Nesta época do ano é impossível meu pai não se lembrar do Daniel, quando vai ao supermercado. Danielzinho foi morar com Jesus em 1998, depois de ficar doente por alguns anos. Ele era fã de videogames e, um dia, ao entrar com sua mãe em um desses túneis de ovos de Páscoa num supermercado, olhou para a mãe e disse radiante: "Mamãe! Passamos de fase!"
A história de hoje é de outro garotinho que, assim como Daniel, já passou de fase. A história foi escrita por Ida Mae Kempel, mas vou contar do meu jeito.
Era uma vez um garotinho especial como eu, que tinha muita dificuldade para aprender. Sua professora se irritava com isso e também por ele ficar se contorcendo na carteira e dando uns grunhidos esquisitos. Seu nome era Jeremias e sua doença o fazia definhar. Ele não iria viver muito tempo.
A professora queria que ele fosse para uma escola especializada, mas não havia nenhuma por perto. Sabe como é, ela se preocupava com os outros 18 alunos da classe que se distraíam com as esquisitices do Jeremias. Com doze anos, ele era dez anos mais velho que as outras crianças e nem tinha aprendido a ler!
Um dia a professora contou para seus alunos a história de Jesus. Falou de como nasceu e morreu numa cruz em nosso lugar. Mas, se Ele ficasse morto, não haveria esperança para ninguém, então Ele ressuscitou, isto é, voltou a viver para nunca mais morrer. A professora disse que quem crê nEle, ainda que morra, também viverá. Ela explicou que isso se chama ressurreição.
Para gravarem bem a história, ela deu um ovo de plástico para cada um, desses que vêm com um brinquedinho dentro. Só que aqueles estavam vazios e a professora queria que cada criança trouxesse dentro alguma coisa que simbolizasse morte e ressurreição. Será que o Jeremias entendeu? A professora achou que não.
No dia seguinte a professora foi abrindo um a um os ovos que as crianças trouxeram, e explicou o significado do que encontrou dentro. No primeiro havia uma florzinha e ela explicou que a flor só nasce depois que a semente morre. Um bom exemplo de morte e ressurreição.
No outro havia uma borboletinha de plástico. A professora explicou que a borboleta só surgia depois que a feia lagarta dormia e se transformava. Era como se morresse e ressuscitasse mais bonita. Outro ovo trazia um pouco de musgo, que foi interpretado como vida surgindo na pedra morta. O ovo de Jeremias ela abriu, fechou e colocou de lado.
— A senhora não vai falar nada de meu ovinho? — perguntou Jeremias.
— Mas, Jeremias, seu ovo está vazio! — respondeu a professora desapontada.
— A senhora não disse que o túmulo de Jesus estava vazio? — justificou Jeremias.
A professora gelou.
— Você sabe por que estava vazio, Jeremias?
— Claro, professora. Jesus morreu e foi colocado lá, mas ressuscitou, do mesmo jeito que vai acontecer comigo! — explicou Jeremias com um brilho nos olhos.
Três meses depois Jeremias morreu. As crianças foram ao velório e foram elas que explicaram para seus pais o que significava a cestinha que tinham colocado no caixão. Com 19 ovos vazios.
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Uma Luta Pela Vida LIA PERSONA O romance de Lia Persona, "Uma luta pela vida", pega o sofrimento humano num de seus aspectos mais dolorosos. Em primeiro lugar porque mostra a luta de um menino contra as dificuldades múltiplas : de andar, de falar, de ouvir, de pensar. Ao descrever como um corpo de criança é dominado por um sem-número de males, atinge a romancista um nível seguro de narração, usando o contraponto de um diário, da própria narradora, como espelho em que se refletem suas certezas e suas dúvidas. Outro ângulo, pelo qual seu romance pode ser incorporado integralmente por quem o lê, está no levantar um ideal de enfermagem, em que a palavra "cuidar" assume sentido abrangente e total. O estilo de Lia Persona é ao mesmo tempo, e com igual intensidade, pleno e plano. Cada frase sua mostra, com direiteza, o menino inserido em sua clausura, em que quase total fechamento à vida que fluía fora dele. Como curar aquela criança, que não era dela, mas que não podia abandonar? - ANTONIO OLINTO - Academia Brasileira de Letras
Oi Mario.... Fiquei emocionada com a historia do Jeremias, mas principalmente com a sua e do Pedro. É dificil encontrar palavras para definir essa entraga e esse amor que você dedica ao Pedro. Eu sou mãe de um garotinho especial, ele é autista, tem 5 anos,e ele me mostrou o imenso e maravilhoso mundo das pequenas coisas, e hoje, lendo essa pagina, meus horizontes se ampliaram ainda mais. Obrigo pelo seu testemunho. Beijos ao Pedro
Nesta semana, visitando as comunidades do Orkut, visitei vc Mário e fiquei conhecendo um pouco da sua História e agora mais esta, muito legal ver depoimentos como esse de Jeremias ( que na verdade fiquei curiosa achando que tinha alguma coisa a ver com o Livro de Jeremias) mas os fins justificão os meios e é maravilhoso aprender um pouco mais e sei que posso crescer com tudo que tenho lido nas suas paginas da amiga Internet.
Terminei de ler com os olhos cheios de lágrimas. Pura emoção! Tenho 2 filhos adotivos, mas nenhum dos dois tem problemas de saúde, físico ou mental. Às vezes eu me pergunto se teria forças para adotar uma criança com problemas tão graves. Sinceramente, não sei. Parabéns pela coragem e despreendimento... Deus abençoe todos vcs.
Não vou elogiar o texto, não vou dizer como me emocionei ao lê-lo. Quero apenas lançar algumas sementes, idéias e palavras que podem ou não frutificar no futuro, pois é certo que desconhecemos a real força da palavra escrita. Na verdade o que mais me comoveu foi a atitude do pai em emular a vontade do filho, expressando-se em seu nome, dividindo sentimentos e educando a todos nós que, por sorte ou oportunidade, temos acesso à este website. Não posso imaginar exemplo mais puro e perfeito do que é ser cristão, alguém colocando-se no lugar de outra DE CORPO E ALMA, entendendo o outro e generosamente cedendo inteligência e mãos para escrever algo tão edificante e assim provando aos demais como é possível vivermos em comunhão.
Pedro...fantástica esta história! Sou professora, trabalho numa Escola Especial. Tenho aprendido tanto com minhas crianças, agradeço à Deus por ter me dado esta oportunidade! Que Deus te abençoe muito, um beijo no teu coração! Estou também no orkut, Sandra Pereira, pode entrar em contato comigo quando quiser!
Enviado por Sandra em 03/04/2005
Pedro, sempre que entro aqui me emociono! Você, Jeremias, Daniel, são todos muito, mas muito especiais! Que bom é termos a certeza que quando passarmos desta fase, aqui na terra, estaremos numa outra fase, muito melhor, com Jesus! Beijoca pra vc.
Oi Pedrinho Glória a Deus que o Jeremias tinha essa certeza em seu coração !!!!! Essa certeza e alegria e paz só podem estar nos corações daqueles que conhecem a Jesus e creem....... Um beijinho , Rita
Enviado por Rita Savoia em 28/03/2005
Linda a história... Parabéns Mário pela sua dedicação.Vc me emociona...
Enviado por Ana Paula Barozzi em 28/03/2005
Foi muito bom ler essa historia. Fico só por aqui... Outro dia escreverei mais.! Bjs Pedro, te cuida e tds os seus tb!
OI PEDRINHAO LINDO! Ah pois é, essa história me lembra uma também da menininha q jogou beijinhos dentro da caixinha pra presentear sua mamizinha e ela zangou com ela porque a caixa estava vazia! E a menininha chorando disse não mãezinha eu soprei e enchi de beijinhos!A pureza de coração é sempre mais sábia as coisas do espírito! Minha mamizinha sempre diz isso! Vim lhe desejar uma FELIZ PÁSCOA a voc~e e a todos da sua linda família!Beijokinhas sabor de chocolate em seu puro e lindo coração!
Pedro. Linda a historia do Jeremias. No momento que estamos vivendo essas historias de coisas do bem, faz a gente parar e pensar na vida. Deve ser gostoso ter um pai que conta histórias tão bem. Cuida bem dele, viu Pedro. Beijo pra vc. beijo pro seu pai
A cada dia que passo confirmo mais a minha teoria de que o sentido da nossa existência aqui é mesmo aprender e crescer uns com os outros indistintamente. A história de Jeremias confirma isso. Me sinto abençoada por ter tido acesso a ela. E ter aprendido um pouco mais. Estou no Orkut e se você me adicionar, sei que vou adorar. Visite também a minha comunidade: Acessibilidade para Todos. Entre no meu perfil e acesse. Te espero lá. Beijos, Soninha
Fiquei muito sensibilizada com a história de Jeremias... acredito que cada dificuldade que conseguimos ultrapassar com força e dignidade... seja um " Ovo de Jeremias " ...renascemos com mais força ...mais sabedoria e muito mais humildade! Feliz Páscoa !
Puxa vida... Temos tanto que aprender ainda, né? São pessoas mais que especias, os Jeremias da vida. Beijão, Pedrinho.
Enviado por Mariazinha_ em 25/03/2005
Oi Mario muito legal o site... e linda a Historia de Jeremias.. sou psicologa e trabalho com PNE na grande sao paulo. To no orkut como adriana poli, quem sabe viramos amigos!! A proposito, Feliz Pascoa!
Essas são histórias que nos tocam fundo na alma. Que nos lembram que somos muito mais do que o pensamos ou lembramos ser em nosso dia-a-dia. Obrigada ao Mário Persona pela indicação do site. Feliz Páscoa a todos!!! MárciaCruz
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.