Bom, eu prometi que iria contar uma historinha hoje, mas você não vai entender nada se não tiver feito a lição de casa. Qual? Ler a mensagem anterior que pedirá para você ler a que vem antes dela. E principalmente comparar as fotos.
Então, como eu estava explicando, segundo a religião daquela pessoa com quem meu pai conversou, é preciso levar uma vida de esforços tentando subir uma escada cujos degraus são separados demais. Degraus que perna alguma jamais consegue alcançar. E ainda querem que alguém suba, veja só!
No cristianismo bíblico, é Cristo quem me pega lá em baixo e me leva direto para o céu, de um só passe. É cesta, sem repicar a bola no chão. Num momento você é pecador perdido; no momento seguinte à conversão você é pecador salvo. Vapt! Vupt! A condição para ser salvo? Estar perdido.
Do jeitinho que aconteceu com minha adoção. Um dia eu estava na miséria esperando a morte em um barraco. No outro, eu estava limpinho, bem alimentado e desfrutando do amor de novos pais e de uma nova família. A condição para ser curado? Estar doente.
Então onde ficam as boas obras, a caridade, essa que é a locomotiva da maioria das religiões para levar o homem a Deus? Não tem lugar algum na salvação do homem. Nada do que eu faça pode me salvar, porque a única coisa que precisava ser feita foi Ele quem fez.
E o que é mais belo do cristianismo é que, uma vez nascido de novo pela fé em Cristo, não há qualquer necessidade ou intenção de se fazer o bem visando eliminar o próprio pecado ou carma, ou reduzir o número de supostas reencarnações. Por ter sido alvo um favor imerecido, o cristão convertido faz as coisas, não para receber algo em troca (uma barganha para garantir seu futuro eterno), mas porque já recebeu tudo em troca.
Agora vem a historinha que prometi:
Num leilão de escravos colocaram à venda um escravo velho e doente. Para nada servia a não ser morrer para evitar despesas. Porém um rico fazendeiro deu um lance para comprá-lo, pagando um preço altíssimo, que seria suficiente para comprar todos os escravos do leilão.
O escravo comprado aproximou-se de seu novo senhor e ouviu de sua boca: "Pode ir embora, você está livre". O escravo não entendeu. "E o preço que o senhor pagou?". O fazendeiro explicou: "Paguei um valor altíssimo para ter certeza de quem ninguém cobriria minha oferta. Desde o momento em que o vi, eu tive pena de você e o amei, desejando que fosse livre. Agora você está livre. Não me deve nada."
O escravo, em vista dessa libertação gratuita conseguida a tamanho preço, respondeu: "Por causa do que o senhor fez, POR AMOR, vou servi-lo até morrer".
Natação para Deficientes ASSOCIATION OF SWIMMING THERAPY Natação para Deficientes é uma importante referência para qualquer pessoa que tenha o desejo de ensinar natação. O livro enfatiza a instrução, independente do tipo de restrição física do nadador e de sua habilidade na água. A natação é uma froma agradável de exercício para todas as pessoas - e é esse o ponto de partida para o Método Halliwick, explicado no livro. Utilizando esse método, os instrutores podem incentivar seus nadadores a vivenciar a sensação de enorme satisfação e liberdade que nasce da maior independência na água. A Association of Swimming Therapy vem desempenhando um papel vital na difusão do ensino para pessoas com deficiência.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.