Já ouviu isso na porta do banheiro? Você lá, louco de vontade, a porta fechada e alguém lá dentro demoraaaannndoooooo. Ai que tristeza! Pois foi o que aconteceu. Bem, quase isso.
Meu pai estava me levando para o banheiro — se você não sabe eu vou engatinhando — e se assustou quando chegou na porta, que estava meio encostada, e ouviu:
— Uh! Uh! Uh!
Quem será que estava lá? Eu estava ali, bem atrás dele. Ele estava lá, bem na minha frente. A babá, a única pessoa além de nós naquele momento, estava na lavanderia. Quem estava no banheiro?
Você assistiu aquele filme "Psicose" de Alfred Hitchcock, no qual uma mulher é morta no chuveiro? E viu o outro, "Os Pássaros", que invadem a cidade? Pois junte os dois e você vai descobrir quem estava no chuveiro: minha vizinha a pombinha!
Sabia que ela está fazendo um ninho na árvore da rua em frente ao prédio? Meu pai já teve até uma idéia para escrever sobre o ninho no blog "O Pintor em Minha Janela", mas está esperando meu irmão vir nos visitar com sua câmera com zoom para colocar a foto lá no blog.
Vamos Tomar Banho! BEATRIZ MATIOTTI ODRIOZOLA De forma lúdica, por meio de frases curtas e textos rimados, a Coleção Maternal ensina a criança a lidar com as pequenas tarefas do cotidiano, como se alimentar, tomar banho, escovar os dentes e usar o vaso.
Pedro, eu já era uma grande fã de seu pai, mas agora virei adoradora e de você virei fã número 1. Sempre que lia os artigos que seu pai escreve via muita humanidade e amor ao próximo neles. Agora sei que não se trata apenas de Marketing. Trata-se de Iluminação. Fiquem bem todos vocês dessa família de gênios. Wal Rezende - Goiânia-GO.
Olá Pedro, Tudo bem meu anjinho.Tenho um filhinho de três anos "autista leve". Visito vários blogs, mas hoje quando descobri o seu, confesso que fiquei muito emocionada.Seu pai é uma benção em sua vida.Um grande abraço nos dois.Que Deus esteja sempre com vocês.Jacimar,mãe do Vinícius. Rio de Janeiro.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.