Não contei para você? Adivinha quem está aqui me visitando? Minha irmã! Quero dizer, "my sister", porque ela agora mora nos EUA. Veio de lá até aqui só para me ver. Bem, o resto da família pensa que ela veio para visitá-los, mas vamos deixar que pensem assim, ok? Mas você sabe quem ela veio visitar mesmo, não sabe?
Pois ela me trouxe um presente. Você já deve ter visto no desenho ali em cima e na foto na coluna da direita que não largo meu ursinho. Ursinho é modo de dizer, porque meu reserva é um elefantinho. Agora ela trouxe um novo companheiro: Um coelhinho. É parecido com aquele da Mônica, só que o meu não tem um tijolo dentro.
Sábado fomos passear. Eu, meu pai, minha irmã e meu coelhinho. Como meu pai não compra roupa há muito tempo, minha irmã resolveu ajudá-lo a tomar um banho de loja. Ela não imaginava que não era só ele quem iria tomar um tremendo banho. Não entendeu? Então deixa eu explicar.
Quando estou em casa, fico sem fraldas porque a cada hora e meia alguém me lembra de engatinhar até o banheiro para fazer xixi ou algo mais sério. Mas quando saio, o jeito é garantir com uma fralda. Naquele dia ninguém se lembrou disso e eu fiquei na minha.
Depois de duas horas de loja, experimentando camisa aqui, calça ali, camiseta acolá, meu pai estava novo em folha. Bem, quase novo, se considerar que ele já passou de meio século. Enquanto ele tomava um banho de loja eu tomava um banho de assento. Não deu para segurar o xixi. Foi no assento da cadeira de rodas mesmo.
Pensa que meu pai percebeu? Nadinha. Na hora de ir embora ele simplesmente se despediu de todos, minha irmã pegou as sacolas e saímos. Devo explicar que os óculos multifocais de meu pai não deixam ver com clareza a periferia do foco. Leia-se o piso no local onde minha cadeira de rodas estava estacionada.
Só foram descobrir quando chegamos em casa. Aí foi aquela vergonha. Já pensou quando o dono da loja descobriu que eu tinha deixado uma poça de xixi no piso brilhante de sua loja?! Ai, que dó! Meu pai comentou isso com minha tia, que tem uma boutique. O diálogo foi mais ou menos assim:
— Esqueci de colocar fraldas no Pedro e ele fez xixi no piso da loja de roupas — contou meu pai. — Ai, que chato! — exclamou minha tia. — Pelo menos o que comprou pagou a limpeza? — perguntou ela. — Bem, gastei pelo ano inteiro... — disse meu pai. — Não quer levar o Pedro para fazer xixi na minha loja? — perguntou minha tia quase em tom de súplica.
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Camila Faz Xixi na Calça NANCY DELVAUX, ALINE DE PETIGNY Um dia, Camila sem querer faz xixi na calça. Será que ela vai voltar a usar fraldas? Os amiguinhos vão rir dela? Aprenda com Camila a resolver esse problema que gera dúvidas na cabeça das crianças. Ilustrado por Nancy Delvaux.
olá! gostei muito do diário,pois a nossa sociedade precisa disso,de alguém como o pai do Pedro,que relatou um pouco para nós a vida do Pedro,gostaria de parabenizar o pai dele por esse ato de adotar uma criança com deficiencia,espero que vocês sejam muito felises, e que deficiencia nenhuma inposibilita um pessoa de ser feliz!!!
Enviado por Thamires Lamira em 09/04/2006
Oi, Pedro
Achei muito legal, o que voce pensa e escreve mesmo através de seu pai e irmã, é pra isso que eles existem, pra fazer de voce um exemplo pra muita gente. Tenho uma familia igual a sua, só que o Marinho, já fez a grande viagem, e hoje eu sua mãe, falo e penso por novos amigos dele.Adorei te conhecer, vou te visitar sempre. Delci (voluntaria do Clubinho especial amigos do marinho)
Oi Pedro!! Tudo bem? Achei esse seu blog por acaso e é muito linda sua história. Desejo para você muitas coisas boas e apesar de não nos conhecermos pode contar com minhas orações. Beijos para você e curte bastante sua maninha.
Enviado por Claudinha em 29/12/2005
Oi PEDRINHO LINDO FOFINHO!Ah putz q massada uahuahuha esqueçeram da sua proteção anti molha piso de loja hihihi! Bem o importante é que você deve estar muito feliz por sua siter estar aqui e seu papizinho muito chic! Que voç~e e seu colelhinho possam estar sempre juntinhos e com sáude e muitas bençãos! O Natal deve ser todos os dias em nossos corações e que o Ano de 2006 traga renovadas esperanças a todos de sua linda família! Boas festas 1 grande abraço e beijokinhas docçinhas de panetone dabor festa com cerejas em seus especiais e lindos coraçõeszinhos!
Pedro, achei muito engraçada sua história ,talvez se eu trabalhasse naquela loja não fosse achar tão engraçada né?? Mas não esqueça mais da fralda heim!!! Fique com Deus....
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.