Até hoje eu não sei direito qual é o meu problema, apesar da batelada de exames a que fui submetido. Havia até uma suspeita de Síndrome de Lowe, mas não é isso que tenho. Todo mundo sabe que é algum treco genético raro, mas no final acaba sendo como alergia. Quando não se sabe o que é, basta dizer que tem alergia.
Meu problema parece estar à flor da pele. É difícil de acreditar, não é mesmo? O que a pele tem a ver com lesão cerebral, cegueira e outras coisinhas mais? As apostas começam a apontar para a Ictiose, uma doença de pele de origem genética que causa ressecamento e a descamação.
Eu já sabia que tinha Ictiose, mas não sabia do que ela é capaz. Veja só, ela é rara, está ligada ao Cromossomo X, só dá em homem, embora a mulher seja transmissora, e pode causar problemas de parto que, por sua vez, pode ocasionar falta de oxigenação no cérebro e deixar o bebê com alguma lesão, como a que tenho.
Tudo isso porque falta um negocinho chamado sulfatase de esteróides. Às vezes, quando os médicos sabem que existe a possibilidade do bebê ter herdado Ictiose de alguém da família, eles fazem o parto mais cedo por precaução.
Quer saber mais? Veja que danadinha que é essa doença de pele. Em 50% dos casos pode causar manchas brancas na córnea. Bem, eu nasci com catarata que é o cristalino branquinho, branquinho, e só fui operado quando fui adotado aos 4 anos.
Tarde demais. Já tinha afetado o desenvolvimento da visão que ocorre nos primeiros meses após o parto. Além disso tenho microftalmia, que são olhos pequenininhos. Mas não sei se isso tem a ver com a doença, porque as pesquisas só falam de problemas na córnea, que não sei se acontece comigo.
Em 20% dos casos os testículos não descem, como deveria acontecer nos primeiros anos de vida do menino. Quando não descem, eles podem acabar desaparecendo, absorvidos pelo corpo, como aconteceu comigo. Talvez isso tenha interrompido meu desenvolvimento antes de chegar à puberdade, pois hoje sou adulto mas tenho feições e corpo de menino, além de ausência de pelos no corpo.
A Ictiose pode afetar o sistema nervoso e causar retardo mental ou outras anormalidades neurológicas, apesar de ser uma conseqüência rara da doença. É claro que, se ocorrerem problemas no parto e ainda assim vier essa conseqüência rara no pacote, a pessoa pode acabar com sérias limitações. Acho que fui premiado...
Um livro que trata da importância do "tocar" em todos os aspectos do desenvolvimento humano. O autor dedica especial atenção à pele e ao tocar para a saúde física e mental, mencionado a descoberta das funções imunológicas da pele e acentuando a importância do tocar, especialmente para os idosos. São relatadas novas pesquisa experimentais sobre os efeitos da privações do toque e é demonstrada a relação entre tocar e criar imagens. Montagu da ênfase especial à importância do tocar em situações psicoterapeuticas. Um livro altamente estimulante e provocativo, indispensável ao profissionais da área.
Olá Pedro! Gostaria de parabenizar a toda sua família pela vontade, garra, amor de verdade. um amor incondicional que ultrapassa as fronteiras da estética,que não mede esforços para fazer valer o direito à vida do ser amado. Um beijo no coração de todos voces.
Abraços fraternais
Franco
Enviado por LUIZ ANTONIO FRANCO BUENO em 04/10/2007
oi Pedro, vi sua mensagem por acaso, pesquisando um trabalho da faculdade sobre probleminhas parecidos com os seus, e me encantei com sua história, também tenho uma pessa muito espe4cial em minha família chamada Rafael, meu afilhado e sobrinho, tem uma problreminha camado osteogenese imperfecta, mas isso de maneira alguma o impede de viver, sonhar e acreditar muito na vida com um sorriso sempre largo a todos,e ainda com uma palavra de carinho para quem quer que seja. Pessoas como voces é que são exemplos de vida e nos ensinam a viver, pode ter certeza disso, nada é por acaso, bjs no fundo do seu coração e que Deus te abençoe ainda mais Maria do Carmo
ola pedro! sou mae do gabriel tambem portador desta "alergia" e acabo de mostrar esta pagina para ele o qual adorou. e cocordo com a keli realmente nos e que somos os premiados.
Enviado por fernanda araujo em 28/08/2006
Olá, Pedro
Cliquei neste site por coincidência, e acabei lendo todas as páginas possíveis que dizem sobre você, que com certeza é uma pessoa muito especial. Quero parabenizar seus pais que a coragem é o inicio de uma história fascinante.Li e me emocionei com as palavras deixadas no site, afinal você é uma lição de vida, pois em inumeras vezes enxergamos mais com o coração do que com o próprio olhar. Você foi realmente previlegiado por ter pais maravilhosos, que te tratam com todo amor e carinho, e através desse amor que vem a sua força de viver sempre mais e mais.
obrigado, por ter me dado a chance de ler e aprender mais e mais com as suas palavras.
quero parabenizar todos pais que tem filhos especiais pois deus te deu o previlegio de voce ver a vida por anglos diferente tambem tenho filho especial a vida mudou de sentido p/mim hoje vejo as mas colorida
Enviado por gislene em 21/07/2006
oi Pedro, Se me permite, quero falar sobre "à flor da pele". Talvez o fato das coisas ficarem à tona, ou melhor virem à tona, faz com que a transparencia de tudo aquiete a mente. Temos necessidade, na maioria das vezes por ordem prática, da busca da verdade para auxiliar nos passos seguintes e termos nosso caminho mais iluminado e elucidado. Porém é sob a pele que o coração sempre enxerga. Força em sua busca e acredite que você realmente foi premiado. Porém, o presente é nós que recebemos, com sua verdadeira vontade de viver e demonstrar a vida em toda a sua plenitude. Obrigado por suas palavras.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.