Pode uma coisa dessas? Ontem quase matei meu pai! Não se preocupe, não sou violento. E também não tenho armas e nem munição para sair atirando por aí. Mas você não precisa de tudo isso para matar alguém. Basta ter um sofá, um filme na TV e uma vontade de fazer xixi.
Foi o que aconteceu. Meu pai me colocou no sofá ao lado do outro, onde ele deitou para assistir TV. Depois que minha mãe se mudou há três anos e meio, meu irmão há um ano e minha irmã há quase isso, ficamos eu e meu pai aqui, ajudados por duas senhoras que vêm de dia ou dormem aqui quando meu pai viaja. Ontem ele viajou, mas só nos sonhos.
Eu sei engatinhar, mas alguém precisa me acompanhar ao banheiro. Quando senti vontade de fazer xixi devia ser umas 9 e meia e meu pai roncava pra valer no sofá. Então eu simplesmente desci, fiquei em frente ao sofá onde ele estava deitado e estiquei a mão para tentar alcançá-lo. Agarrei justamente seu colarinho e puxei com toda força.
Agora o que você imaginaria se soubesse que está sozinho em casa à noite, com um filho que não anda, não fala e não enxerga, e acorda com alguém agarrando você com força pelo colarinho? Foi aí que ele quase morreu, ou eu quase o matei. Imagine o susto! Não sei como ele não precisou ir ao banheiro ou trocar as calças, como aquele capitão do navio pirata!
Não sabe a história? Ele sempre mandava alguém trazer uma camisa vermelha na hora em que o navio ia ser atacado, porque assim, se fosse ferido, o inimigo não perceberia o sangue molhando sua camisa e não se aproveitaria da situação. Um dia um navio muito maior, mais armado, com muito mais gente preparava-se para atacar e o capitão pirata não quis pedir a camisa vermelha daquela vez. Achou melhor pedir a calça marrom. Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.
Pequeno Milagre (DVD) Mesmo sendo o menor garoto da cidade, Simon Birch sabe que nasceu para realizar algo grande. Ele vive numa busca constante para descobrir sua missão, mas só se mete em confusões. O melhor amigo de Simon, o fiel Joe quer descobrir quem é o seu pai, um segredo que sua mãe não revela a ninguém. Os dois juntos vivem aventuras divertidas e algumas vezes tristes, e enfrentando altos e baixos, a amizade dos garotos vai se transformando numa forte ligação. Um filme que inspira.
Oi Pedro, chorei de tanto rir imaginando a cena, que Deus continue lhe abencoando, e dando muita coragem ao Capitao Bondade, pois ele é um homem iluminado.
Olá Pedrinho!!! Vc é forte heim garoto!!! Seu pai deve ter ficado mesmo assustado...rsrs Parabéns Mário, o mundo precisa de amores assim... Que Deus abençoe vocês!!! Um beijo
Nossa,que legal vc deve ser um super pai mesmo,adorei o que vc faz pelo seu filhao. mais to quase sem ar pela dessa aqui de ontem do susto que vc levou rsrsrs,nao consigo nem conter de tanto rir. desejo boa sorte pra vcs dois. bjs Lilly e familia.
Oi Little Pedro! Cada vez mais forte, hein? Também adorei a história do comandante. O seu pai vem aqui pra minha cidade (Natal-RN), mas eu não vou...ele deve falar de negócios e coisa e tal, ainda se fosse pra falar sobre você, que é um assunto muito mais interessante :-)... Beijo pros dois!
Enviado por Camila em 17/11/2005
Oi PEDRINHO LINDO QUERIDO! Putz menino você está ficando muito forte einh! kkkkkkkkkkk! Ai que susto seu papito levou, assim você mata ele coitadinho viu!Hihihi Adorei a histórinha do capitão, vou contar pro meu papito, pois ele leva esses sustos com os ladrões agora viu! 1 final de semana divertido com mt amor e alegria!Beijokinhas docinhas de cerejinha em seu fofinho e lindo coraçãozinho!
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.