Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Mensagem de Natal" - "Os desapontamentos da vida"

26/12/2004
Estou triste, de tão contente que estou

Isso mesmo. Muuuiiiito feliz e muuuiiito triste ao mesmo tempo. A razão? Bem, se você já me conhece sabe saber que tenho uma super-irmã, que sempre me deu a maior força, me levou passear, nadar, andar a cavalo e fazer os exames mais mirabolantes para tentar descobrir a causa de meus defeitos. Ela até escreveu um livro de minha vida que termina falando da vida de outro!
sad

Eu sei que é super chato contar o final de um livro, mas como ela não escreveu um suspense, mas uma história de amor, o fim é só o prefácio para outra história de amor. Enquanto você encomenda o livro clicando aqui, vou contar o que está escrito lá. Para você entender, preciso explicar que no livro ela trava um diálogo com seu próprio diário, como se fosse um confidente.

"Conheci alguém. Uma pessoa muito especial. Não tive coragem de contar antes. Acho que já estava suspeitando por eu nunca ter confidenciado as paixões do meu coração para você. Fiquei encabulada. Também tive medo que lesse suas páginas e eu me comprometesse com o assunto antes do tempo. Mas agora não há problema. Todos já sabem. Só faltava você.

"Nunca quis que fosse o último a saber. Nunca. Mas não teve jeito. As coisas foram acontecendo... Quem sabe daqui a alguns anos resgate você do fundo do meu armário e peça sua ajuda para escrever outro livro... Até lá tenho que viver mais alguns momentos da minha vida para poder preencher as páginas do próximo livro que escreveremos. Prometo que serão momentos cheios de muito romance, paixão e amor!"


Quando minha irmã escreveu estas linhas, ainda era ficção. Poucos meses depois ela realmente conheceu alguém, se apaixonou e o resto da história é igual à de milhões de pessoas em todo o mundo. Esta semana ela se casou e agora mora no exterior, longe na distância, mas perto no coração. É por isso que estou triste, de tão contente que estou.

Olha que lindeza eu estou na foto abaixo, todo elegante, de gravata e tudo mais. Perdi a conta de quantos beijos ganhei e quase precisei fazer inalação, de tanto pó de arroz que respirei! Era um tal de Pedrinho bonitinho pra cá, Pedrinho simpático pra lá. Bem, é claro que você pode acreditar nessas pessoas. Eu sou realmente assim.


Da esquerda para a direita, meu primo e esposa, tio e tia, meu primo, namorado de minha prima e prima, outro primo escondido atrás, minha tia e meu tio, minha mãe e meu pai, meu irmão de gravata escocesa, minha irmã e o marido dela. Talvez você reconheça alguém pelos sapatos.


Ah! Estranhou a foto? Não dá pra ver as outras pessoas? Ué... não é em mim que você está interessada? Bem, fica aí uma oportunidade de você aprender a perspectiva de um cadeirante. Eu mesmo não enxergo nada, mas quem não é cego como eu, mas vive numa cadeira de rodas, enxerga as coisas de um ponto de vista diferente do seu. Já tentou enxergar o mundo do ponto de vista de um cadeirante? Deixo esta lição de casa para você.

Uma Luta Pela Vida
LIA PERSONA

Lia Persona, enfermeira graduada pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, uniu ficção e realidade para escrever seu romance Uma Luta Pela Vida e sagrou-se vencedora do 1º Concurso Literário Anjos de Branco, organizado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Ela se inspirou no irmão adotivo, deficiente físico e mental, que surgiu em sua vida quando ela tinha apenas seis anos de idade. A história do livro é uma espécie de diário, onde o leitor acompanha o dia-a-dia de uma enfermeira, com seus plantões, o trabalho estressante numa enfermaria do setor de pediatria e os conflitos normais do cotidiano.

"Mensagem de Natal" - "Os desapontamentos da vida"


Estou muito emocinada e interessada com a história de Pedro, o genesticista de meu filho PEDRO VINÍCIUS DE 2 anos e 10 meses fechou o diagnóstico provisório de que ele tem síndrome de LOWE, fiquei triste em saber, mas ao mesmo tempo, com toda força para fazer pelo meu filho tudo o que eu puder para que ele melhore e que seja muito feliz a cada dia, pois eu o AMO MUITO!

Pedro Desejo a você, toda felecidade do mundo e força e fé em DEUS para vencer todos os obstáculos da vida.

Enviado por Catia em 18/05/2005


Estou deveras muito feliz! Pois, vislumbro um cristianismo mais puro e autêntico, que tem por base a Palavra de Deus; Mas, que se traduz, e, se manifesta em atitudes e gestos vivos. Amor altruista como o de Cristo é o que precisamos. É isso, que tão somente, será capaz de mudar o mundo, e, até no seio da Igreja do Salvador reacender o Fogo do Espírito. Apagando o mornismo e indiferença reinante, entre nós, trazendo de volta, como no alvorescer do Cristianismo, o Real quadro e Modelo Único e Autêntico deixado pelo Mestre e Salvador Jesus Cristo, que resume tudo numa simples Palavra: "AMOR". Parabéns! Louvo a Deus pela vossa existência, que é um marco Indelével e Eterno. Que estejamos sempre unidos como um só corpo pelo mesmo Espírito para Glória de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. Aleluias! Maranata! Ora vem Senhor Jesus!

Enviado por José Alves Malafaia em 31/03/2005


Nossa... que história impactante!
Um exemplo maravilhoso de Amor...
Parabéns Mário pela iniciatiava,pelo amor ao menino pedro,pelo exemplo...
E pedro que vc seja feliz com essa sua família linda e iluminada que tanto amor tem para com você.
Muito amor e carinho,
Cândida

Enviado por Cândida Rúbia em 31/12/2004


Nossa...
Li todo arquivo...
Linda história de Amor Sem Fim !!!
Adorei...

Enviado por Dani e Ana Júlia em 29/12/2004


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras. O livro é publicado pela Editora Mondrian.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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