Fiquei triste outro dia quando soube da morte da Super-Mulher. Não, não é aquela que voa, que tem visão de raios-X e que se esconde debaixo de uma capa e de uma identidade secreta. Todo mundo sabia o nome dela: Dana Reeve.
Isso mesmo, era esposa de Christopher Reeve, o Super-Homem dos filmes, que sofreu um acidente ao cair de um cavalo em 1995 e ficou tetraplégico, incapaz de se mover do pescoço para baixo. Sua esposa Dana morreu de câncer no pulmão aos 44 anos de idade, apenas sete meses depois do diagnóstico.
Sabe por que eu acho que ela era uma Super-Mulher? Porque é difícil encontrar gente assim, principalmente naquele mundo em que ela e seu marido viviam. Além de esposa de um ator de Hollywood, Dana também foi atriz e cantora.
Muita gente desaparece quando a coisa aperta, às vezes até por falta de estrutura emocional. Mas ela ficou ao lado do marido para o que der e vier. Bacana isso, não? Coisa de Super-Mulher. As meninas que sonham ser modelo que me perdoem, mas modelo foi ela.
Não só cuidou de seu marido nas piores circunstâncias, como também levou adiante a Christopher Reeve Paralysis Foundation, que investiu mais de 8 milhões de dólares em projetos para encontrar a cura e melhor qualidade de vida para vítimas de paralisia.
Há muitas mulheres por aí que também estão usando seus poderes fantásticos para cuidar de portadores de deficiência. Elas são pouco lembradas, mas existem. Quando Christopher Reeve descobriu que tinha ficado tetraplégico ele ficou tão deprimido que só queria morrer. Quem o ajudou nessa hora foi sua Super-Mulher quem salvou sua vida dando o suporte de que ele tanto precisava:
— Eu ainda amo você, não importa o que aconteceu. Você continua sendo você. — disse um dia a Super-Mulher ao Super-Homem.
Superar o Impossível CHRISTOPHER REEVE Neste livro, Christopher Reeve mostra ao leitor que ninguém precisa aceitar qualquer tipo de limitação - imposta por si mesmo ou por terceiros -, podendo recorrer à força interna que pulsa em cada um e apenas aguarda uma decisão para ser despertada. Superar o Impossível ensina que a vida não deve passar em brancas nuvens, podendo ser vivida em sua plenitude, com entusiasmo, curiosidade e gratidão. Nesta obra de enorme poder inspirador, Reeve demonstra que sempre é possível viver intensamente, contando histórias surpreendentes sobre sua carreira, sua lesão na coluna e sua dedicação a muitas causas. Vida e obra a serviço da superação de obstáculos aparentemente intransponíveis.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.