Sabe qual minha dificuldade estes dias? Me adaptar ao fim do horário de verão. É que meu relógio é mais moderno, é interno, e depois que está acertado, não tem por onde mudar. O resultado? Estou acordando às seis da matina, para desespero de meu pai.
Não que ele precise acordar para me colocar no banheiro — o que, por sinal, já aprendi a fazer sozinho, graças a uma barrinha na parede ao lado do vaso. Meu pai é madrugador e seis horas da manhã para ele já é quase hora de almoçar. Então ele não fica bravo por isso não.
Só fica bravo quando faço xixi na poltrona ao lado de seu computador, como aconteceu ontem. Fazer o quê, ele estava no telefone um tempão e nem percebeu meus sinais imperceptíveis de vontade de fazer xixi. Será que fiz para chamar a atenção? Vai saber...
Mesmo assim a bronca é só para constar, porque pai tem que ser pai e entender as limitações de seus filhos. Deus é assim, por isso Ele agüenta a gente do jeito que agüenta. Já pensou, Deus, que é perfeito, vendo as besteiras que a gente faz por aqui?!
Deus é seu pai também? Ué, por que o espanto pela pergunta? Não vai me dizer que acredita na frase popular, "Somos todos filhos de Deus"? Deve ser do mesmo autor da "Ajuda-te que Deus te ajudará" e "Vox Populi, Vox Dei", ou "A voz do povo é a voz de Deus" para quem não sabe latim.
No evangelho de João diz que filhos de Deus são apenas os que recebem a Cristo. Os outros são criaturas de Deus. Para passar de criatura para filho, você precisa ser adotado por Deus, do mesmo jeito que eu precisei ser adotado para poder chamar meu pai de papai.
Dia desses meu pai estava lendo a história de José, filho de Jacó, e é incrível as semelhanças de sua vida com a vida de Jesus. José era o filho preferido de seu pai, se distinguia dos outros por uma túnica de muitas cores, foi rejeitado por seus irmãos, vendido por algumas moedas, lançado numa cova para morrer, mas acabou virando vice-rei o Egito e salvou da fome e da morte seus irmãos e sua família.
Enquanto estava no Egito, José ganhou uma noiva que não pertencia a seu povo — a Bíblia chama de "gentio" quem não é "judeu" — e teve dois filhos, Manassés e Efraim. Estes filhos acabaram sendo adotados por Jacó e passaram a ter os mesmos privilégios dos outros filhos do patriarca.
"Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse a ti no Egito, são meus: Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão." Gênesis 48:5
Veja só que interessante: o conjunto das pessoas adotadas como filhos por Deus recebe, na Bíblia, o nome de "Igreja" e em alguns lugares esta é comparada a uma noiva que foi trazida de fora do povo judeu. Como aconteceu com a noiva de José. Mas o mais bonito é o que Jacó diz de seus novos filhos, os que adotou: "São meus!". Deus diz o mesmo dos que agora são Seus filhos.
Estes — e só estes — podem chamar a Deus de "Aba". Sabe o que quer dizer? Não é só "Pai" não, mas "Papai". Você acha que Aquele, que hoje diz de Seus filhos, "São meus!", e pode ser agora chamado de "Papai" é um Deus carrancudo como muitos O vêem? De jeito nenhum!
Caminhos do Coração: Pais e Filhos Adotivos, Os MARIA TEREZA MALDONADO Falar de adoção é um tema difícil e delicado, pois geralmente vem acompanhado de anos de tentativas, tratamentos e frustrações de casais impossibilitados de conceberem, gestarem e darem à luz. Escrito com a cabeça e o coração, este livro esclarece e analisa as apreensões e as expectativas comuns a todos os que estão envolvidos no processo de adoção.Lembre-se, a adoção põe fim ao tédio, ao vazio e à solidão.
Olá Pedro!! É muito bom saber que posso te chamar de irmão!! Por que?? Porque Deus também é meu Pai!! Ele me adotou e eu o aceitei plenamente!! Assim como o aceito como meu irmão e, ficaria feliz em saber se me aceita também!! Deus o abençoe, querido..Hoje e sempre. A partir de hoje serei uma frequentadora assídua de seu blog!! Amei vc!! Beijo,
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.