Você já viu o Pelé chorar de alegria e emoção muitas vezes, não é mesmo? Afinal o cara sempre foi um campeão e emocionou o mundo com seus gols e seu talento. Também serviu de exemplo para muito jovem de preparo físico, saúde e vida esportiva. Agora Pelé chorou, mas de tristeza.
Ele nunca podia esperar que um dia iria chorar vendo seu filho, Edinho, o ex-goleiro do Santos, atrás das grades. Nessa hora a gente pergunta: Quem sofre mais, um pai que vê um filho portador de alguma deficiência preso a uma cadeira de rodas ou um filho forte e saudável preso em uma penitenciária? Ambos têm seus movimentos limitados, mas o primeiro pode ser uma alegria para seus pais.
Veja o que Pelé disse:
"Como vocês conheciam, o Edinho era uma pessoa que todos admiravam, que todos gostavam e que jamais nós da família poderíamos pensar que ele pudesse ter se envolvido com pessoas assim. Não é desculpa nenhuma o que eu vou dizer, mas vocês me acompanharam desde o começo da minha carreira e sabem da minha luta contra as drogas, sabem do meu empenho para que ficasse claro que isso realmente não era bom para nenhum ser humano." Pelé, nós choramos com você.
Mensagem do Edinho: "Inicialmente, gostaria que esse meu desabafo servisse de exemplo para que os jovens não trilhassem o caminho que trilhei".
"Motivado pela curiosidade desde tempos atrás, mais precisamente após ter deixado o futebol profissional, onde atravessando uma depressão, tornei-me um dependente químico, utilizando propriamente de maconha. Cada vez mais tornei-me outra pessoa daquela que todos conheciam".
"Não tinha disposição ou controle de meus pensamentos, tudo na busca da satisfação na droga, maconha. Nem mesmo meus familiares, pai, mãe, esposa e dois filhos pequenos foram suficientes para que meu vício pudesse ser abandonado".
"Assim nesse convívio, acabei conhecendo pessoas que chegavam a me oferecer droga, as vezes gratuitamente, em troca simplesmente da minha companhia e amizade. Outras vezes, para impressionar meus novos amigos, contava vantagens irreais. Tudo isso motivado pelo consumo da droga".
"Hoje, no fundo do poço em que me encontro, percebo o quanto errado e danoso é o caminho das drogas e humildemente reconheço minha situação de viciado e peço ajuda de todos que me amem, meus familiares, fãs, me perdoem por ter em algum momento deixado de ser um bom exemplo. Obrigado, Edinho."
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.