Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"De gota em gota" - "Uma andorinha sozinha não faz verão"

25/07/2006
Amigo da Onça

Se você tiver a minha idade, é provável que nem saiba de onde vem a expressão "Amigo da Onça". Eu também não sei. Dizem que vem de uma história em quadrinhos e que depois a expressão foi transformada no nome de um personagem criado pelo desenhista Péricles na década de 40 e aparecia na revista "O Cruzeiro". Nunca leu "O Cruzeiro"? Nem eu.
cool eh?

Mas meu pai lia quando ia à barbearia do Sebastião cortar o cabelo. Era a coisa mais lida dos tempos dele, depois da carta de Pero Vaz de Caminha. Se você quiser conhecer o Amigo da Onça, clique aqui para ver umas páginas antigas da revista.

Viu? Entendeu? Pois é, o Amigo da Onça era um carinha sarcástico, irônico e irreverente, que sempre colocava as pessoas em situações difíceis, em saia justa, na sinuca, na berlinda, em maus lençóis ou a expressão que quiser usar. Em resumo, ele armava e alguém acabava pagando o pato ou morrendo com o mico. Eu sei que pato é ave, mico é primata e onça é felino, mas você entendeu, não entendeu?

Bom, tudo isso é pra dizer que meu pai me achou com cara de Amigo da Onça e comprou uma onça para mim. Calma, não é uma onça de verdade não, é uma oncinha de pelúcia. Igual aos bichinhos que você já viu por aqui, como meu elefantinho, de saudosa memória, e o coelhinho da seleção da Argentina, que eu nem pego na mão.

Sem falar naquele coelho lindão que minha irmã trouxe dos EUA em pleno verão e foi morrer no lixão, porque todo mundo pensou que a urticária que apareceu em mim era culpa dele. Não era. A culpa era do calor.



Além da oncinha, que meu pai comprou porque estava em promoção -- lógico, né? não conhece o escorpião no bolso? -- ele também comprou um cachorrinho de pelinho sem graça. De tão barato, nem pelúcia usaram. O pelo é feito com fios de linha. Pode? Mesmo assim dá prá acreditar que ele comprou dois bichinhos de uma só tacada? Devia estar distraído, sofrendo um surto passageiro de liberalidade financeira ou queria matar dois coelhos com uma cajadada. Como não tinha cajado, matou uma onça e um cachorro.



Com a chegada dos novos bichinhos fizemos uma festa de despedida para meu velho cachorrinho (no meio na foto), já todo detonado, mordido e descorado. A festa foi só pra inglês ver, porque eu gosto mesmo é de brincar com o cachorrinho velho. É que nem sapato, já estou acostumado com ele.

Resumindo tudo, agora estou com dois bichinhos novos, a oncinha, que eu pego de vez em quando, o cachorrinho, que só pretendo pegar em ano bissexto porque não é felpudinho, e o coelhinho com a camisa da Seleção Argentina, que só vou pegar quando me deixarem brincar com fósforos.

125 Brincadeiras para Estimular o Cérebro do Seu Bebê
JACKIE SILBERG

O cérebro de uma criança desenvolve-se a uma velocidade impressionante nos primeiros anos de vida, abrindo janelas de oportunidades para o aprendizado que só acontecem neste período da vida. 125 Brincadeiras para estimular o cérebro da criança de 1 a 3 anos é uma coletânea divertidíssima de atividades que preparam o futuro do seu filho. É um livro repleto de interpretações cotidianas que contribuem para o desenvolvimento cerebral durante o período especial de 12 a 36 meses de idade. Toda brincadeira é acompanhada de informações sobre a pesquisa cerebral relacionada com ela e de uma descrição da forma pela qual a atividade promove o desenvolvimento da inteligência da criança. * Este livro é uma extensão natural de 125 Brincadeiras para estimular o cérebro do seu bebê.

"De gota em gota" - "Uma andorinha sozinha não faz verão"


Não acredito em coincidências, de birra,por problemas pessoais, me chamam de onça, porque sou brava, ou me acham brava, e briguei com alguém muito importante p/mim, e disse a ele que deveria procurar alguma revista que o ensinasse como lidar com uma onça, aí de bobeira encontrei essa página que me faz refletir tanta coisa que poderia passar a noite toda escrevendo.

Enviado por lucimar de Mattos em 13/04/2007


pedro,tenho um filhinho com paralisia celebral,ele tem 2 anos emeio.como voce ele tambem adora ursinho de pelucia

Enviado por alessandra alves romao em 23/03/2007


entao!!e muito legal descobrirmos que nao estamos sozinhos e muito triste quando notamos que estamos no meio de milhares de pessoas que temos como normais,qdo poucos se comportam como tal,meu filho e portador de sindrome complexo de vacter hoje com sete anos um eptacampeao ja nota nas pessoas normais um comportamento anormal qdo essas pessoas olham p/ ele.fiquei feliz passando aqui!!10

Enviado por paulo em 17/11/2006


entao!!e muito legal descobrirmos que nao estamos sozinhos e muito triste quando notamos que estamos no meio de milhares de pessoas que temos como normais,qdo poucos se comportam como tal,meu filho e portador de sindrome complexo de vacter hoje com sete anos um eptacampeao ja nota nas pessoas normais um comportamento anormal qdo essas pessoas olham p/ ele.fiquei feliz passando aqui!!10

Enviado por paulo em 17/11/2006


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras. O livro é publicado pela Editora Mondrian.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


Convide um amigo para me visitar.

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