Êta nóis, gente! Veja só como estou ficando famoso. Apareci na revista Época desta semana, com direito a foto e junto com outros amiguinhos com histórias parecidas à minha. Fiz até pose pra sair bonito e fiz de conta que sei cantar.
Outro dia uma equipe da revista Época veio nos visitar, entrevistaram meu pai, perguntaram um montão de coisas e até tiraram umas fotos do lindão aqui. Isso mesmo, vesti até uma roupinha legal para a ocasião. Hoje meu pai comprou a revista e... pimba! Lá estava o Pedrão! O engraçado foi que ele comprou a revista no aeroporto de Curitiba e mais tarde sentou-se para esperar seu vôo ao lado de uma pessoa que estava lendo o que? A página da revista onde eu apareço. Meu pai não falou nada para a pessoa. Bobo ele, né?
Na revista tem também a história do Felipe, do Ruan, do Gabriel, do Rafael... Também tem lá o que dizem seus pais, por que decidiram um dia receber alguém especial assim para alegrar suas vidas. Não conheço aqueles outros garotos, mas se eles forem simpáticos como eu, tenho certeza de que os papais e mamães saíram ganhando, he! he!
Para aproveitar o clima e o sucesso do filme "Dois Filhos de Francisco", eu saí ao lado de meu pai como se fôssemos a dupla do momento, a última bolacha do pacote. Só não sou filho de Francisco, sou filho do Mario. Na foto eu faço de conta que estou cantando, mas meu pai não faz de conta que está tocando. Ele está mesmo tocando. Quer dizer, ao menos ele tenta. Se ele toca bem? Hummm... você já ouviu Zezé di Camargo e Luciano tocando? Pois é, meu pai não toca nem parecido. Vamos colocar assim: sorte dos leitores que a revista não tem som...
Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.
ÉPOCA - Edição 392 - 21/11/05 Esta edição aborda o tema adoção com um enfoque em filhos portadores de necessidades especiais. O título da matéria é "Os pais e filhos especiais - As dificuldades e as alegrias dos casais que superam a discriminação e adotam crianças abandonadas com algum tipo de deficiência.
Puxa, como vc está famoso, hein. Eu devia ter pego alguns autógrafos seus quanto estive ai...rsrs Fiquei muito feliz com a matéria da Época. Abraços... Estou com Saudades de você e do Mário. (Super Mário, alias)
Também cheguei a vocês através da revista, também tenho uma pessoa que traz muita alegria com sua maneira especial de ser que é o Dieguinho, ele tambem tem pc, visão subnormal, não anda e fala somente através do seu olhar e expressão facial que é linda!!!Adorei conhecer sua história, e o que é melhor seu papai me inspirou a também fazer um blog para o Didi, também entrei na história do papai, e fiquei feliz em saber que ele conhece nosso grande amigo e pai "Jesus". Até mais Nilda e Diego
Oi Pedro...pois é...nem sei quanto tempo faz que leio seu site...faz tempão mesmo...:-) Como fiquei sabendo dele? Vixe, se eu te disser que não sei vc nao vai acreditar, né? Acho que foi há um tempão no orkut. É que fiquei amiga de um deficiente físico, amiga mesmo...somos até hoje e então comecei a ler tudo que tinha sobre dificientes físicos e cheguei até você. Não, nunca te escrevi, mas sou assim mesmo, nao deixo comentários, não tinha muito o que falar, sabe? Mas adoro ler suas histórias... Por que estou escrevendo agora? Vou te contar...eu assino a 'Época sabe? E adivinha, te vi lá. Mas estou te escreveno porque nao sei, como sou leitora sua há muito tempo, era como se tivesse encontrado um amigo na revista, cê acredita? Um velho conhecido...que coisa engraçada né? Dai resolvi perder a timidez e te dizer isso... Parece mesmo que sou sua velha conhecida...que coisa nao é? Achei que valia a pena te contar isso porque acredito que como eu há muitos leitores que frequentam o site e se sentem assim como eu...velhos conhecidos... Bemmm....um grande beijo da sua leitora e fã Cris
Oi Pedro! Cheguei aqui por causa da matéria da Revista Época desta semana. Adorei a sua história... Saiba que você tem dois anjos protetores e muito iluminados cuidando de ti. Muita saúde, paz em seu coração e que Deus continue protejendo e iluminando não só esta família linda como em especial você... Aproveito e desejo meio antecipado um Natal próspero e um 2006 cheio de realizações. Beijinhos, Renata Camuri
Oi, Pedro! Cheguei a este site por causa da matéria da revista Época. Fiquei muito emocionada com a sua história e muito feliz por haver gente como o Mário Persona, que coloca o amor acima de qualquer coisa! Felicidades pra vc e para toda a família, ok? Beijocas! :)
Olá Pedrinho, tem mt tempo q não venho aqui, q amiga desnaturada vc arrumou heim??? Mas hj qnd abri meu orkut tinha um link falando sobre vc na nossa comunidade...Rapaz vc tá famoso heim??? Faz um autógrafo pra mim e pede pro papai scanear e mandar por e-mail, kakakaka. Parabéns e tudo de bom pra vc, pro papai e irmã. Beijocas Drika.
Acho ótimo que reportagens, relatos,cotidianos sejam mostrados, narrados às pessoas. Achei lindo a sua historia Pedro, nao pelo que aconteceu a você, mas o fato de voce ter ganhado um PAI que te dá muito amor, e que ensina agente a superar o maior preconceito que nós mesmos é quem temos. Essa trajetoria nos ensina que o amor supera e surpreende-nos. Parabéns! Muita saúde pra vc e seu pai. Que linda lição de vida!!!!! Beijos
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.