Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Quem ama educa" - "Não sou filho de Francisco"

03/11/2005
Quase matei meu pai

Pode uma coisa dessas? Ontem quase matei meu pai! Não se preocupe, não sou violento. E também não tenho armas e nem munição para sair atirando por aí. Mas você não precisa de tudo isso para matar alguém. Basta ter um sofá, um filme na TV e uma vontade de fazer xixi.
satisfied

Foi o que aconteceu. Meu pai me colocou no sofá ao lado do outro, onde ele deitou para assistir TV. Depois que minha mãe se mudou há três anos e meio, meu irmão há um ano e minha irmã há quase isso, ficamos eu e meu pai aqui, ajudados por duas senhoras que vêm de dia ou dormem aqui quando meu pai viaja. Ontem ele viajou, mas só nos sonhos.

Eu sei engatinhar, mas alguém precisa me acompanhar ao banheiro. Quando senti vontade de fazer xixi devia ser umas 9 e meia e meu pai roncava pra valer no sofá. Então eu simplesmente desci, fiquei em frente ao sofá onde ele estava deitado e estiquei a mão para tentar alcançá-lo. Agarrei justamente seu colarinho e puxei com toda força.

Agora o que você imaginaria se soubesse que está sozinho em casa à noite, com um filho que não anda, não fala e não enxerga, e acorda com alguém agarrando você com força pelo colarinho? Foi aí que ele quase morreu, ou eu quase o matei. Imagine o susto! Não sei como ele não precisou ir ao banheiro ou trocar as calças, como aquele capitão do navio pirata!

Não sabe a história? Ele sempre mandava alguém trazer uma camisa vermelha na hora em que o navio ia ser atacado, porque assim, se fosse ferido, o inimigo não perceberia o sangue molhando sua camisa e não se aproveitaria da situação. Um dia um navio muito maior, mais armado, com muito mais gente preparava-se para atacar e o capitão pirata não quis pedir a camisa vermelha daquela vez. Achou melhor pedir a calça marrom.
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Pequeno Milagre (DVD)
Mesmo sendo o menor garoto da cidade, Simon Birch sabe que nasceu para realizar algo grande. Ele vive numa busca constante para descobrir sua missão, mas só se mete em confusões. O melhor amigo de Simon, o fiel Joe quer descobrir quem é o seu pai, um segredo que sua mãe não revela a ninguém. Os dois juntos vivem aventuras divertidas e algumas vezes tristes, e enfrentando altos e baixos, a amizade dos garotos vai se transformando numa forte ligação. Um filme que inspira.

"Quem ama educa" - "Não sou filho de Francisco"


Oi Pedro, chorei de tanto rir imaginando a cena, que Deus continue lhe abencoando, e dando muita coragem ao Capitao Bondade, pois ele é um homem iluminado.

Beijos

Denise - Natal-RN 27-11-05

Enviado por Denise Lins em 27/11/2005


Olá Pedrinho!!! Vc é forte heim garoto!!! Seu pai deve ter ficado mesmo assustado...rsrs
Parabéns Mário, o mundo precisa de amores assim... Que Deus abençoe vocês!!!
Um beijo

Enviado por Geila Evangelista em 27/11/2005


Nossa,que legal vc deve ser um super pai mesmo,adorei o que vc faz pelo seu filhao. mais to quase sem ar pela dessa aqui de ontem do susto que vc levou rsrsrs,nao consigo nem conter de tanto rir. desejo boa sorte pra vcs dois. bjs Lilly e familia.

Enviado por Liliana em 21/11/2005


Oi Little Pedro!
Cada vez mais forte, hein? Também adorei a história do comandante. O seu pai vem aqui pra minha cidade (Natal-RN), mas eu não vou...ele deve falar de negócios e coisa e tal, ainda se fosse pra falar sobre você, que é um assunto muito mais interessante :-)...
Beijo pros dois!

Enviado por Camila em 17/11/2005


Oi PEDRINHO LINDO QUERIDO! Putz menino você está ficando muito forte einh! kkkkkkkkkkk!
Ai que susto seu papito levou, assim você mata ele coitadinho viu!Hihihi
Adorei a histórinha do capitão, vou contar pro meu papito, pois ele leva esses sustos com os ladrões agora viu!
1 final de semana divertido com mt amor e alegria!Beijokinhas docinhas de cerejinha em seu fofinho e lindo coraçãozinho!

Enviado por S2 VERI S2 em 06/11/2005


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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