Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

Quer escrever para mim?


 

"Vida agridoce" - "O que você faria comigo?"

06/03/2005
Medroso! Medroso! Medroso!...

Meu pai é um medroso. Só pode ser. Perder uma oportunidade dessas?! Ah, eu conto, sim, vou contar, quero contar! Sabe o que? Que meu pai foi dar uma palestra em Foz do Iguaçu e encontrou lá o Osmar Santos expondo seus quadros. Encontrou é modo de dizer. Sabe o que aconteceu? Nada.
angry, grr

Isso mesmo, nada! Meu pai viu o cara, viu os quadros e ficou nisso. Você sabe, o Osmar Santos, aquele que era um super radialista até um caminhão bêbado atravessar o seu caminho. Ah, se eu pudesse falar! Sabe o que faria agora mesmo? Conversaria com meu pai para saber tim-tim por tim-tim a razão de nem chegar perto do Osmar.

Minha conversa com meu pai seria algo assim, tenho certeza:

— Pai, não me diga que você foi até lá, viu o Osmar e nem o cumprimentou.

— Fui, vi, não...

— Chegou perto, pelo menos.

— Bem, sim e não. Na volta ele ficou quase ao lado no avião, do outro lado do corredor.

— E...?

— E o que?

— Pelo menos falou um oi, disse que gostava dos quadros, que você também já pintou...

— Não.

Eu não acredito! Uma foto, pai, uma foto! Todo mundo quando encontra um famoso corre lá tirar uma foto ao lado dele... Pensou? Botava no seu site, fazia o maior farol...

— Também não... sei lá, fiquei sem jeito...

— Você, sem jeito?! Sobe num palco, faz gato e sapato, fala pelos cotovelos... com essa cara de sério deixa a turma surpresa ao descobrir que existe um palhaço debaixo do terno... Sem jeito?!

— É, Pedro, fico sem jeito quando encontro gente assim. Tem gente que tá com tudo em cima e vive reclamando. Outros, como você, nascem com deficiências e fazem um bocado, se desenvolvem, aprendem, tudo bem, mas nunca souberam o que é ter tudo funcionando... Já um cara como o Osmar...

— O que tem um cara como o Osmar?

— Oras, ele estava por cima e de repente viu o tapete ser puxado. Perdeu o que tinha de melhor, a voz, a locução. Tipo João do Pulo, o campeão olímpico, que perdeu a perna; tipo João Carlos Martins, o pianista que perdeu o movimento dos dedos... Gente que está no topo, desce no fundo e se supera, entende? Ou pessoas comuns, donas de casa, profissionais, estudantes como meu amigo Cristóvão de Barros, que levou um tiro na coluna, ficou paraplégico e hoje toca seu próprio negócio... Nossa! Tem tantos outros heróis assim por aí... Gente que dá a volta por cima, começa de novo, se reinventa, serve de exemplo...

— Só por isso você ficou sem jeito de ir lá falar com ele...

— Só por isso. Lá tinha tanta gente achando que eu era alguma coisa só porque sou palestrante, e a grande atração estava bem ali, sentado naquela cadeira de rodas e rodeado de quadros em cores vibrantes. O cara é a cara dos quadros que pinta, sabia? Vibrante, alegre, parece que está o tempo todo dizendo pra gente, “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”. E tem gente se lamuriando por aí só porque quebrou a unha, perdeu o cabelo, ganhou umas estrias, engordou...

— Já entendi.

— Entendeu o que?

— Você, não ter dado a mão pra ele, não ter tirado uma palhinha de prosa, não ter ficado ao lado pra uma foto... Você é um medroso, pai! Medroso! Medroso! Medroso!

— Pedro, olha o respeito!

— Medroso sim, pai! Você tem medo de gigantes.

resenha resenhas resumo resumos livro livros crítica críticas opinião opiniões literatura literaturas comentário comentários

Osmar Santos: o Milagre da Vida
PAULO MATTIUSSI

A voz inconfundível de "Osmar Santos" ainda pulsa na memória de milhões de pessoas. Finalmente, uma biografia compreende totalmente este fenômeno da comunicação. A partir de uma ampla pesquisa em arquivos de imprensa, pessoais e familiares, o jornalista Paulo Matttiussi revive em um texto emocionante a trajetória de glória e sucesso do maior nome da comunicação esportiva, interrompida repentinamente por um acidente que silenciaria para sempre as locuções inesquecíveis do "pai da matéria". Esta passagem é narrada com riqueza de detalhes, como uma verdadeira seqüência cinematográfica que prende a atenção do principio ao fim. Imperdível.

"Vida agridoce" - "O que você faria comigo?"



 

[ Atual ] [ Início ] [ Arquivo ]



Powered by FeedBlitz

Copie o endereço RSS para seu leitor de feed O que é RSS?




...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


Convide um amigo para me visitar.

*De:


Para:


Comentário:

*Preencha todos os campos.

Meus amigos também querem contar...
A Cerca da Vida
Amputados Vencedores
Andar com Asas
Andrea Schwarz
Arte Vital
Atelier Studio Medusa
Bengala Legal
Blog do Victinho
Camarpho
Canto de Anjo
Cantinho do Gil e da Teca
Cantinho do Roger
Crônica Autista
Daniela Caburro
Dedos dos Pés
Deficientes
Defis
Ednei Miguel
Eficiente Físico
Enfim grávidos
EspecialmenteSer
Fábio Becker
Fundação Selma
Kenji & Hideki
LerParaVer
Letícia
Luís Fernando Ferreira
Luiz Maia
Ludeficiente
Mara Gabrilli
Maré
Minha História
Muito Especial
Naldo
Página da Patty
Patricia Cichelli
Pensando na vida
Projeto Próximo Passo
Pronto para a corrida
Repórter SACI
Rindo de Nervoso
Sentidos
Site do Diego
Superando Obstaculos
Suzana Fonseca
Thiago Cristiano Targino Rocha
Transformação
Uma criança muito especial
Uma lição de vida
Uma vida transformada
UPASC
Virgínia Vendramini

Se você tem um blog sobre pessoas especiais, envie seu endereço aqui Se quiser criar um link para cá, pode usar o banner abaixo.:


[ Atual ] [ Início ] [ Arquivo ]


Mario Persona CAFE

O evangelho em 3 minutos

Chapter-A-Day

True Stories - Histórias de Verdade



Copie o endereço RSS para seu leitor de feed O que é RSS?

Add to Google
Subscribe in Bloglines



BlogBlogs.Com.Br Who links to my website?

Site Amputados Vencedores