Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Pessoas que ajudam, pessoas que atrapalham" - "Discriminação é brincadeira?"

30/07/2005
Quem corta um conto diminui um ponto

Quando era pequeno, meu pai precisou de um pedacinho de madeira bem pequenininho para colar em um brinquedo seu. O metro de meu avô — desses amarelos, de madeira fininha e de dobrar — era exatamente o tipo de material que meu pai procurava. Ele não achou que faria diferença tirar um pedacinho de um metro tão comprido, então serrou a pontinha que ia do número zero ao um.
LOL

A partir daquele dia, e até descobrir o que tinha acontecido, tudo o que meu avô fazia ficava fora de medida. Ele não percebia que seu metro já não começava no zero, mas no um centímetro. Então tudo acabava sendo medido com um centímetro a menos. Só foi descobrir quando mediu com outro metro um lugar que precisava de uma tábua com medida justa e, na hora de serrar, mediu com o metro desfalcado. É claro que a tábua ficou menor.

Por que resolvi contar isso? Por causa daquilo que a criativa escritora Rita Apoena escreveu em seu perfil no Orkut:

"Certa vez, eu fiz trocentos testes na psicóloga. Com exceção de intuição e criatividade, fui reprovada nos outros vinte e dois itens da avaliação. Enfim, uma pessoa desajustada no mundo. Chegando em casa, ora essa, fiz uma bateria de testes para o mundo. Com exceção de sorvete e amigos, o mundo também foi reprovado nos outros vinte e dois itens da minha avaliação."

O problema foi que os testes foram criados para avaliar uma pessoa "normal", aquela pessoa igualzinha a todas as outras, com peso e medidas publicadas pelo IBGE e conferidas pelo INMETRO. Mas a beleza das pessoas está justamente na diversidade. Quando não achamos assim é porque estamos também avaliando os outros pelos padrões que nós mesmos criamos. Mas será que em nosso metro não está faltando um pedacinho?
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Estórias de Quem Gosta de Ensinar
RUBEM ALVES

Um dos maiores bestsellers de Rubem Alves, "Estórias de quem gosta de ensinar" é relançado agora pela Papirus. O livro reúne as seguintes crônicas sobre educação: O país dos dedos gordos, Vestíbulo coisa nenhuma!, A maratona safada, Eu ficaria de fora..., O sorteio, “Muito cedo para decidir”, Viagem longa, destino incerto..., A inutilidade da infância, Os grandes contra os pequenos, O avesso, O currículo dos urubus, O urso burro, oiuqóniP, Urubus e sabiás, O sermão das aves, Saber e prazer, Amor ao saber, A lâmina da guilhotina, A verdade do espelho, O que as ovelhas dizem dos lobos, A Imaculada Conceição, “Não era esta a mágica que eu queria”, Aprendendo das cozinheiras, Monjolos e moinhos, Seminário: espalhando sêmen, Escola: fragmento do futuro.

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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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