Hoje ganhei um montão de presentes. Tudo roupa - camisetas, camisa Polo e uma calça de moletom. Meu pai aproveitou que estava em um supermercado e, como ele é super mão-de-vaca, foi jogando no carrinho tudo o que estava em liquidação. Até aí tudo bem, eu até me sujeito a vestir etiqueta SS - Saldão de Supermercado. Mas traição, isso não!
Pra não dizer que só trouxe roupa, ele trouxe também um bichinho desses de pelúcia. Eu sou um grande consumidor de bichinhos de pelúcia porque fico o dia todo com um na mão balançando de um lado para o outro. É minha segunda diversão, depois de ouvir música. Como costumo detonar os bichinhos, de vez em quando é preciso comprar um novo. E meu pai comprou.
Um coelhinho lindinho, sorridente, orelhas longas, braços abertos e até tênis nos pés. Tudo maravilhoso, perfeito e com um algo mais: vestido com o uniforme da seleção. Isso mesmo, no supermercado tinha caixas e mais caixas de coelhinhos, todos eles vestidinhos de camisa, shorts e chuteira, prontos para jogar na Copa do Mundo. O meu também veio de uniforme. Adivinha...
Isso mesmo. Dá pra confiar num pai assim? Isso é traição da pior espécie! Esse bichinho eu faço questão de detonar mais depressa... vou morder, torcer os bracinhos dele, torcer suas perninhas, babar no seu uniforme. Gente, tinha uniforme de todos os times do mundo, e meu pai foi escolher justo... Eu acho que foi de propósito... só pode ter sido!
Educação Física Especial para Deficientes SIDNEY DE CARVALHO ROSADAS Educação Física Especial para Deficientes propõe-se a apresentar, de forma prática e objetiva, as especificidades que norteiam a orientação e prática da Educação Física para Deficientes. Os capítulos iniciais compreendem, didaticamente, as formas de deficiência e avaliação do deficiente. Posteriormente são relacionadas as técnicas para seleção e prescrição de progressos motores e formas de mensuração dos resultados, através de fichas de registro dos dados, que são inseridas no final dos capítulos. A fim de enriquecer o conteúdo da obra e facilitar a compreensão dos temas, o autor inclui situações vivenciadas na aplicação dos conceitos abordados.
Olá Pedro, Eu e minha irmã estamos na Austrália e um certo dia sem fazer nada resolvemos entrar no site "Youtube" e encontramos vídeos das palestras do seu pai, video vem video vai... resolvemos saber mais sobre a vida dele, e acabamos encontrando vc... gostariamos de falar para vc continuar buscando e alcançando seus sonhos, pois a cada conquista seu papai fica mais orgulhoso de vc. Parabéns a vc e dê um forte abraco em seu papai.
Encontrei este site no acaso dos acasos e estou simplesmente encantada. Horrorizada com o time do coelhinho de pelúcia, mas com forças renovadas de ver tanto amor. O que Deus faz excede todo entendimento. Pedro, que Deus abençoe a você e a sua família: sua mãe paciente em te educar, seu irmão que aturou até seus roncos (rsrsrs), sua irmã que cuidou de você e seu pai que é suas mãos e olhos neste site.
Mário, entendo seu gesto. Já q era pro pequeno "detonar" o presente que fosse um aficcionado pela Argentina e não Brasil, né! rsrs... Mas os filhos são assim mesmo! Nós os amamos mesmo assim! Adoro seus textos!
Enviado por Joyce Nogueira em 26/04/2006
Mário,
Vc sempre me encanta e me emociona. Sua família é linda!!
Um grande bju. a todos!!
"Que o Senhor vos capacite mais e mais e tb vos dê graça para a realização das boas obras!!!"
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.