Meu pai recebeu de alguém a indicação para ler um texto do Rubem Alves. É, esse mesmo, você já ouviu falar. O homem escreve que é uma barbaridade de bom. É uma crônica falando da inutilidade da infância e, de tabela, da inutilidade de pessoas como eu.
Assustou? Não se preocupe. Rubem Alves não vai falar de mim não, e nem de qualquer criança ou pessoa portadora de deficiências ou com necessidades especiais, como dizem ser politicamente correto dizer hoje. Dentre outras coisas, ele conta...
"Eu me lembro daquelas propagandas curtinhas que se fizeram na televisão, por ocasião do ano da criança deficiente, para provar que ainda havia alguma esperança, para dizer que alguma coisa estava sendo feita. E apareciam lá, na tela, as crianças e adolescentes, cada uma excepcional a seu modo, desde Síndrome de Down até cegueira, e aquilo que nós estávamos fazendo com eles... Ensinando, com muito amor, muita paciência. E tudo ia bem até que aparecia o ideólogo da educação dos excepcionais para explicar que, daquela forma, esperava-se que as crianças viessem a ser úteis, socialmente... E fiquei a me perguntar se não havia uma pessoa sequer que dissesse coisa diferente, que aquelas escolas não eram para transformar cegos em fazedores de vassouras, nem para automatizar os mongolóides para que aprendessem a pregar botões sem fazer confusão... Será que é isto?"
Ficou curioso? Então vai lá. Clique aqui para ler o texto inteiro no site do autor. A crônica está também no livro abaixo.
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Estórias de Quem Gosta de Ensinar RUBEM ALVES Um dos maiores bestsellers de Rubem Alves, "Estórias de quem gosta de ensinar" é relançado agora pela Papirus. O livro reúne as seguintes crônicas sobre educação: O país dos dedos gordos, Vestíbulo coisa nenhuma!, A maratona safada, Eu ficaria de fora..., O sorteio, “Muito cedo para decidir”, Viagem longa, destino incerto..., A inutilidade da infância, Os grandes contra os pequenos, O avesso, O currículo dos urubus, O urso burro, oiuqóniP, Urubus e sabiás, O sermão das aves, Saber e prazer, Amor ao saber, A lâmina da guilhotina, A verdade do espelho, O que as ovelhas dizem dos lobos, A Imaculada Conceição, “Não era esta a mágica que eu queria”, Aprendendo das cozinheiras, Monjolos e moinhos, Seminário: espalhando sêmen, Escola: fragmento do futuro.
olá, eu estou cursando a 8ºsérie e na minha escola à muitos deficientes, tenho vários amigos com deficiencia auditiva... Admiro muito essas pessoas maravilhosas que mesmo com toda dificuldade sempre estão com um sorriso no rosto...! Meu sonho é trabalhar com crianças especiais, mas não sei que faculdade fazer? para realizar meu sonho, vou ficar muito feliz de poder ajudar de alguma forma pessoas tão ESPECIAIS...!
A por favor alguém pode responder minha pergunta?
♥ Beijos p/ vc Pedrinho ♥
Obrigado...
Enviado por Márcia em 17/08/2009
Achei interessante e comovente a vida dessas crianças especiais que se tornam adultos mais felizes, devido o amor e carinho dado pelos pais ou por alguém que Deus coloca em seus caminhos. Eu tenho um sobrinho que se chama Pedro Henrique, que eu amo muito e que também é especial, ele teve PC. Peço a Deus por essas crianças.
Achei muito enteresante o trabalho de vc com este site maravilhoso. É para as pessoas verem que não devemos falar mal da nossa vida e nem como Deus nos fez...Quero que estas crianças deficientes sejam muito felis cada dia mais e mais da suas vidas...bjos...Parabéns para quem teve a criatividade de criar este site...
Outra coisa que me esqueci de dizer é que sinto que as vezes as pessoas tambem me veem meio como boba, mas não é isto não... É que vejo, sempre, somente com os olhos do coração e não com a razão... Acho que é porisso que Deus gosta tanto das crianças... Quando usamos muito, somente a razão, começamos a julgar muito as pessoas e entristecer a Deus...
Enviado por Srta. Almeida em 24/03/2005
"... sim, diz a psicanálise que este projeto inconsciente é a recuperação de uma experiência infantil de prazer. Redescobrir a vida como brinquedo." -- Que bom que existem pessoas assim... Sabe Pedrinho acho que sou um pouco assim... Pelo menos em meio as lutas e tristezas desta vida, meio cruel, eu sigo em frente, talvez meio infantil mas tentando ser feliz...e não vou deixar que nada, nem ninguém, nunca, tire a minha vontade de ser feliz, de ir em frente e buscar novos horizontes. Que sejamos todos assim...que busquemos ser felizes em detrimento a qualquer coisa na vida, porque ela passa, e rápido, a cada dia. O tempo é implacável...Acho que todos nós deveriamos tentar ser mais crianças, sabia? Ser gente grande e levar tudo muito a sério deixa a gente muito chato e infeliz. Um beijo carinhoso em você, que nunca conheci.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.