Meu pai conversou com uma pessoa que não conseguia entender a razão de me adotar. Explico. Na religião dela, as pessoas fazem um monte de coisas — fazem caridade, preces, ajudam os doentes, distribuem mantimentos, reencarnam — para evoluir espiritualmente. Quando meu pai disse que nada disso adianta, deu um "tilt" na cabeça da pessoa.
Para ela, se o lugar no céu — ou seja lá como você diz isso — não é ganho por nossos esforços, por que adotar o Pedrão aqui se meu pai não ganha nada com isso? Ele não conseguiu explicar, ou pelo menos ela não conseguiu entender, então vamos ver se eu consigo. Você está vendo a foto acima? E viu a foto da última vez? Aquela da mensagem "Éramos mais do que seis".
Pois é, a foto de outro dia é como passei a viver depois que fui adotado. A foto acima não é de minha família, mas é de uma muito parecida com o lugar de onde eu vim. Eu vivia assim e passei a viver de outro jeito. O que eu fiz para merecer isso? Nadinha. Neca treca de pitibiriba. Veio tudo de graça no pacote.
Alguém me amou e quis fazer isso, entendeu? Alguém olhou para mim, viu minha miséria, sentiu pena, me amou e me deu uma vida melhor. Assim é com o evangelho. Deus nos amou e deu o Seu Filho, Jesus, para morrer numa cruz para nos salvar. Simples assim. Não fizemos nada para merecer. Ele amou porque quis e Ele quis nos dar a vida eterna porque quis. É só se deixar levar por esse amor.
Foi o que fiz. Me deixei levar. A única condição para ser adotado foi meu estado miserável. A única condição para alguém ser adotado por Deus e se tornar Seu filho é estar em um estado miserável — se reconhecer pecador. É Deus quem faz tudo. Por isso se chama "graça" e não "troca", "escambo", "barganha", "pagamento" como muitas religiões por aí querem fazer crer. Graça é favor imerecido.
"O QUE?!!!" Dirão os religiosos indignados, e foi o que aquela pessoa disse ao meu pai. "Quer dizer que todos os meus esforços, minha caridade, minhas esmolas... Nada disso vai contar?!!" Exatamente. Nada disso vai contar, porque Deus não pediu seus esforços. Ele só precisava de Seu Filho Jesus morrendo na cruz para salvar você. O resto é religião de Caim.
"Religião de Caim?!" Sim, lembra que ele quis oferecer a Deus o fruto de seu trabalho — deve ter sido frutas, cereais, verduras que ele plantou e colheu com muito esforço — e Deus não gostou? Não gostou mesmo, de jeito nenhum! Mas gostou da oferta de Abel. Qual foi? Um animal — talvez um cordeiro — morto. Nada que tenha se esforçado para conseguir, uma criação de Deus. Um cordeiro morto lembra você de alguma coisa? Pois é, era só isso que podia agradar a Deus. O Cordeiro de Deus.
E as nossas boas obras? Deus nos salva e depois ficamos por aí de mãos abanando? Calma, meu! Deus nos salva para um propósito: adorá-Lo. E começamos a fazer isso a partir do momento em que nos vemos salvos, libertos. Aí servimos a Ele não para receber algo, mas porque já recebemos. Ufa! Já escrevi demais e vou deixar para contar a história que quero contar numa próxima ocasião. Não perca, ok? Ela vai deixar claro onde entram as boas obras na vida do cristão. Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.
Brennan Manning Extraído do site da editora: O evangelho maltrapilho foi escrito para pessoas aniquiladas, derrotadas e exauridas. Pessoas que se acham indignas de receber o amor de Deus. Quem sabe, ignoradas pela comunidade de cristãos por não se encaixarem no perfil de super-homem ou de supermulher que lhes é constantemente exigido. Pessoas cansadas da espiritualidade superficial e consumista. Pessoas que travam inúmeras batalhas interiores por não se sentirem parte de uma comunidade afetiva e acolhedora.
É um livro que escrevi para mim mesmo e para quem quer que tenha ficado cansado e desencorajado ao longo do Caminho, confessa o autor.
Franco e provocador, o aclamado filósofo e teólogo cristão Brennan Manning estréia em língua portuguesa com sua principal obra, que nos convida a depositar nossa esperança na amplitude da graça, capaz de alcançar pecadores e pobres em espírito, e de resgatar nossa dignidade original. No mínimo, você não ficará indiferente a ela.
NUnca li coisa mais tocante e linda!!! E que isso nos sirva de lição, para que possamos nos doar mais e reclamar menos da vida que temos. Parabéns... Beijos imensos cobertos de muita paz e luz.
A bíblia diz em joão 3-16 "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho,para que todo aquele que Nele crê não pereça , mas tenha a vida eterna"
Você é um presente de Deus pro seu pai..assim como eu vejo meu pequeno Hudson(10 anos)como um presente pra mim...
UFA!!!!!!!!!!ESSA FOTO ASSUSTA NÉ?POIS BEM,NÓS SERES HUMANOS NÃO GOSTAMOS DE VER "COISAS" ASSIM...E MUITOS NÃO FAZEM NADINHA PRA MUDAR SITUAÇÕES PARECIDAS...amiguinho "especial" que bom que te encontraram a tempo....BEIJINHOS! EDIANE RIBEIRO.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.