Hoje se fala muito em inclusão, e isso é "bão". Viu como rimou? Assim devia ser com as pessoas, elas deveriam rimar umas com as outras, viver no mesmo tom, se harmonizar. Infelizmente nem sempre acontece, por isso se fala tanto em inclusão. O que — mais uma vez — é "bão".
Eu estaria aqui pensando com meus botões, se não estivesse de camiseta, e perguntando: "Afinal, a inclusão é de quem?". Isso mesmo. Quem deve ser incluído onde? Quem é o excluso dessa história? Já pensou nisso?
Eu não tenho problema nenhum de relacionamento com as pessoas, e posso perfeitamente incluir você entre meus amigos. Não se preocupe, eu não ficarei constrangido em ser visto perto de você, que é diferente de mim. Também não vou ter vergonha de você, ok?
Desde pequeno eu sempre incluí minha família em todos os passeios, brincadeiras, viagens. Sempre os considerei minha família e os tratei de modo inclusivo. Oras, não percebeu que sou do tipo politicamente correto? Olha nós aí, em 1987, quando eu deixei que eles fossem comigo à praia e brincássemos juntos.
O fato de meus irmãos serem diferentes de mim não mudou nada. Sempre procurei deixá-los à vontade ao meu lado. Afinal, eles não têm culpa de terem nascido diferentes de mim. Eu nunca os discriminei por isso e o engraçado é que muitas crianças não têm esse papo de discriminação. Com quem eles aprendem isso?
Oras, com os adultos! Quantos pais por aí zombam de pessoas diferentes, fazem piadas, constrangem. Alguns até fogem pensando que é contagioso, fazem os filhos olharem para outro lado ou fazem cara de dó. Isso quando não batem na madeira e fazem outras bobagens supersticiosas. Tem sim, tem disso tudo! Mas sabe de uma coisa? Qualquer um pode ter um filho diferente um dia. Qualquer um pode ficar diferente um dia e a maioria vai mesmo. Sabe por quê?
Porque você fica velhinho, começa a queimar óleo, bater biela, perder os freios, falhar na subida. Ou pode estar com tudo em cima — motor, câmbio e direção — e ter uma cabeça cheia de minhocas, viver um inferno de tristeza e inquietação, ser um "mala" que ninguém quer ter por perto. Diferente, eu?! Somos todos iguais. Todos diferentes. Todos precisando de inclusão.
"LEMBRA-TE também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade." Eclesiastes 12:1-8
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Educação Inclusiva e Necessidades Educacionais Especiais DAVID RODRIGUES, RUY KREBS, SORAIA NAPOLEAO FREITAS A obra Educação Inclusiva e Necessidades Educativas Especiais, organizada pelos Professores Doutores Soraia Freitas, David Rodrigues e Rui Jornada Krebs, versa acerca da temática da Educação Inclusiva - integração dos alunos com necessidades educacionais especiais no sistema regular de ensino, baseada no respeito e no trabalho com as diferenças - já legitimada pelas leis brasileiras, mas ainda à espera de uma implantação eficaz. A discussão dos autores, especialistas e pesquisadores do assunto, alguns de distinção internacional, destina-se, sobretudo, aos professores de educação inclusiva, bem como aos pais e encarregados de tal educação.
È impressionante seu senso de humor, contar estes fatos marcantes que só te fizeram bem, eu sou pedagoga e trabalho com pessoas especiais onde aprendo todos os dias o respeito, a solidariedade e o verdadeiro amor.Obrigada por este dia que tive o prazer de conhece-lo. Abraços Emilia
Procurando num desses sites de busca , informações envolvendo o tema "somos todos iguais e diferentes", encontrei a sua história que me deixou emocionada e feliz, por saber que no mundo ainda há pessoas que acreditam que tudo pode ter uma alternativa e usam do amor, carinho, da dedicação, da fé ... para conseguir fazer pessoas como você Pedro, felizes e amados, capazes de perceber o que é realmente o sentido e a importância de TER E SER UMA FAMÍLIA.BEIJOS!!!!MARTA
Oi, estava procurando informações sobre C. H. Spurgeon e acabei parando aqui. Mas não pude passar direto, pois fui impactada pela história do Pedro e de toda a família. Provavelmente sou mais uma que se admira com as maravilhas que Deus fez na vida de todos vocês com a chegada do Pedro, mas queria deixar meu recado. Desejo que Deus continue abençoando muito vocês e renovando a graça dEle todos os dias na vida de vocês. Afinal, isso nos basta, né? Vou tentar entrar mais vezes aqui para ler as novidades.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.