Isso mesmo. Não escrevi errado não. É que não tenho namorada e pode ser que você não tenha namorado. Espere. Não estou insinuando nada não, só porque está chegando o DIA DOS NAMORADOS. É que inventei um dia para quem vive enamorado sem ter namorada ou namorado.
Não entendeu? Então deixa eu explicar a razão de "Dia dos Enamorados" e não "Dia dos Namorados". Bem, tem tanta coisa na vida que nos deixa apaixonados. A própria vida já é motivo para ficarmos enamorados por ela. Há pessoas queridas, coisas que gostamos - eu tenho o meu ursinho -, lugares inesquecíveis. Há muita coisa que pode nos deixar enamorados.
Sua vida não está dando motivo para se enamorar? Bem, como dizia o pai do Fernando Sabino, "No final tudo dá certo. Se ainda não deu certo é porque não chegou no final". Para homenagear o Dia dos Enamorados, vou deixar meu pai publicar aqui uma crônica que ele já publicou em seu blog em homenagem ao Dia da Mulher. É a da Dulcinéia, de quem Dom Quixote se enamorou. Depois de ler, por que não envia para alguém no DIA DOS NAMORADOS? Quem sabe esse alguém não fica enamorado ou enamorada de você?
Dulcinéia, musa minha e sua
Sobre minha mesa, dois belíssimos volumes de "Don Quixote de La Mancha", de Miguel de Cervantes Saavedra, me fitam. A edição que herdei de meu pai é de 1955, ano de meu nascimento, e traz ilustrações de Gustavo Doré. Que magia estes livros contêm? O que tornou Don Quixote um dos livros mais lidos do mundo?
O fato de ter sido concebido em um cárcere, talvez. Por ser a aventura de um louco em busca de glória? Hummm... não sei... Quem sabe o que realmente nos seduz é saber que ele, um perdedor nato e fraco, se acha um campeão, o mais valente, o mais fidalgo? Pode ser. Gostamos de fracos vencedores, porque no fundo somos assim. Só falta vencer.
Mas o que seria de um cavaleiro sem inspiração? É aí que entra Dulcinéia, a musa inspiradora de Don Quixote. É aí que entra minha homenagem às mulheres, as musas inspiradoras dos homens. Mas quem é Dulcinéia? Quixote, por gentileza, poderia descrevê-la? Você a conhece melhor do que eu.
"O seu nome é Dulcinéia, sua pátria Toboso, um lugar da Mancha; a sua qualidade há de ser, pelo menos, Princesa, pois é Rainha e senhora minha; sua formosura sobre-humana, pois nela se realizam todos os impossíveis e quiméricos tributos de formosura, que os poetas dão às suas damas; seus cabelos são ouro; a sua testa campos elíseos; suas sobrancelhas arcos celestes; seus olhos sóis; suas faces rosas; seus lábios corais; pérolas os seus dentes; alabastro o seu colo; mármore o seu peito; marfim as suas mãos, sua brancura neve; e as partes que à vista humana traz encobertas a honestidade são tais (segundo eu conjeturo) que só a discreta consideração pode encarecê-las, sem poder compará-las."
[Pausa para você dar aquele suspiro e desarrepiar]
A verdade é que todo homem precisa de uma Dulcinéia, de uma musa, de uma inspiração. De alguém por quem valha a pena lutar até contra o vento dos moinhos. Uma amada, uma esposa, uma mãe, uma irmã — você elege a sua. Sem a sua Dulcinéia o homem é Romeu sem Julieta, queijo sem goiabada, azeitona sem sal.
Dulcinéia era a projeção que Don Quixote fazia de Aldonça Lourenço, uma campesina de Toboso. A Dulcinéia dos sonhos ele nunca encontra no livro, porque ela mora em sua mente e coração. A Dulcinéia de cada um é aquela que envelhece e você não vê as rugas; que ralha e você ouve um canto; que vira para o outro lado e dorme, e você enxerga um anjo. Ideal, virtual, uma projeção toda sua da real. Pois ela é perfeita, nunca menos do que a imagem que você vê. É por essa que o amor nunca arrefece.
Porém, Quixote chora, por achar que Dulcinéia o despreza:
"Ó princesa Dulcinéia, senhora deste cativo coração, muito agravo me fizeste em despedir-me, e vedar-me com tão cruel rigor que aparecesse na vossa presença. Apraza-vos senhora, lembrar-vos deste coração tão rendidamente vosso, que tantas mágoas padece por amor de vós."
Pelo amor de Dulcinéia, Don Quixote seria capaz de atravessar desertos, escalar montanhas, cruzar os mares, dar a volta ao mundo, enfrentar perigos e abater inimigos. Mas no livro ela não fica com ele. Talvez por saber que ele nunca iria parar em casa. Agora, que tal enviar esta crônica para sua Dulcinéia no "Dia dos Namorados"? Ou seu Dulcinéio? (Argh! Peça a ele para trocar de nome!) No final da coluna ao lado tem um formulário verde horrível para você enviar.
Adorei o poema, também sou uma Dulcineia e gosto muito de meu nome e como a Dulcineia de Dom Quixote, também sou a musa inspiradora de meu amor que escreve versos lindos só pra mim. Abraços
Enviado por Dulcineia Gonçalves em 02/08/2008
Dias dos Enamorados!
É pedrinho,não precisamos de Dulcinéias(os ) para nos sentirmos enamorados! Quando digo que precisamos de um amante ( não quero dizer no sentido visceral da palavra )é literal mesmo . Amamos um amigo leal, uma criança, um trabalho emocionante, um livro , a faculdade , irmãos de fé , de coração , biológicos, a vida , o ar , as montanhas , o mar , as estrelas que cintilam no céu, a lua cheia gorducha e que faz a noite ficar mágica , uma boa música , um bom vinho , um ombro amigo , um abraço daqueles que afagam a alma.Amamos até a saudade! O certo é que sem amarmos a vida nõa tem significado !
Pedrinho Acabei de te mandar um beijo, lá na página do teu pai,no orkut. Senti saudade de você,e vim compartilhar um pouquinho da tua vida. Você tem toda razão,quando fala sobre enamorar-se.Também não tenho Dulcinéio, mas sou uma eterna apaixonada pela vida,pelos meus irmãos, meu filho, meus amigos.Acredita que sou até apaixonada pelo meu emprego, pela minha faculdade e até pelos meus clientes e professores?? Pois é.Te pergunto:precisa Dulcinéio??rs Sabe Pedro,vou te confessar uma coisa:homem e mulher quando se relacionam,evidenciam a grande dificuldade do ser humano em respeitar a individualidade do outro.O não ser dono do outro, ainda é coisa para as futuras gerações, mas nós chegaremos lá. Nesse dia, estarei em busca do meu Dorotéio, porque Dulcinéio já não mais vai haver e olha que ele pode até vir a se chamar assim, que nem vou ligar.(Dando uma gostosa risada aqui)rs Beijos, com carinho.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.