Gente, que vergonha! A última vez que saiu alguma coisa aqui foi dia 7 de setembro! Sim, ele recebeu a esteira logo depois, mas sabe quantas vezes meu pai usou a esteira desde então? Duas vezes! Só duas vezes e ele ainda diz que não usou mais porque não parou de correr...
Verdade, ele está viajando um bocado. Tem companhia aérea que está até pensando em dispensar um comissário de bordo e aproveitar meu pai para ajudar. Afinal, se ele não está em um vôo, está no outro. Viajando tanto até sobra mais tempo para ler, e é disso que vou falar.
Ele leu um livro que gostou muito. Disse que fazia tempo que não lia um assim. É um livro cristão, "O Evangelho Maltrapilho", de Brennan Manning, um ex-frade e alcoólico em recuperação. Pois é, um fracassado segundo os padrões de alguns. Mas é justamente disso que ele fala, que o céu é um lugar cheio de fracassados.
Numa época quando tanta gente quer ser "poderoso" e "poderosa"; quando igrejas se enchem de gente atrás de milagres, dinheiro e poder; quando fiéis são contados em milhões e dízimos carregados em malões; quando fica essa rasgação de seda, de "reverendo" pra cá e "doutor em divindade" pra lá, alguém precisa lembrar que "graça" é favor imerecido dado a quem não tem e não pode nada.
O livro é um banho de kryptonita, aquela pedra verde que drenava os poderes do Super-Homem, no ego e orgulho daqueles que pensam que vão conseguir o favor de Deus porque fez alguma coisa de bom. Pessoas que se esquecem de que o céu vai ficar cheio de pessoas vazias, de "madalenas prostitutas", "pedros negadores", "mateus publicanos", "ladrões da cruz ao lado" e "paulos guarda-objetos de apedrejadores de estêvãos".
Gente sem a mínima condição, portadores de deficiências espirituais graves demais para conseguirem, sozinhos, chegar lá. Precisam ser levados por alguém, igual a quando me levam pra lá e pra cá porque minhas pernas não sabem andar e, ainda que soubessem, meu cérebro não saberia dizer pra que lado ir. O livro lembra que não são crianças boazinhas que vão para o céu, mas crianças más que serão arrastadas até lá.
Como o filho pródigo, que só voltou porque o estomago não agüentou, ou a mulher adúltera, que só ouviu uma palavra de perdão porque foi arrastada até a presença de Jesus pelos que queriam apedrejá-la, mas não com a primeira pedra. E você, vai querer chegar lá por algo que fez ou vai se deixar arrastar pela graça de Deus? Ser pecador é a única condição exigível para a viagem e no passaporte o carimbo diz "Salvo por Graça", marcado com tinta-sangue do Cordeiro de Deus.
Mas, voltando ao livro, cabe um P.S. aqui na forma como a editora apresenta o autor: "o aclamado filósofo e teólogo cristão Brennan Manning". Pelo jeito quem escreveu o comentário não captou a mensagem do livro... Comentários? Deixe os seus no formulário mais abaixo.
Brennan Manning Extraído do site da editora: O evangelho maltrapilho foi escrito para pessoas aniquiladas, derrotadas e exauridas. Pessoas que se acham indignas de receber o amor de Deus. Quem sabe, ignoradas pela comunidade de cristãos por não se encaixarem no perfil de super-homem ou de supermulher que lhes é constantemente exigido. Pessoas cansadas da espiritualidade superficial e consumista. Pessoas que travam inúmeras batalhas interiores por não se sentirem parte de uma comunidade afetiva e acolhedora.
É um livro que escrevi para mim mesmo e para quem quer que tenha ficado cansado e desencorajado ao longo do Caminho, confessa o autor.
Franco e provocador, o aclamado filósofo e teólogo cristão Brennan Manning estréia em língua portuguesa com sua principal obra, que nos convida a depositar nossa esperança na amplitude da graça, capaz de alcançar pecadores e pobres em espírito, e de resgatar nossa dignidade original. No mínimo, você não ficará indiferente a ela.
Parabéns, Pedro, por ser está "Pedra" "Rocha" que diante de todas as cirncunstâncias manteve-se com a imensa vontade de viver. Tenho certeza que seu papai entende muito bem o vc quer dizer, o que sente e até ouvir vc dizendo no coração dele o teus desejos. Sua alegria(pela foto) é contagiante. big beijocas com pipocas...
Enviado por Selma Bauru em 03/12/2007
Eu pesquisava sobre Brennan Manning, justamente por ter lido o comentário do livro "Evangelho Maltrapilho", num blog de uma protestante e acabei chegando até aqui. Fiquei encantada!!! Parabéns!
Quanto vejo exemplos assim logo me me reporto àquela passagem do evangelho de Mateus 25,31-40
"Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes".
Este evangelho que Manning mostra tem sido esquartejado pela retórica de um orgulho espiritual disfarçado. Somos igualmente pecadores, carentes de misericórdia e graça! Não podemos mais abraçar uma fé farisaica...somos convidados por Cristo a nos embriagar de sua graça. Recomendo a leitura de "Convite à loucura" de Manning,que trata do comportamento atípico da igreja que de primitiva não tinha nada, e "Maravilhosa graça" de Philip Yancey. Deus nos abençoe e tenha misericórdia de nós.
Olá, sou alguém que já leu o livro Evangelho Maltrapilho. E estou aqui para dizer que esse livro mudou a minha vida. Sou alguém que fui rejeitada pela sociedade devido aos meus muitos pecados. Mas descobri que meu Deus é um Deus de Graça. A graça verdadeira e não uma graça barata que os cristãos de hoje em dia vivem. Depois de ter sido humilhada, e me tornado uma escória da sociedade Jesus me mostrou que o amor dEle é muito maior do que toda essa hipocrisia humana. Ainda hoje vivo a marginalização humana, no entanto com uma convicção, que o amor de Deus é muito maior por mim. Que Ele olha pra mim não de acordo com meus erros, mas me olha com a graça de um Pai amoroso que sabe que sou pecadora, que sabe que tenho falhas como qualquer ser humano. Mas Ele não me apedreja,Ele simplismente olha para mim e diz:-Vá em paz filha pois os teus muitos pecados foram perdoados.Eu não te condeno, Pois eu te amo, Eu morri na cruz por ti. Não diminua meu sofrimento. O que eu passei foi por você. E não importa o tamanho do teu pecado, a minha morte foi para te limpar de toda culpa, eu não vejo o tamanho do teu pecado, mas sim o tamanho do teu amor por mim.E aquele a quem muito é perdoado, esse é muito amado por mim. É isso filha, eu te amo, eu te amo, eu te amo!!!
Enviado por Peregrina Maltrapilha em 18/07/2007
Olá Pedro foi um enorme prazer conhecer vc e sua família. Com toda certeza são pessoas como sua família que mais expressão a graça de Deus no nosso meio. Esse mundo, Pedro, precisa conhecer pessoas assim que transmitam "graça" através de suas vidas. Até mais...
Oi! Eu tb vim parar aqui fazendo um google com o nome do autor do Evangelho Maltrapilho. Sabem, eu lí esse livro no ano passado e deixei com uma pessoa que fiquei no meu passado. Eu sinto tanta falta de me sentir livre pra ser pequeno e pobre como na época que lí o livro. Inoculei de novo o ar afetado que não me deixa experimentar o descanso dos salvos pela graça e to cheio de "conquistas cristãs" de novo. To "tomando à força" o Reino dos Céus e tô escrevendo agora com um nó de marinheiro na garganta.
No nosso dia a dia não há garantia de que a harmonia aconteça, mas nem por isso deixo de dar graças e achar Graça nas coincidências, surpresas e 'destinos traçados'. Este Blog hoje me deu a sensação de que ao ler Brennan estou em contato com Alguém Maior que eu. Este amor vivido em vossa família é um exemplo da Graça e como 'bad boy' aguardo estar com vocês não somente aqui, mas junto com muitos outros 'deficientes' no Grande Banquete e olha que o vinho é indescritivelmente o melhor do Universo!!! De um peregrino maltrapilho e mau menino, mas que vê no Pai a Fonte da Graça e do Amor.
Tive a feliz oportunidade de trabalhar com portadores de necessidades especiais num centro de heabilitação física. Indubitavelmente foi uma experiência que marcou minha vida, tanto no aspecto social como espiritual. Aprendi a valorizar aquilo que podemos ter pelo outro: O amor.
Enviado por Onivaldo (Bahia) em 16/02/2006
Olá. Eu pesquisava sobre Brennan Manning, justo por ter visto o livro "O evangelho maltrapilho" numa das livrarias cristãs que frequento. E vim parar aqui. Eu volto.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.