Você já viu aqueles caras grandões andando com pernas de pau? E aqueles equilibristas que andam em uma bicicleta de uma roda só? O que eles têm em comum é que conseguem usar pernas que não são as suas para andar, e quando ficam parados balançam um pouquinho para frente e para trás para manter o equilíbrio. Agora existem pernas assim para quem não pode andar.
Isso mesmo. É o iBot. Meu pai viu em um documentário no Discovery Channel e correu lá no site para entender melhor. É uma cadeira cheia de rodas — acho que são seis no total — que anda em modo 4 rodas, para qualquer ambiente, em modo equilíbrio só em duas rodas, quando a pessoa quer ficar da altura de alguém em pé, e ainda sobe e desce escadas. Maneira, não é mesmo?
A cadeira é uma mão na roda. Ou melhor, é uma forma de tirar a mão da roda para quem usa cadeira de rodas convencional. Ela funciona com motor elétrico e é controlada por computador para poder ficar de pé sobre apenas duas rodas. Como aqueles andadores moderninhos, os Segway (à direita na imagem), para pessoas que sabem andar normalmente com as duas pernas mas são um pouquinho preguiçosas.
Quer saber se vou ter uma cadeira igual à iBot? Acho que não. Primeiro porque ela custa o preço de dois Gols e meio — existe meio Gol?! Segundo, porque eu já tenho chauffeur — assim mesmo, em francês — particular. Mas para quem não quer contratar meu pai de piloto e tem dinheiro para comprar dois Gols e meio, fica aí a dica.
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Educação Física, Atividades Motoras e Lúdicas, e Acessibilidade... MARIA CRISTINA MARQUEZINE, MARIA AMELIA ALMEIDA, ROSANGELA MARQUES BUSTO ET AL. Nono volume da Coleção Perspectivas Multidisciplinares em Educação Especial, o livro, pela diversidade das temáticas que contém, oportuniza ao leitor conhecer várias questões que afetam as pessoas portadoras de necessidades educativas especiais. A preocupação dos autores dos textos não se limitou às denúncias ou simples constatações, foi além disso, apresentando importantes propostas de intervenção, fruto de suas experiências profissionais e resultados de pesquisas.
adorei o que foi comentado e espero que assim como o Pedro outras crianças com algum tipo de deficiência tenha a sorte de encontrar pessoas que possam ajudá-las...............
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.