Ontem aconteceu uma coisa gozada. Descobri que tenho um carro. Isso mesmo, um automóvel. O único problema é que não sei dirigir e nem tenho carteira de habilitação, mas isso acho que é o menos importante, né? Até agora eu andava de motorista, mas já estou pensando em dirigir meu próprio veículo.
É que eu, meu pai e meu irmão fomos ontem à reunião, como costumamos fazer todas as semanas. Talvez você chamaria de "culto", "igreja" ou algo assim, mas como não se trata de nenhuma religião convencional, com templos, padres, pastores ou coisas do tipo, eu chamo simplesmente de reunião, que é quando a gente se reúne para ler a Bíblia, cantar, orar, louvar etc.
As pessoas sempre costumam deixar um espaço vago bem em frente ao salão de reuniões para meu pai estacionar. Quando alguém se esquece ou vem alguém de fora e estaciona ali, meu pai precisa parar o carro às vezes até um quarteirão de distância e pilotar minha cadeira de rodas até o salão. Eu não vejo mal algum nisso, mas como ele está ficando velho, isso pode ser perigoso.
Ontem, no final, alguém se levantou para dar os avisos e lembrou as pessoas para que sempre deixassem um lugar vago em frente ao portão para o carro do Pedro. Carro do Pedro?! Eu vibrei. Nem sabia que tinha um carro! Alguém viu meu carro por aí? Estou procurando...
Faz lembrar a piada que meu pai já contou trocentas vezes e nunca se lembra de já ter contado. As pessoas riem por educação. Diz que havia dois irmãos — um pessimista e outro otimista — que ganharam do pai um presente cada. O pessimista ganhou uma bicicleta e começou a reclamar.
— Oh! Ganhei uma bicicleta! Agora vou andar de bicicleta, vou acabar caindo, quebrando um braço, vai infeccionar, dar gangrena... — e por aí foi prevendo a tragédia que a bicicleta acabaria causando em sua vida.
Já o otimista, ganhou apenas um balde cheio de esterco, mas nem pestanejou. Saiu pela casa, radiante e de balde em punho, perguntando para todos:
— Alguém viu meu cavalo? Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.
Inclusão Escolar de Crianças com Síndrome de Down MARIA ANTONIETA M.A. VOIVODIC Que condições permitirão que as crianças com síndrome de Down possam freqüentar o ensino regular? Que tipo de apoio é necessário para a inclusão? Ao mesmo tempo em que é proclamada a inclusão escolar, os pais ainda encontram muitas dificuldades para que seus filhos sejam aceitos e trabalhados de forma adequada nas classes comuns. O presente trabalho tem como objetivo analisar formas de viabilizar um atendimento de qualidade a essas crianças no ensino regular.
Caro Mario Persona, por intemédio desta pagina na internet, tomei conhecimento do livro de Antonieta Voivodic. Sou professora na educação infantil de uma escola particular em minha cidade que fica no interior de Goiás(Iporá), a 214km da capital. estou concluindo o ultimo ano em pedagogia, meus alunos tem idade ente 3 e 4 anos, e uma delas que acredito ter sido um presente para mim, é portadora de SD. Tive uma curiosidade tamanha em conhecer o livro e o projeto educar. Estou em leitura do livro ainda, mas devido a minha dificuldade em relação à minha aluna, resolvi procurar meios de entender como sao estas crianças, como ser mediadora no processo ensino-aprendizagem. Nao sei se voce pode me ajudar, mas nao tenho medo de tentar, entao resolvi, ao invés de fazer um comentario gostaria de saber como entrar em contato com a Srª Maria Antonieta. Penso em fazer uma pós graduação sobre o assunto. Desde já agradeço. Boa Noite
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.