Não, esta não é uma mensagem de páscoa fora da páscoa. Mas é uma história de coelhinho e urticária, coisas que costumam andar juntas. Sem chocolate, mas com coceira. Sabe o que aconteceu? Quero contar.
Você se lembra da última vez, quando contei que ganhei um coelhinho lindinho de minha irmã que veio dos EUA especialmente para me visitar? Pois é, todos nós achamos que a culpa é do coelhinho. Foi só minha irmã chegar e comecei a ter urticárias.
Aparecia assim, sem mais nem menos, a qualquer hora em diferentes partes do corpo. Fomos viajar a Ilhabela e levamos a urticária e o coelhinho junto. Foi lá que achamos que uma coisa podia ser culpa da outra e o coelhinho passou as férias no porta-malas do carro, enquanto eu passeava de mãos abanando.
Foi muito gostoso lá e até pensei ter visto uma baleia, mas depois soube que era meu pai nadando. Minha irmã e meu cunhado também foram e você pode ver a gente na foto. Na volta o coelhinho foi devidamente colocado em um cesto para reciclagem — se é que existe reciclagem para coelhinhos — e a vida foi voltando ao normal. O problema é que mesmo sem coelhinho a urticária ainda continuou aparecendo, fraquinha, mas continuou.
Então fiquei com algumas dúvidas que permanecem sem resposta:
1. Será que o coelhinho deixou alguns pelinhos em lugares onde me sento e são eles que estão me irritando? 2. Não poderia ser um coelhinho terrorista, cheio de antraz ou material radioativo que foi exportado por Bin Laden para os EUA, onde minha irmã comprou? 3. Se não for o coelhinho que me deu alergia, terá sido minha irmã que chegou junto? 4. É possível reciclar irmã? Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.
Educação Especial e Inclusão LUIS DE MIRANDA CORREIA Com a entrada do século XXI, há todo um conjunto de questões com que, necessariamente, a educação especial se está debatendo. Desde qual será o melhor modelo de atendimento para o aluno com necessidades educativas especiais, incluindo aquele com problemáticas severas, até ao papel que o professor do ensino regular e da educação especial, os pais e demais agentes educativos devem desempenhar na sua educação, tudo são questões em aberto a que, com certeza, a investigação e a literatura especializada têm de dedicar especial atenção.
Tendo por base estas premissas esta obra tem o intuito de por à disposição de todos os profissionais ligados à educação - professores, terapeutas, psicólogos, médicos e pais - um conjunto de instrumentos que lhes permita não só refletir sobre as práticas mais adequadas ao atendimento do aluno com necessidades educativas especiais, mas também intervir de uma forma mais abalizada e mais criteriosa, tendo por base uma nova realidade que se avizinha, centrada numa escola para todos.
olá pedrinho, espero que esteja bem. Tou em Portugal. Voce é o caso de sobrevivência e de luta pela vida mais bonito que eu conheco. Já dei aulas de informática a adolescentes com paralisia cerebral, e apesar disso eles aprenderam a mexer no computador com a ajuda das tecnologias assitivas, que ajudam pessoas com dificuldades a aceder ao computador. É que eu acho que voce também consegue e qualquer dia já pode escrever no seu blog. muitos beijões e abraços do fundo do coração, voçe preencheu o meu dia, faz-me lembrar como vale a pena viver. Fernanda
Eu voto no coelho! Ele é o causador da alergia, ou você acha que uma irmã que te presenteia com mimos e vem dos "states" só pra te ver iria te causar alergia? Ah fala sério! Faz tempo que não apareço aqui pra "te ler", é que eu estou correndo tanto quanto o seu pai. Mas, mesmo com atraso, te desejo um feliz 2006, com muita saúde, presentes e menos alergia. Beijão
Enviado por Camila em 11/01/2006
OI PEDRINHO LINDO QUERIDO! Ah que coisa chata isso de alergias ! Hum eu tenho quando como amendoim, e demora pra passar viu! Acho que a sua alergia não foi do coitadinho do coelhinho, e sim de emoção por estar com sua maninha novamente neh hihihi! uhauha você está 1 gato muito lindo nessa foto ok! E o seu papito, sua maninha e cunhado também estão muito bonitos parabéns! Eu agora estou indo pra praia curtir o sol que resolveu sair hoje uahuah! Beijokinhas docinhas de cerejinha em seu fofinho e lindo coraçãozinho!
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.