Você tem uma marca? Eu tenho. Ganhei esta semana e agora estou parecendo até produto de luxo, desses que têm marca. Bem, mas não é exatamente a marca que você está pensando...
Não se assuste com minha cara não. Não doeu quase nada. É que na foto eu tinha acabado de acordar. É sono mesmo.
A marca que ganhei é na testa, logo acima da sombrancelha direita. Não precisei contratar nenhuma empresa de marketing para ganhar, bastou eu querer ficar em pé sozinho da poltrona onde às vezes eu fico e... PIMBA! Fui de cara no chão.
Como o tapete é desses rústicos, deu uma raspadinha na testa, nada de grave. Ficou uma marquinha de raspado, mas ficou. Meu pai colocou gelo e acho que isso ajudou para não criar um galo daqueles. Mas a lição vale para muita gente. Sabia que crianças, portadores de deficiência e idosos sofrem um bocado de acidentes em casa? Verdade.
Meu pai é arquiteto e já viu as coisas mais escabrosas possíveis. Projetos com escadas sem corrimão ou proteção, por exemplo. Tem arquiteto que entra em êxtase quando projeta algo assim, sem saber que alguém vai acabar entrando em coma por causa disso.
Quem se tem crianças, idosos ou portadores de deficiência em casa é preciso tomar cuidados especiais. Tapetes podem fazer um idoso tropeçar, uma cadeira de rodas enroscar ou atrapalhar alguém que engatinhe. Janelas e sacadas de andares altos precisam ter redes ou grades, banheiros precisam de barras para segurar, tapetes anti-derrapantes e às vezes assentos elevados para o vaso para pessoas idosas com dificuldades para sentar.
1. A cama não deve ser muito alta. Deve ter uma altura entre 50 e 55 centímetros, para que a pessoa possa firmar bem os pés antes de se levantar. 2. Os interruptores precisam ficar ao alcance da pessoa na cama para que ela não tenha que se movimentar no escuro antes de acender a luz. 3. O piso precisa ser antiderrapante e os tapetes fixos no chão. 4. Barras de apoio no banheiro tanto no vaso como dentro do box são fundamentais para evitar quedas. 5. Os degraus devem ser substituídos por rampas de inclinação leve. Toda escada tem que ter corrimão e proteção antiderrapante. 6. As tomadas devem ficar na altura dos interruptores para evitar que as pessoas tenham que se abaixar muito para alcançá-las. 7. Os móveis devem ser adaptados para serem de fácil alcance e de cantos arredondados. Os sofás devem ter braços largos para ajudar os movimentos de se levantar e se sentar. 8. As prateleiras não devem ser nem muito altas ou baixas para evitar que a pessoa tenha que se esticar ou abaixar para pegar algo.
Se quiser um check-list para verificar tudo em sua casa, sugiro visitar o site CasaSegura ou baixar o arquivo Doc de lá.
Se tem alguma criança, idoso ou deficiente em sua casa, tire o dia de hoje para fazer um levantamento dos riscos e de como você pode facilitar a vida dessas pessoas ou protegê-las de acidentes. Se precisar fazer algo, faça já. Ou alguém na sua casa pode ganhar uma marca como a minha.
Casa Segura Cybele Barros A segurança domiciliar, respeitando os hábitos e costumes dos moradores e das diferentes faixas etárias, deve ter como meta a prevenção de situações freqüentes, quer simples, como contusões e queimaduras de 1º grau, quer complexas como fraturas do fêmur proximal, rádio distal, coluna lombar e outras.
A arquiteta Cybele, deu vida ao tema, pois coloca amor em seu trabalho, fato que já repercutiu em todo o Brasil e no exterior, sob a forma de artigos, palestras, cursos, debates, eventos e publicações.
Com este livro, o leitor terá a oportunidade de tornar reais inúmeras sugestões práticas, se desejar uma casa mais segura.
Oi Pedrinho, tu é lindo guri, quero que tu saiba que és um vencedor e que há muitas pessoas que te amam, especialmente teus pais e teus irmãos! Um enorme beijo meu lindo e que Jesus continue te iluminando a cada dia mais! Ah e cuidado pra não ficar cheio de marquinhas hein!
Enviado por Monique em 04/06/2006
Pedro Vc não imagina o quanto admiro sua família. Sou mãe de uma cadeirante adolescente e aborrecente. Quando pequena tb adquiriu muitas marcas. Umas mais profundas do que as outras. As superficiais são iguais à sua. Tentando levantar-se , cair da cadeira... As mais profundas, na alma. Quando tantas pessoas a magoaram por discriminá-la nos colégios. Hj na adolescêcia é que está colocando as marcas de dentro para fora,mas faz parte. Vc , como a minha Rachel são especiais em todos os sentidos. Grande beijo e que Papai do Céu esteja sempre olhando por vc, amparando vc e sua família. Bia (É assim que me chamam).
Pedrinho, vc está ficando muito levado heim menino ??? Cuidado para não ficar com mais marquinhas que espaços livres no seu corpo... a minha filha é muito sapeca, ela está cheia de marquinhas dessas no joelho, na perna... vcs só dando susto na gente ?!!! Se cuide beijocas tia Drika
Querido Pedro. A tua história é parecida com muitas que eu conheço. Ela pode não ter sido muito bonita no início, mas teve um final feliz. O que realmente interessa são as nossas lutas, as quais nos tornam mais fortes. Um grande abraço e um beijo para tí e para teus familiares. Gilberto Garcias (Médico Geneticista, há 15 anos trabalhando com portadores de necessidades especiais)
Enviado por Gilberto Garcias em 14/02/2005
Não consigo imaginar como existe no mundo alguém que pode duvidar da existência de anjos e de Deus. Ainda vou parar prá ler esse blog e sorver cada letrinhas digitada aqui e depois vou mandar a todos os amigos espalhados no mundo para que creiam. Agora eu posso dizer que os anjos andam pelo mundo. Eu já tive contato com alguns desencarnados que vieram aqui pra deixar algumas mensagens. Espero um dia poder ter também com a família de encarnados do Pedro. Adoraria tê-los com meus amigos-anjos. Fiquem com muita paz!
Oi, Pedrinho! Tirando a seriedade da questão, sabe que tenho uma marquinha no joelho? Eu jogava futebol e fui 'defender' alguma coisa...rs.... e PIMBA também!... Cai de joelho e uma pedrinha entrou.. Outr marca 'registrada' minha .. é uma queimadura de ferro no braço direito.. nossa...lembro direitinho de como foi.. da dor.. e .. aprendi a nunca mais mexer onde não devo. Um beijo pra você e cuide da sua marquinha, pois, com certeza, ela é só sua :o)
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.