Sabe quem é esse carinha aí, preso pelas orelhas? Meu ex-amiguinho de pelúcia. O coitado já era. Esse foi seu último banho e sua última estadia no varal para secar. O que ele fez para ficar preso ali? Sujou.
Meu pai tirou a foto antes de comprar outro bichinho, um cachorrinho que já deixei em estado lastimável. O único que ainda está novinho é aquele coelhinho infame com o uniforme da seleção da Argentina. Com o qual me recuso terminantemente a brincar.
Mas queria falar um pouco sobre meu ex-companheiro preso pelas orelhas. Tem muita gente que me vê numa cadeira de rodas e pensa assim: "Coitado..." . Ou vê algum amiguinho meu de muletas e também pensa: "Coitado..." Ou qualquer pessoa presa de alguma forma a uma cama. A mesma coisa: "Coitado..."
A dó é por achar que essas pessoas estão presas, como meu bichinho estava pelas orelhas. É que existe uma falsa noção de liberdade na cabeça das pessoas. Para a maioria, liberdade é fazer tudo o que queremos fazer. Essa é uma noção burra de liberdade.
Liberdade é um estado de espírito e tá cheio de gente por aí presa a um montão de coisas e nem se dá conta de quantas restrições têm. O mundo mais parece um varal de gente pendurada. Uns pelas orelhas, como meu bichinho, mas outras pelo coração, pela vontade-própria, pelo orgulho, pelo dinheiro, pelos preconceitos... Nossa! Haja varal!
Meu pai disse que Cervantes escreveu "Dom Quixote" quando estava preso. Para um preso, até que ele mandou bem a sua mensagem para um monte de gente, não é mesmo? Esta semana tinha uma notícia no jornal que "Dom Quixote" foi publicado agora em Quéchua.
Você não sabe falar Quéchua? É fácil: "Huh K'iti Mancha Suqupi Chaypa sutinta mana yuyanyta Munanichu" quer dizer "Num lugar da Mancha de cujo nome não quero recordar-me". Os Incas falavam essa língua que ainda é falada por 20 milhões de pessoas.
E Quéchua é apenas mais uma das cerca de 40 línguas para as quais Dom Quixote foi traduzido. Cervantes, que na cadeia nem tinha celular, consegue falar com muito mais gente do que eu e você juntos. Preso? Ele? Tá brincando.
Então, da próxima vez que você achar que um portador de deficiências está privado de sua liberdade, pare um pouco e pense outra vez. O apóstolo João escreveu o Apocalipse preso na Ilha de Patmos. Preso?
O apóstolo Paulo e seu amigo Silas também foram presos um dia. Os guardas, "...havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança. O qual, tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco. E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam." (Atos 16)
Prisão, cárcere interior, pés no tronco... Quer alguém com menos liberdade do que isso?! Mas os dois cantavam. E se você continuar a ler a história, quando Paulo se encontra com o carcereiro, é bem capaz de exclamar: "Ei! Afinal, quem é o preso aqui?!"
Nosso Verdadeiro Lar JONI EARECKSON TADA Céu transmite esperança para hoje e visão para aqueles que enfrentam batalhas nesta vida, convida-nos a ver um retrato renovador e cheio de fé sobre o nosso glorioso destino. Assim que tiver um vislumbre do céu, você verá a Terra sob uma nova luz.
Dê um passo para trás, focalize seus ohos da fé e depois venha, com Joni, conhecer um mundo sobre o qual, desde a juventude, você sempre ouviu falar, mas nunca viu: o céu. Talvez você descubra que o céu está mais perto e é mais real do que você imagina.
Neste prazeroso livro Joni Eareckson Tada retrata de forma brilhante a verdadeira morada do nosso coração. Ela descreve como o céu será, o que faremos lá e quem veremos. E mostra como o céu será a realização de todos os clamores do nosso coração por algo mais verdadeiro de que qualquer outra coisa deste lado da eternidade. E Joni conta-nos como podemos nos preparar agora para a realidade do céu. (Joni ficou tetraplégica, ainda adolescente, quando sofreu um acidente em um mergulho. Leia mais sobre ela aqui)
Acho lindo a historia de paulo e silas, e aprendo muito com eles mesmo diate de qualquer luta e proplema não devemos nunca deixar de louvar a DEUS como eles fizeram.
>>>>> MARIO PERSONA RESPONDE PARA MARCIA GANDARELA: Não fique constrangida por isso. Cada um tem seu trabalho a cumprir. Adotar o Pedro é apenas um ato em uma cadeia onde muitas pessoas tiveram alguma participação. Você também certamente é alguém importante no que faz, porque nenhum de nós consegue fazer coisa alguma sozinho. Dependemos uns dos outros e, especialmente, de Deus. Se o Pedro caiu, por assim dizer, de pára-quedas nesta família é porque Deus tinha um plano neste sentido. Quando Ele faz, os homens são apenas instrumentos em Suas mãos.
Enviado por Mario Persona em 21/06/2006
ser for real mesmo manda beijos para ele epara todos
Cada vez que leio a história de Pedro, sinto muita vergonha do meu eu interior e vejo como são raras pessoas com sua coragem. Vocês realmente abriram os braços, a alma e coração. Glória a Deus por sua iniciativa e pelo amor derramado em seus corações. Você "viaja" ao observar cada detalhe do dia a dia de Pedro, traduz de uma forma muito especial para nós.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.