Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Amigo da Onça" - "Din-Don!"

12/08/2006
Uma andorinha sozinha não faz verão

Sabe quem veio me visitar? Uma amiguinha canadense. Isso mesmo. A andorinha que você vê na foto entrou pela janela do meu quarto e não conseguia mais sair. Tão esperta, tão liberta, no entanto... Se não fosse meu pai para ajudá-la, ela teria ficado se debatendo contra o vidro o dia inteiro sem encontrar seu caminho para o céu azul onde suas companheirinhas a esperavam.
sad


Todos os anos estas andorinhas descem do Canadá como imensas nuvens e vêm passar férias em minha cidade. À noite árvores, fios e antenas ficam repletos destes pequenos pássaros e, pela manhã, sua revoada partindo em busca de comida é um espetáculo muito bonito. Elas voam juntas como se fossem uma coisa só. Menos essa.

O vidro é transparente, mas nada passa por ele. É por isso que ela está tão confusa, tão desesperada, tão incapacitada. Sabe o que acho? Que a andorinha é como muita gente. Tem gente que olha para mim e pensa: "Coitado, está incapacitado...". Por não poder enxergar, andar, falar ou até mesmo pensar pensamentos complexos, sou incapaz de uma porção de coisas.

Mas sabe o que eu acho? Que todo mundo é incapaz de alguma coisa. Ou de muitas coisas. A diferença é que, como acontece com o vidro, muitas incapacidades são transparentes e não ficam tão evidentes quanto um membro aleijado ou dois olhos apagados.

Manias, por exemplo. Já viu quanta gente fica travada por causa de manias? E as superstições! É um tal de não fazer isso porque não presta, não vestir tal roupa porque dá azar, não entrar por tal lugar porque atrai maus agouros... A lista não acaba nunca. Eu não tenho esse problema.

Tudo bem que sou metódico em um montão de coisas, mas acho que isto também é característico de pessoas como eu. Deve ser algum tipo de autismo, porque depois que aprendo a fazer uma coisa de um jeito, faço sempre do mesmo jeito, como um programinha de computador que não tem variantes. Fazer o quê, né?

Mas isso não é mania, é simplesmente um tiltizinho que acontece no meu cérebro. E quem não tem esse tilt, por que será que fica se debatendo contra o vidro das manias, esquisitices e superstições? Meu pai precisou libertar a andorinha, ou ela não seria capaz. Você tem um Pai para libertar você?

"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no Seu nome." (João 1:12)

Pés Como os da Corça nos Lugares Altos
HANNAH HURNARD

Uma alegoria da jornada dos filhos de Deus que desejam viver nos Lugares Altos - Hannah Hurnard. Esta obra vai levá-lo a transpor os perigos da vida e a erguer-se aos lugares altos do amor, alegria e vitória.

À semelhança do clássico O Peregrino, este livro é uma história que caracteriza o andar cristão de fé descrito na Bíblia. Os personagens fazem sua jornada rumo aos lugares elevados onde suas fraquezas serão transformadas em forças e seus receios em fé. O Pastor que os guia tem uma terna voz de amor e esperança. Antagonistas vão surgindo pelo caminho, testando cada personagem durante a jornada.

"Amigo da Onça" - "Din-Don!"


Pedro,
Vocês são mesmo"especiais".Tenho um filho de 08 anos que é especial e sei das lutas que temos a cada dia, mas também me alegro,em Deus, por cconhecer esse novo mundo e de ver as vitórias gradativamente e no tempo Dele...Deus está no controle de sua vida e de seus pais.Deus te abençoe e que você possa progredir de cordo com a vontade do Criador de todas as coisas!

Enviado por NELSON em 12/06/2008


Pedro,
É um prazer, te conhecer e os teus familiares. Estarei com vocês, em outras oportunidades. Beijos carinhosos.

Enviado por Claudia em 16/03/2008


Oi Pedro,passeando pela net tive o privilégio de conhecer um poukinho de ti e da tua história.Estarei visitando mais vezes este blog abençoado.
Tenho um sobrinho q é autista e lutamos muito pra melhorar a qualidade de vida dele assim como sua família faz contigo.
Um beijinho com muito carinho no seu ♥

Enviado por Patrícia em 15/03/2008


Tenho 10 anos, e minha mãe mostrou este blog para mim. Simplesmente, não sei nem como explicar o que eu senti...
Tive até vontade de chorar mas resisti pq sei q vc venceu todas as barreiras de sua vida e encontrou uma família maravilhosa.

Enviado por Carolina Montiel em 06/10/2006


Olá Pedro,
Achei seu blog por acaso e curti de montão. Vou passar por aqui mais vezes. Sou fisioterapeuta e trabalho na fundação Dorina Nowill Para Cegos, faço intervenção precoce lá. Se quiser dá uma passadinha no meu blog tb.
Bjusss
****://***.divagandu.blogspot.com

Enviado por Márcia em 15/08/2006


Olá Pedro, passei por aqui para desejar um Feliz dia dos Pais para seu Papai e também para todos os Papais do mundo. Jesus já levou o meu Pai, mas Ele continua vivo aqui, no coração. Um grande beijo para você. "Bóris Nicolai"

Enviado por Boris Nicolai em 13/08/2006


Dizem pra gente, pra nós adultos que seguir sozinho é uma questão de coragem. Vivo me questionando se é de coragem que a gente precisa mesmo pra quebrar um vidro transparente ou abrir uma janela que a nossa mão não alcança. Não vejo covardia em precisar dos outros,fisica ou afetivamente, muito menos que isto seja sinal de pouco amadurecimento. Obrigada pelo texto foi um presente de Deus no meu dia de hoje. Um beijo grandão pro Pedro e um carinho grande pro papai. Parabens pelo seu dia!

Enviado por Maria Eliete Santana de Farias em 13/08/2006


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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