas que faço. Quando chego no banheiro, com meus pés meio tortinhos enfiados em meias que deslizam no piso, e me agarro na barrinha da parede ao lado do vaso sanitário, fico em pé, e começo a tirar fralda, cueca e calça, tenho tudo para causar um desastre. Então meu pai precisa saber exatamente a hora que acordo para correr lá me ajudar. Sabe o que ele fez? "Din-Don!"
Isso mesmo. Ele comprou uma campainha dessas de porta de loja de um vendedor só -- dessas que você chega e o vendedor nunca está no balcão. É, dessas campainhas que que tocam com o movimento. No primeiro dia, meu pai, que não é lá muito esperto, colocou a campainha no chão, bem na porta de meu quarto. Sabe o que aconteceu? Nada, porque meu quarto e o corredor não têm luz suficiente logo cedinho. Agora ele coloca na porta do banheiro, onde há claridade de manhã e o sensor infravermelho descobre que estou passando por ali.
No primeiro dia levei um baita dum susto! Também, quem iria esperar que, ao entrar engatinhando no banheiro, aquele alarme iria tocar! Haja coração! Percebeu a cena? Eu, ainda meio dormindo, fiquei parado assim que aquele primeiro "DIN-DON" estourou meus tímpanos. E sabe o que acontece quando você fica parado em frente a uma campainha assim? Você não fica parado e ela fica tocando "Din-Don- Din-Don- Din-Don- Din-Don- Din-Don- Din-Don..." sem parar. Que nem porta automática de loja, quando alguém meio tonto fica conversando na frente dela. Ela abre-fecha, abre-fecha, abre-fecha...
Agora já estou acostumado com aquela peça de alta tecnologia que invadiu minha privacidade e anuncia para todo mundo no prédio que o Pedrão aqui entrou no banheiro. Discreto, né? Tão discreto que dia desses, quando acordei cedo demais e tudo estava muito silencioso, meu pai até escutou alguém comentar, do apartamento de baixo, de cima ou quem sabe do prédio ao lado: "Benhê... vai ver quem é... Alguém tocou a campainha..."
Agora fico imaginando quantos vizinhos andam acordando cedo para atender a porta! Fica aí a dica para a Avon visitar meu prédio cedinho de manhã. Tem um bocado de gente abrindo a porta nessa hora...
Escola Inclusiva MARINA SILVEIRA PALHARES e SIMONE CRISTINA FANHANI MARINS A Educação Inclusiva pressupõe que, prioritariamente, o atendimento a indivíduos com necessidades educativas especiais deve ser realizado na própria Rede Regular de Ensino. Esta obra reúne os conteúdos abordados no Curso de Capacitação para Educadores, cujo objetivo foi fornecer orientação básica para garantir atendimento aos alunos com necessidades especiais.
Olá Pedro, Estava pesquisando sobre Autismo, quando me deparei com seu blog,de tão emocionada que fiquei com sua história que chorei. Sua Família adotiva foram Anjos enviados por Deus. Que bom que existem pessoas boas nesse mundo. Felicidades pra vocês viu. Ene Porto
Enviado por ene porto em 02/05/2008
Oi Pedro a minha mãe Léia adorou ler seu blog, ela também vai fazer um para mim, sou autista e assim como vc tenho limitações mas isso no me impede de viver amar e ser amado por todos. Um beijão Kevin e mamãe Léia
Amado Pedro, como alguém pode duvidar do amor de Deus quando conhece uma história como a tua? Tu es amado pelo Senhor, és tão precioso que Ele providenciou para ti uma família especial e amorosa, já que a tua família natural não soube reconhecer a honra que é te ter por perto, cuidar de ti e te amar. Sou muito grata ao nosso Papai amado por ti e pela tua família. Já estou incluindo vocês no meu livro de orações. Recebe o meu abraço e amor, irmão e a certeza de que se não nos encontrarmos aqui, um dia quando nosso Papai nos chamar para vivermos ao seu lado, possamos nos abraçar de verdade e com o coração cheio de alegria! A propósito, teu nome é lindo!
Olá Pedro... A algum tempo atrás encontrei o teu blog por acaso, enquanto procurava testemunhos de pessoas com necessidades especiais, para poder fazer um trabalho, adorei o teu blog, e por isso voltei a visita-lo, pois ele fez-me pensar como por vezes a vida pode tornar-se dificil, mas tu tens uma familia que gosta muito de ti que te ajuda nessas dificuldades... e Apesar de tudo isso é muito importante... Beijo Até a proxima...
Que blog lindo! Que lindas pessoas teu pai e teus irmãos! Quando vejo algo assim, sei que nem tudo está perdido...que a vida vale a pena.Que anjos existem sim...
Boa tarde Pedro! Que a Paz do Senhor noss Deus esteja junto a você e a sua abençoada família. Estava sentido falta dos seus comentários. Mesmo que atrasado, quero deixar um grande abraço para este que representa muito bem o que é ser um pai, o seu pai. Até a próxima.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.