26/12/2004
Estou triste, de tão contente que estou
Isso mesmo. Muuuiiiito feliz e muuuiiito triste ao mesmo tempo. A razão? Bem, se você já me conhece sabe saber que tenho uma super-irmã, que sempre me deu a maior força, me levou passear, nadar, andar a cavalo e fazer os exames mais mirabolantes para tentar descobrir a causa de meus defeitos. Ela até escreveu um livro de minha vida que termina falando da vida de outro!
Eu sei que é super chato contar o final de um livro, mas como ela não escreveu um suspense, mas uma história de amor, o fim é só o prefácio para outra história de amor. Enquanto você encomenda o livro clicando aqui, vou contar o que está escrito lá. Para você entender, preciso explicar que no livro ela trava um diálogo com seu próprio diário, como se fosse um confidente.
"Conheci alguém. Uma pessoa muito especial. Não tive coragem de contar antes. Acho que já estava suspeitando por eu nunca ter confidenciado as paixões do meu coração para você. Fiquei encabulada. Também tive medo que lesse suas páginas e eu me comprometesse com o assunto antes do tempo. Mas agora não há problema. Todos já sabem. Só faltava você.
"Nunca quis que fosse o último a saber. Nunca. Mas não teve jeito. As coisas foram acontecendo... Quem sabe daqui a alguns anos resgate você do fundo do meu armário e peça sua ajuda para escrever outro livro... Até lá tenho que viver mais alguns momentos da minha vida para poder preencher as páginas do próximo livro que escreveremos. Prometo que serão momentos cheios de muito romance, paixão e amor!"
Quando minha irmã escreveu estas linhas, ainda era ficção. Poucos meses depois ela realmente conheceu alguém, se apaixonou e o resto da história é igual à de milhões de pessoas em todo o mundo. Esta semana ela se casou e agora mora no exterior, longe na distância, mas perto no coração. É por isso que estou triste, de tão contente que estou.
Olha que lindeza eu estou na foto abaixo, todo elegante, de gravata e tudo mais. Perdi a conta de quantos beijos ganhei e quase precisei fazer inalação, de tanto pó de arroz que respirei! Era um tal de Pedrinho bonitinho pra cá, Pedrinho simpático pra lá. Bem, é claro que você pode acreditar nessas pessoas. Eu sou realmente assim.
Da esquerda para a direita, meu primo e esposa, tio e tia, meu primo, namorado de minha prima e prima, outro primo escondido atrás, minha tia e meu tio, minha mãe e meu pai, meu irmão de gravata escocesa, minha irmã e o marido dela. Talvez você reconheça alguém pelos sapatos.
Ah! Estranhou a foto? Não dá pra ver as outras pessoas? Ué... não é em mim que você está interessada? Bem, fica aí uma oportunidade de você aprender a perspectiva de um cadeirante. Eu mesmo não enxergo nada, mas quem não é cego como eu, mas vive numa cadeira de rodas, enxerga as coisas de um ponto de vista diferente do seu. Já tentou enxergar o mundo do ponto de vista de um cadeirante? Deixo esta lição de casa para você.
Uma Luta Pela Vida LIA PERSONA Lia Persona, enfermeira graduada pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, uniu ficção e realidade para escrever seu romance Uma Luta Pela Vida e sagrou-se vencedora do 1º Concurso Literário Anjos de Branco, organizado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Ela se inspirou no irmão adotivo, deficiente físico e mental, que surgiu em sua vida quando ela tinha apenas seis anos de idade. A história do livro é uma espécie de diário, onde o leitor acompanha o dia-a-dia de uma enfermeira, com seus plantões, o trabalho estressante numa enfermaria do setor de pediatria e os conflitos normais do cotidiano.
Estou muito emocinada e interessada com a história de Pedro, o genesticista de meu filho PEDRO VINÍCIUS DE 2 anos e 10 meses fechou o diagnóstico provisório de que ele tem síndrome de LOWE, fiquei triste em saber, mas ao mesmo tempo, com toda força para fazer pelo meu filho tudo o que eu puder para que ele melhore e que seja muito feliz a cada dia, pois eu o AMO MUITO!
Pedro Desejo a você, toda felecidade do mundo e força e fé em DEUS para vencer todos os obstáculos da vida.
Estou deveras muito feliz! Pois, vislumbro um cristianismo mais puro e autêntico, que tem por base a Palavra de Deus; Mas, que se traduz, e, se manifesta em atitudes e gestos vivos. Amor altruista como o de Cristo é o que precisamos. É isso, que tão somente, será capaz de mudar o mundo, e, até no seio da Igreja do Salvador reacender o Fogo do Espírito. Apagando o mornismo e indiferença reinante, entre nós, trazendo de volta, como no alvorescer do Cristianismo, o Real quadro e Modelo Único e Autêntico deixado pelo Mestre e Salvador Jesus Cristo, que resume tudo numa simples Palavra: "AMOR". Parabéns! Louvo a Deus pela vossa existência, que é um marco Indelével e Eterno. Que estejamos sempre unidos como um só corpo pelo mesmo Espírito para Glória de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. Aleluias! Maranata! Ora vem Senhor Jesus!
Nossa... que história impactante! Um exemplo maravilhoso de Amor... Parabéns Mário pela iniciatiava,pelo amor ao menino pedro,pelo exemplo... E pedro que vc seja feliz com essa sua família linda e iluminada que tanto amor tem para com você. Muito amor e carinho, Cândida
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.