Nesta época todo mundo manda e recebe mensagens de natal. Umas são bonitinhas, outras nem tanto. Ano passado você leu aqui uma loooonga mensagem de natal. Aqui vai outra que meu pai leu em algum lugar e quero contar. Não foi ele quem inventou não, mas aqui vai a versão do Pedrão.
Era uma vez — e toda história começa assim — três arvorezinhas que viviam na floresta. Como árvore não deve ter muito para fazer, aquelas três ficavam conversando sobre seus sonhos ou "projetos de vida", como se diz hoje.
— Quando crescer quero que façam de mim um berço para um grande rei — suspirou a primeira.
— Eu quero ser um navio para transportar esse grande rei — disse a segunda, pegando o gancho da primeira.
Enquanto isso a terceira árvore ficou pensando que sonho poderia ter que não fugisse das idéias das outras. Sabe como é, elas eram muito amigas e gostavam de pensar em conjunto.
— Já sei! — exclamou tremendo as folhas — Quero que façam de mim um belo trono para o rei que vocês mencionaram.
Alguns anos depois apareceram na floresta três lenhadores. Devo abrir um parêntese aqui para explicar que aqueles lenhadores eram ecologicamente corretos e só derrubavam árvores maduras e depois de terem garantido o plantio de outras. Então vamos continuar.
Logo as três árvores, agora grandes, chamaram a atenção dos homens. O primeiro cortou a primeira árvore e vendeu sua madeira para um fabricante de móveis. O segundo, vendeu-a para um fabricante de navios. E o terceiro despachou a madeira para a carpintaria real, acreditando que seria utilizada na fabricação do trono do próximo rei.
Nem preciso dizer que as três estavam felicíssimas achando que seus sonhos se realizariam. Bem, não foi bem assim. A madeira da primeira não era lá de primeira e acabou sendo utilizada na fabricação de um cocho. Não sabe o que é um cocho? É um caixote feito de madeira onde é colocado capim, grãos e ração para o gado comer. Naquela época eles chamavam de manjedoura. Tadinha da árvore. Seu sonho não se realizou.
A segunda árvore, maior e de madeira mais forte, não acabou virando navio. Dela fizeram um barquinho de pesca, desses bem comuns, sem grandes missões. E ela que pensava que serviria para transportar um rei... Decepção total. Passou o resto dos seus dias levando um bando de pescadores suados de um lado para o outro e enjoada com o cheiro dos peixes que impregnavam suas fibras.
A terceira se cansou de esperar ser transformada em trono, mas não passou de duas vigas brutas jogadas num canto. Pelo jeito ela não servia para nada mais. Que rei que nada. Pelo jeito acabaria virando lenha para aquecer o fogão de alguém. Junto com as outras começou a perceber sua insignificância.
Mas Deus, que usa as coisas mais insignificantes para realizar os planos mais grandiosos, tinha um uso para aquelas árvores. Aquela manjedoura acabou recebendo um dia um bebê, cuidadosamente colocado por sua mãe, Maria, sobre a palha fofa que forrava aquele berço improvisado. Não havia outro lugar para receber aquele recém nascido. Nenhuma casa, nenhuma estalagem, nenhum coração. A manjedoura ficou com a pulga atrás da orelha. Teria ouvido alguém dizer que aquele bebê era o Rei de Israel? Parece que sim. Foi aí que um sentimento de satisfação começou a tomar conta de suas fibras já meio envelhecidas. A espera não tinha sido em vão.
Anos depois a enjoada madeira do barco já tinha desistido de tudo, quando uns pés que não eram de pescadores pisaram o fundo do barco cheirando a peixe. Quando ela menos esperava, os pescadores entraram e começaram a remar. Não demorou para uma grande tempestade açoitar aquele barquinho com ondas enormes. A madeira já estava achando que sua carreira iria por água abaixo, quando ouviu a voz daquele estranho passageiro ordenar que os ventos e as ondas parassem. E tudo parou. Foi então que a velha árvore percebeu que não estava transportando alguém comum. Suas tábuas rangeram de felicidade.
Não se passaram muitos meses até que alguém se lembrasse das duas velhas vigas jogadas num canto da antiga serraria real. Estavam precisando delas. Será que era a hora de ser transformada em um trono? Nem a árvore acreditava mais, ao olhar para o estado lastimável de sua madeira abandonada por tantos anos ao sabor da chuva, do sol e do vento. Não, era impossível que servisse para alguma coisa importante.
Logo ela percebeu que seria usada para um rei, mas não da forma como suas amigas tinham sido usadas. Não seria para ninar o recém nascido ou transportar Aquele ao qual os ventos obedeciam. Todavia, era o mesmo e as pessoas O chamavam de rei, só que agora como forma de gozação. Horrorizada, a madeira viu soldados pregando as mãos e os pés daquele Homem sobre si e erguendo aquela cruz medonha em que se tinha transformado a árvore, com uma plaquinha no topo avisando em três idiomas: "Este é o rei dos judeus".
O desespero da árvore só começou a se dissipar quando ouviu aquele Homem dizendo a um ladrão que estava numa cruz ao lado que hoje ele estaria no Paraíso. Aparentemente o mesmo que conseguia parar a tempestade tinha também poder sobre a morte. O Homem deu um forte brado antes de morrer e ter seu lado perfurado pela lança de um soldado. A árvore tremeu, mas não foi só ela. Tudo tremeu com o terremoto que se seguiu. O soldado, visivelmente espantado, exclamou:
— Este era verdadeiramente o Filho de Deus.
A história que meu pai leu terminava aqui, mas ele decidiu inventar uma continuação. Afinal, o que teria acontecido para a madeira das três árvores? Bem, a manjedoura acabou ficando velha e foi jogada fora. O barco também, e logo suas tábuas se amontoavam em algum lugar. Quanto à terrível cruz, teve o mesmo destino. Toda aquela madeira velha acabou indo parar nas mãos de um agricultor que cortou-a em sarrafos que acabaram servindo para escorar as parreiras de sua vinha plantada próxima de um sepulcro aberto e vazio.
Não demorou para as três árvores ficarem sabendo que aquele era o sepulcro do mesmo Homem que um dia dormira no colo de uma delas, foi transportado no bojo outra e acabou morrendo nos braços da terceira. O agricultor costumava comentar que ele tinha ficado no sepulcro muito pouco tempo. Dizia que ressuscitou e subiu ao céu onde estaria preparando um lugar para todos os que O reconhecessem como o Salvador. As três árvores ficaram contentes quando ouviram aquilo.
E teriam ficado mais contentes ainda se soubessem que suas descendentes teriam sua madeira transformada em papel e páginas de um Livro que contaria aquela história em todo o mundo. Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.
Graça: Infinito Amor de Deus, A CHARLES H. SPURGEON Neste livro, C. H. Spurgeon delineou o plano de salvação, numa linguagem simples que todos podem entender e ser guiados pelo Mestre. Qualquer tentativa de alcançar a Deus, baseada em nossos próprios esforços, trará uma autojustificação e frieza de coração. É pela graça e misericórdia de Deus que o coração arde em gratidão pelo amor de Deus. O objetivo deste clássico é sumarizar o último grito de Spurgeon para o leitor: "Encontre-me no Céu!"
Olá. Como comentei no post que abri primeiro (aquele sobre "O evangelho maltrapailho") vim parar aqui numa pesquisa sobre B. Manning. Estive lendo grande parte do arquivo.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.