Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"De maltrapilhos a bemtrapilhos" - "Quase matei meu pai"

02/11/2005
Quem ama educa

Dia desses meu pai assistiu um filme na TV. Em inglês era "Miracle Run", mas em português não devia ser "Corrida Milagrosa" não, porque aqui o pessoal que traduz títulos é criativo demais. Lembra da "Noviça Rebelde"? Pois é, no original era "The Sound of Music"!
cool eh?

O filme "Miracle Run" é a história de Corrine Morgan-Thomas, uma mãe solteira com seus filhos gêmeos autistas. A mulher era super determinada para dar aos seus filhos a vida mais normal possível. Ela chegou ao ponto de enfrentar o sistema educacional para conseguir manter seus filhos em uma escola comum.

Steven e Phillip são os nomes dos garotos, hoje adultos. Quando eles estavam com seis anos, os médicos diagnosticaram autismo e disseram que ela devia interná-los em uma instituição quando estivessem com nove anos. Diante do diagnóstico o namorado de Corrine achou melhor puxar-o-carro, dar-no-pé, cair-fora, sair-de-fininho, ou escolha a melhor descrição para o "fui" do rapaz.

Mas a mulher não desanimou e partiu para a batalha. "Steven e Phillip são uma prova de que você não deve desistir, que você deve se agarrar às suas metas", diz Corrine. "Quanto mais cedo você intervir, melhor seus filhos podem se recuperar do autismo".

Os garotos acabam cada um se interessando por uma atividade - um por atletismo e o outro por música - e ficam muito bons naquilo que fazem. Enquanto isso Corrine conhece um encanador que não dá o cano e nem é enganador como o outro namorado, que se casa com ela e ajuda a criar os garotos, hoje na universidade.

É bonito ver aquela mãe dando um duro danado e abrindo mão de tudo para cuidar dos filhos. Uma heroína que deve servir de inspiração para muitos pais que colocam outras coisas como prioridade e se esquecem dos filhos, que são deixados para segundo plano. É claro, sempre tem aquela desculpa de que querem ganhar o mundo para dar o melhor para os filhos. Só que quando se dão conta, não ganharam mundo nenhum e perderam os filhos. É triste isso, né?

O hall da fama de pessoas que investiram tudo em suas carreiras tem, nos bastidores, um hall da infâmia de filhos órfãos de pais vivos — ricos menores abandonados. Enquanto isso, em um outro hall, onde quase não há fama, figuram pais e mães que se doaram para seus filhos, abrindo mão de carreiras e interesses pessoais. Porque quem ama não brinca com desculpas de que faz tudo para os filhos, enquanto o que faz mesmo é satisfazer o ego de uma carreira desenfreada. Quem ama educa, nutre, rega e escora a plantinha até se tornar árvore.

Se encontrar o filme "Miracle Run", estrelando Mary-Louise Parker and Aidan Quinn, em alguma locadora (nem sei se existe assim), vale a pena assistir.
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QUEM AMA EDUCA
ICAMI TIBA

Este livro tem o objetivo de devolver para a família a responsabilidade de educar os filhos, hoje atribuída à escola, dada a nova dinâmica familiar e profissional da sociedade ocidental. O autor se propõe a ajudar os pais nessa empreitada, reforçando a importância de valores e atitudes como limites e diálogo. Ressalta também que os pais devem se sentir tranqüilos em relação à educação dada a seus filhos, na medida em que lhes transmitem a responsabilidade pela própria felicidade, dando-lhes a autonomia de que eles certamente precisarão na vida adulta. Por fim, fica marcada a idéia de que os pais têm de garantir uma boa educação, que fizeram à sua parte da melhor maneira e assim contribuir para que seus filhos sejam felizes.

"De maltrapilhos a bemtrapilhos" - "Quase matei meu pai"



 

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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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