Dia desses meu pai assistiu um filme na TV. Em inglês era "Miracle Run", mas em português não devia ser "Corrida Milagrosa" não, porque aqui o pessoal que traduz títulos é criativo demais. Lembra da "Noviça Rebelde"? Pois é, no original era "The Sound of Music"!
O filme "Miracle Run" é a história de Corrine Morgan-Thomas, uma mãe solteira com seus filhos gêmeos autistas. A mulher era super determinada para dar aos seus filhos a vida mais normal possível. Ela chegou ao ponto de enfrentar o sistema educacional para conseguir manter seus filhos em uma escola comum.
Steven e Phillip são os nomes dos garotos, hoje adultos. Quando eles estavam com seis anos, os médicos diagnosticaram autismo e disseram que ela devia interná-los em uma instituição quando estivessem com nove anos. Diante do diagnóstico o namorado de Corrine achou melhor puxar-o-carro, dar-no-pé, cair-fora, sair-de-fininho, ou escolha a melhor descrição para o "fui" do rapaz.
Mas a mulher não desanimou e partiu para a batalha. "Steven e Phillip são uma prova de que você não deve desistir, que você deve se agarrar às suas metas", diz Corrine. "Quanto mais cedo você intervir, melhor seus filhos podem se recuperar do autismo".
Os garotos acabam cada um se interessando por uma atividade - um por atletismo e o outro por música - e ficam muito bons naquilo que fazem. Enquanto isso Corrine conhece um encanador que não dá o cano e nem é enganador como o outro namorado, que se casa com ela e ajuda a criar os garotos, hoje na universidade.
É bonito ver aquela mãe dando um duro danado e abrindo mão de tudo para cuidar dos filhos. Uma heroína que deve servir de inspiração para muitos pais que colocam outras coisas como prioridade e se esquecem dos filhos, que são deixados para segundo plano. É claro, sempre tem aquela desculpa de que querem ganhar o mundo para dar o melhor para os filhos. Só que quando se dão conta, não ganharam mundo nenhum e perderam os filhos. É triste isso, né?
O hall da fama de pessoas que investiram tudo em suas carreiras tem, nos bastidores, um hall da infâmia de filhos órfãos de pais vivos — ricos menores abandonados. Enquanto isso, em um outro hall, onde quase não há fama, figuram pais e mães que se doaram para seus filhos, abrindo mão de carreiras e interesses pessoais. Porque quem ama não brinca com desculpas de que faz tudo para os filhos, enquanto o que faz mesmo é satisfazer o ego de uma carreira desenfreada. Quem ama educa, nutre, rega e escora a plantinha até se tornar árvore.
Se encontrar o filme "Miracle Run", estrelando Mary-Louise Parker and Aidan Quinn, em alguma locadora (nem sei se existe assim), vale a pena assistir. Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.
QUEM AMA EDUCA ICAMI TIBA Este livro tem o objetivo de devolver para a família a responsabilidade de educar os filhos, hoje atribuída à escola, dada a nova dinâmica familiar e profissional da sociedade ocidental. O autor se propõe a ajudar os pais nessa empreitada, reforçando a importância de valores e atitudes como limites e diálogo. Ressalta também que os pais devem se sentir tranqüilos em relação à educação dada a seus filhos, na medida em que lhes transmitem a responsabilidade pela própria felicidade, dando-lhes a autonomia de que eles certamente precisarão na vida adulta. Por fim, fica marcada a idéia de que os pais têm de garantir uma boa educação, que fizeram à sua parte da melhor maneira e assim contribuir para que seus filhos sejam felizes.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.