Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Um dia diferente" - "Medroso! Medroso! Medroso!..."

25/02/2005
Vida agridoce

Estou de volta. Não sem deixar à mostra as marcas dos pedaços, porque é assim que a gente faz. Vai juntando os pedacinhos, reconstruindo, passando uma colinha aqui, uma fita crepe ali, um cimentinho acolá... É um monta e desmonta, porque a vida é agridoce.
wink

Semana passada tivemos nosso momento amargo, com a partida da vovó. Mas foi, ao mesmo tempo, um momento doce, porque agora ela está com Jesus. Em seu funeral, o meu amigo Pizzi falou umas palavras doces e disse para um montão de gente lá (e como tinha gente!) que certamente ninguém ali tinha se encontrado com vovó sem sair com uma mensagem sobre Jesus.

Ela era assim, falava pelos cotovelos, mas em seus cotovelos sempre tinha um compartimento para o evangelho. Pizzi falou que ali, deitada naquele caixão, ela estava dando sua última mensagem, amarga. A de que Deus falou a verdade, quando disse que por causa do pecado morremos. Mas, enquanto seu corpo estava ali, naquela cena azeda, seu espírito estava no Céu, na cena mais doce. Nisso também Deus disse a verdade.

Na noite do velório, meu pai e minhas tias também iam do agri para o doce numa fração de segundo. Ora estavam em prantos, ora gargalhavam lembrando de algum momento engraçado com vovó. Porque momentos assim eles tiveram, e foram muitos.

A vida é assim, amarga e doce. Geralmente é mais amarga do que doce, porque Deus reservou a doçura maior para depois. No céu tudo é doce, muito doce e a boa notícia é que ninguém precisa fazer regime. O que seria de nós se a vida fosse só essa amargura daqui? Vovó costumava dizer que se a vida aqui fosse 100% ótima, ninguém iria querer morar no céu. Eu concordo.

Agora veja como são as coisas na Internet. Tenho um tio, Pedro - nome doce, né? - que é primo de meu pai e mora muito longe daqui, lá nos Estados Unidos. Ele é cravista e fortepianista, faz concertos aí pelo mundo todo. Se você ouvir falar de Pedro Persone, não confunda comigo que sou Pedro Persona e não toco nem campainha. O desvio no sobrenome é coisa de algum deslize de algum escrivão em algum lugar da árvore genealógica da família.

Sabe que hoje meu pai recebeu um e-mail dele? Veja que doce:

"...há dois dias recebi um forward de uma amiga que vive em Gent, na Bélgica, que ela recebeu de um primo que trabalha na Volks. É o seu texto do personal coach..."

Foi assim que ficou sabendo da vovó. Para o papai foi um momento doce, porque deve ter mais de vinte anos que não encontra esse primo. Ah! O e-mail foi para dar os parabéns a meu pai, porque hoje é seu aniversário. Fazer aniversário é doce. Mas não conta pra ele que eu contei pra você que ele fez meio século de idade! Essa é a parte amarga.

Receber o e-mail de meu tio e xará foi um momento doce, por saber que as histórias dão volta ao mundo e voltam pra gente, como um bumerangue. Assim é conosco. Viemos de Deus, celebramos alguns aniversários, e um dia Ele quer que a gente volte para Ele. Não vá se perder por aí, viu?



"...e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se." Lucas 15:20-24



Haydn, Joseph (1732-1809) - "Trios para Fortepiano, Flauta e Violoncelo" Hob.XV:15-17. - Pedro Persone, fortepiano / Bernardo Toledo Piza, traverso / Maria Alice Brandão, violoncelo / Selo: PAULUS, São Paulo, 1994.
A gravação mais atraente de todas parece-nos aquela dedicada à integral dos Trios para Fortepiano, Flauta e Violoncelo de Joseph Haydn (1732-1809). O grande teórico do barroco e do classicismo Charles Rosen chamou-os de "obra agradáveis sem maior interesse". Mas os Trios contém música deliciosa e repleta de imaginação, capaz de entreter o ouvido e o espírito pelos quase 70 minutos que duram. Grandes responsáveis pelo encanto são, naturalmente, os intérpretes que optaram por instrumental de época. Pedro Persone ao fortepiano, Bernardo Toledo Piza à flauta e Maria Alice Brandão ao violoncelo realizam aí um trabalho a um só tempo muito sério e agradável. São mestres em seus respectivos instrumentos e operam em conjunto com notável influência. A afinação em "temperamento desigual" do fortepiano (avô do piano moderno), assim como a sua peculiar sonoridade, poderão causar uma certa dose de estranhamento ao ouvido habituado à afinação atual. Mas vale a pena experimentar. J. Jota de Moraes - Jornal da Tarde

"Um dia diferente" - "Medroso! Medroso! Medroso!..."



 

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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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