Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Alguém viu meu carro?" - "As aventuras de Vicky"

31/01/2006
Igual a Moisés. Mas diferente.

Uma mamãe decidiu jogar seu bebê de três meses na água. Verdade. O gozado é que ela parecia querer e não querer ao mesmo tempo. Em vez de simplesmente jogá-lo, teve o cuidado de vesti-lo bem direitinho e cuidar para que não afundasse.
sad

O nome da mamãe era Joquebede — nome gozado, né? — e ela morava no Egito quando o rei decidiu matar bebezinhos israelitas. O filhinho de Joquebede chamava-se Moisés. Para salvá-lo, ela colocou-o em um cestinho feito de uma palha que flutua, passou betume por dentro para não entrar água e escondeu-o entres as plantas da margem do rio. Sua irmã ficou vigiando.

Quando a princesa, filha de Faraó, veio nadar, encontrou o bebê e logo viu que era do povo hebreu, mas resolveu adotá-lo. Chamou então a irmã de Moisés que estava ali sem querer querendo e pediu que ela procurasse uma mãe hebréia para amamentar o bebê. Adivinha quem a menina foi chamar? Adivinhou. A princesa contratou a mãe de Moisés para amamentar e cuidar do próprio filho. O resto da história faz parte da história da humanidade.

Bebê é encontrado em saco de lixo na Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte

Agora em Belo Horizonte acontece algo igual, só que diferente. Um bebê todo arrumadinho foi encontrado dentro de um saco de lixo amarrado a uns pedaços de madeira, boiando na Lagoa da Pampulha. Um homem que passava ouviu um miado saindo do saco e tirou-o da água pensando que era um gato. Dentro encontrou uma linda menininha, toda vestidinha de cor-de-rosa.

Esquisito isso, né? Será que a mamãe queria se livrar dela e ao mesmo tempo não queria? Será que amava menos sua filhinha do que a mãe de Moisés amou o seu? Nem imagino qual a resposta. Parece que costuma acontecer com muitas mamães, que têm "tilt" pós-parto e rejeitam o bebê. Vai saber, né? É difícil entender.

Numa hora assim vai ter muita gente tacando pedra nessa mãe, mas sabe quantos bebês vão para o lixo só no Brasil? A Organização Mundial da Saúde diz que um milhão e quatrocentos mil bebês são jogados fora todos os anos antes de terminar a gravidez.

Mas como eles costumam ser colocados em sacos de lixo bem fechadinhos, isso não preocupa a maioria das pessoas. Se fossem jogados em lagos e rios, talvez muita gente ficasse brava com a poluição que isso iria causar, não é mesmo?

A boa notícia é que a menininha da lagoa está bem de saúde e, se a notícia que meu pai ouviu for verdadeira, tem mais de trezentas pessoas na fila para adotá-la.

Gozado esse mundo... tem gente que não tem filhos e faz de tudo para ter ou adotar um. Enquanto isso tem gente que tem e não quer. Ou quer num outro momento, de outra maneira. Êitcha povinho insatisfeito esse! Ainda bem que alguém me quis, ou eu não estaria aqui contando a história. Estaria no lixo ou boiando por aí.

Mas tem Um que nunca joga ninguém no lixo. "Quando meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me recolherá" (Salmo 27:10). Porque o mais frágil e aparentemente inútil bebezinho tem muito valor para Deus e pode ser um instrumento Seu. Ou você acha que a história do mundo seria a mesma se Moisés tivesse se afogado?

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Moisés: um Homem Dedicado e Generoso
CHARLES R. SWINDOLL

Descreve a história desse homem que enfrentou e venceu grandes obstáculos não apenas circunstanciais, mas principalmente pessoais. Ele é o exemplo das transformação que a graça de Deus pode operar na vida de um homem comum que tem de lutar contra o medo e contra suas próprias deficiências e inabilidades. Talvez um tanto relutante ou até mesmo temeroso diante do chamado divino, Moisés finalmente cedeu e tornou-se um instrumento de Deus, desempenhando um papel crucial no destino da humanidade e das nações.

"Alguém viu meu carro?" - "As aventuras de Vicky"



 

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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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