Meu pai colocou uma mensagem tão bonitinha em outro blog dele que decidi pedir emprestado para publicar aqui também. É que pessoas como eu tem algumas dificuldades a mais e às vezes ficamos impacientes porque nossos problemas não são resolvidos na velocidade que gostaríamos. Se este for o seu problema também, pode ler. Se não quiser ler tudo de uma vez, leia de gota em gota.
Não os expulsarei num só ano, para que a terra não se torne em deserto, e as feras do campo não se multipliquem contra ti. Pouco a pouco os lançarei de diante de ti... Êxodo 23:29, 30
O Pintor deixou um quadro curioso em minha janela. São gotas de uma chuva rápida enfeitando o vidro, pequeninas, frágeis, aparentemente sem grande importância. Só aparentemente, porque se não fosse por essas pequenas gotas nós não poderíamos viver neste planeta.
Deus havia preparado uma terra para o Seu povo, porém ela não estava totalmente vazia e nem pronta para eles habitarem nela. Havia inimigos morando ali, os quais Deus pretendia expulsar pouco a pouco, de gota em gota. Sábio Ele é.
Se expulsasse a todos de uma só vez, como provavelmente o povo de Israel queria, logo a terra se tornaria selvagem, cheia de animais ferozes e coberta de mato. O problema resolvido rapidamente traria problemas mais sérios.
Mas se fosse pouco a pouco, de gota em gota, lentamente, no compasso determinado por Deus, eles poderiam ter aquilo que desejavam com menor dificuldade. Desde que tivessem paciência para esperar.
Quantas vezes gostaríamos que Deus eliminasse de vez todos os nossos problemas e não vemos isso acontecer... Mas, se Deus os expulsasse todos de uma vez, quais seriam as conseqüências disso? Eu não sei, mas Ele sabe.
Como Ele faz com a chuva, que rega a terra e traz abundância de frutos, Deus costuma agir de gota em gota. A chuva não é menos eficaz pelo fato de vir de gota em gota. Assim são as pequeninas gotas de bênção e misericórdia que vemos cair em nosso dia-a-dia - às vezes nem vemos - vindas da mão de Deus. Ele sabe o que aconteceria se derramasse uma enxurrada de soluções do modo como gostaríamos que fosse.
Ainda bem que esta chuva veio em gotas, pequeninas, frágeis e aparentemente sem grande importância. Se fosse diferente, o vidro de minha janela não teria suportado o impacto.
Nem Sempre Posso Ouvir Vocês FERNANDA LOPES DE ALMEIDA O aparelho auditivo de Kim a fazia sentir-se diferente de seus amigos. Até ela descobrir que todos têm suas pequenas “diferenças”. Para crianças, o garoto que usa um aparelho de audição e suas dificuldades com os coleguinhas de escola/irmãos etc. Gostoso de ler e fácil de entender.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.