Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"O que fariam sem mim?" - "Preso? Eu?!!"

27/05/2006
Quando I Bambini Fanno Oh!

Meu pai voltava de São Paulo escutando a Rádio Antena 1 quando tocou uma música italiana. Ele ficou tão encantado que não tirou mais a música da cabeça. Depois que chegou em casa ficou procurando na Internet, e nada. O jeito foi mandar um e-mail para a rádio.
shocked



Aviso aos navegantes: Nos comentários lá no fim da página tem um montão de gente escrevendo como se eu tivesse morrido. Meu pai descobriu que elas viram na TV o caso da morte de um menino chamado Pedrinho e mostraram um vídeo dele com a música "Quando I Bambini Fanno oh!". Devem ter procurado pela música e acharam meu blog pensando que o mesmo Pedrinho.

Diferente do que acontece com muitos sites de empresas, a Rádio Antena 1 respondeu na hora. O nome da música era "Quando I Bambini Fanno Oh!", de Giuseppe Povia. Meu pai achou a música e a letra lindas. Mas, cá entre nós, meu pai entende tanto de italiano quanto eu de japonês.

Talvez, por não entender direito o que o cantor dizia, a letra ficou ainda mais bonita porque ele entendeu o que quis entender. Quando isso acontece, quem canta é o coração e quem compõe é a emoção. Mas ele sabia que a letra falava de crianças e de uma expressão delas na Itália: "Oh!"

Depois de procurar muito, meu pai encontrou até um comentário de uma brasileira que mora na Itália, explicando a expressão:

"Para as pessoas que conhecem o idioma italiano, aquele vivo, das expressões idiomáticas, sabe ao que me refiro. As crianças aqui, quando se espantam com alguma coisa, quando algo as surpreende dizem um lindo e sincero OH!!!!, na música também fala do costume dos adultos e das suas complicações... Porque perdemos o encanto das coisas, das pequenas coisas? Sei que não dá pra crer em Papai Noel pra sempre, mas poderíamos pelo menos não perder o encanto infantil. E tem pessoas que não o perdem, poderia escrever aqui o nome de meia dúzia delas, que a idade não tira o encanto das pequenas coisas, a alegria por tudo e por nada." Anaí Silva Tobias, blog "Da havaianas para a bota".

A letra eu vou colocar logo abaixo, ao lado de uma tradução que meu pai achou no site do Kinder Ovo. Ele queria comprar o CD mas ainda não achou no Brasil. Oh! Pelo jeito o Giuseppe Povia não era muito conhecido por aqui antes da propaganda do Kinder Ovo, para a qual ele gravou a versão exclusiva em português (pode ser que ainda toque quando você entra no site do Kinder Ovo, mas também há uma versão no YouTube). A original, italiana, ele achou em um site que toca a música em MP3, além do vídeoclipe no YouTube. O problema é que não agüento mais. Ele fica tocando o dia inteiro. Acho que é hora do bambino aqui dizer um alto e sonoro: "Oh!

"Quando I Bambini Fanno Oh!" - Giuseppe Povia







Quando i bambini fanno oh
c'è un topolino
mentre i bambini fanno oh
c'è un cagnolino
se c'è una cosa che ora sò
ma che mai più io rivedrò
è un lupo nero che da un bacino
a un agnellino


Tutti i bambini fanno oh
dammi la mano perchè mi lasci solo
sai che da soli non si può
senza qualcuno, nessuno può diventare un uomo
per una bambola o un robot
magari litigano un pò
ma col ditino ad alta voce
almeno loro, eh, fanno la pace
così ogni cosa nuova è una sorpresa
proprio quando piove
i bambini fanno oh guarda la pioggia


Quando i bambini fanno oh
che meraviglia, che meraviglia
ma che scemo vedi però però
e mi vergogno un pò
perchè non sò più fare oooooooh
e fare tutto come mi piglia
perchè i bambini non hanno peli
ne sulla pancia,ne sulla lingua


I bambini sono molto indiscreti,
ma hanno tanti segreti
come i poeti
i bambini volan la fantasia e anche qualche bugia
o mamma mia.bada
ma ogni cosa è chiara e trasparente
che quando un grande piange
i bambini fanno oh
ti sei fatto la bua è colpa tua


Quando i bambini fanno oh
che meraviglia, che meraviglia
ma che scemo vedi però però
e mi vergogno un pò
perchè non sò più fare oh
non sò più andare sull'altalena
di un fil di lana non sò più fare una collana


lalalalalalala


Fin che i cretini fanno
Fin che i cretini fanno
Fin che i cretini fanno BOH
tutto resta uguale


Ma se i bambini fanno ohh
basta la vocale
io mi vergogno un pò
invece i grandi fanno NO
io chiedo asilo, io chiedo asilo
come i leoni io voglio andare a gattoni
e ognuno è perfetto
uguale il colore


evviva i pazzi che hanno capito cosa è l'amore
è tutto un fumetto di strane parole
che io non ho letto
voglio tornare a fare oh
perchè i bambini non hanno peli
ne sulla pancia ne sulla lingua

Quando as crianças fazem Uau!
tem um ratinho
quando as Uau!
tem um cachorrinho
tem uma coisa que eu sei
que nunca mais irei rever
é um lobo mau que dá um beijinho
num carneirinho


E as crianças fazem Ei!
me dá a mão, porque me deixa só
sem ajuda de ninguém
sem qualquer um ninguém pode virar um homem
uma boneca ou robô
talvez, talvez brinquei um pouco
mas com um dedinho em alta voz
ao menos eles, é?, fazem as pazes
e cada coisa nova é uma surpresa
até quando chove
as crianças fazem Uau!, olha que chuva


Quando as crianças fazem Uau!
que maravilha, que maravilha,
mas que bobo, veja só, olha só,
eu me envergonho um pouco,
já não sei mais fazer Uau!
e fazer tudo como eu quero
porque crianças falam sempre
falam tudo, tudo que pensam


As crianças são muito sinceras,
mas têm tantos segredos,
como poetas
e as crianças se ocupam com fantasias e com poucas mentiras
oh mama mia.bada
e mas tudo é claro e transparente
quando um adulto chora
as crianças fazem Ei!
você fez um dodói, a culpa é tua,


Quando as crianças fazem Uau!
que maravilha, que maravilha,
mas que bobo, veja só, olha só,
e me envergonho um pouco,
já não sei mais fazer "Uau!"
não brinco mais numa gangorra,
não tenho a chave que abre a porta dos nossos sonhos


lalalalalalala


Enquanto os chatos fazem
Enquanto os chatos fazem
Enquanto os chatos fazem BÔ
tudo fica igual


Mas se as crianças fazem Uau!
ei, basta uma vogal,
eu me envergonho um pouco
e os adultos fazem NÃO
eu peço abrigo, eu peço abrigo,
como os leões, eu quero andar engatinhando
cada um é perfeito
e iguais na cor


e viva os loucos que perceberam e que o amor
é tudo uma história e tem as palavras
que eu não entendo
quero voltar a fazer Uau!
quero voltar a fazer Uau!
porque as crianças, falam sempre
falam tudo, tudo o que pensam.


Educação Inclusiva
PETER MITTLER

Este livro apresenta uma visão abrangente e reflexiva a respeito da importância, urgência e desafios atuais para a implementação de políticas educacionais inclusivas, as quais efetivamente contribuam para o fim da pobreza e da exclusão social, por meio de uma educação qualificada para todos.

"O que fariam sem mim?" - "Preso? Eu?!!"



 

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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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