Sou um torcedor fanático. Vivo torcendo aqui, ali e acolá. Não paro de torcer. Acho até que vou fazer parte de alguma torcida organizada, porque ninguém é mais torcedor do que eu.
Minha última torcida foi no tornozelo. Vivo torcendo, ora o direito, ora o esquerdo, para equilibrar minha torcida. É que eu saio pela casa engatinhando e, para isso, preciso descer da poltrona, do sofá, de onde estiver. Nessas horas, se me distraio, acabo caindo sentado em cima do pé e dá até para ouvir a torcida gritar.
Aí é hora de meu pai encher meu pé de pomada, espirrar um negócio em aerossol, colocar gelo e enrolar. Sim, meu pai é tão bom enrolador quanto eu sou torcedor. Ele enrola gaze, vai enrolando, enrolando, até eu ficar com pé de múmia.
Depois ele coloca um tipo de suporte ortopédico cheio daquelas tirinhas de Velcro que fazem a gente arrepiar quando tira e põe. Pensa que acabou? Nada. Como eu não posso engatinhar ou me apoiar em meu pé, tudo passa a ser na base do carrega pra cá e carrega pra lá. Pensa que é fácil? Já tentou colocar cueca em estátua? É parecido.
Se for igual das outras vezes deve levar uma semana ou uns dez dias para sarar. O lado bom disso é que ajudo meu pai a perder barriga e a exercitar os músculos. No mais eu adoro, porque para me carregar ele manda eu abraçar seu pescoço e saímos pela casa, ele andando e eu pendurado em seu pescoço. Como gosto de um abraço, não reclamo.
Agora estou torcendo por outra coisa também. Estou torcendo para meu pai modernizar este blog. Ele passou dias brigando com um tal de RSS e só acabou conseguindo colocar no blog dele depois que meu irmão veio ajudar. Agora quem quiser saber quando o blog fica atualizado não precisa ir até lá. É só usar um leitor de RSS ou "feed" que fica sabendo.
Não seria bom ter isso aqui também? O problema é que meu pai começa a viajar pra cá e pra lá fazendo palestras e tempo para meu blog é o que não sobra. Então, se quiser me ajudar a ter um blog moderninho, com RSS e tudo, NÃO CONTRATE MEU PAI para ele ter mais tempo para cuidar de meu blog. (Atenção: Este trecho foi censurado pelo Editor).
06/03/06 - P.S. do Pedro: Viu o que um pouco de pressão é capaz de fazer? Meu pai conhece bem o meu poder de formador de opinião. Dê uma olhadinha na coluna da direita. Agora você pode receber este blog por e-mail ou saber quando é atualizado por meio de seu leitor de feed ou RSS. Não sabe o que é isso? Clique aqui: "O que é RSS"
Deficiente Visual: um Novo Sentido de Vida SONIA MARIA SALOMON Propostas psicopedagógicas para ampliação da visão reduzida. Esta é a principal contribuição desse livro destinado a indivíduos que tenham visão subnormal. Oitenta por cento dos legalmente cegos têm visão útil para fins funcionais.
fiquei emocionada com a sua história Pedro, faço Serviço Social na Universidade São Francisco em São Paulo.Estava fazendo pesquisa para um trabalho sobre deficiência física e te encontrei, sua história vai ser contada através do meu trabalho. Quero parabenizar seus pais e seus irmãos pelo grande coração que eles tem, todo mundo deveria ser como eles aceitar as diferenças não é para qualquer um,só tendo um grande coração como o da sua família. Beijos e toda felicidade do mundo você é um vencedor............
Acabei te achando de novo... Muito engracado como me deparo com seus blogs toda vez que busco algo na net. E sempre um prazer "ler um pouco de voce". Abracos!
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.